Às vezes tudo chega quando você para de procurar

Às vezes tudo chega quando você para de procurar

16, junho 2017 em Emoções 2004 Compartilhados
Às vezes tudo chega quando você para de procurar

Há quem os chame de momentos mágicos. São todas as vezes em que repentinamente aquilo que sonhávamos, buscávamos ou esperávamos com tanta vontade acontece de improviso, abraçando-nos ao cruzar a esquina ou aparecendo na caixa de entrada de nosso endereço de e-mail. Justamente quando havíamos parado de procurar, o destino nos oferece seu inesperado presente.

Em um mundo imprevisível, caótico e complexo como um labirinto sem saída, estes instantes mágicos são mais comuns do que pensamos. Há quem vincule estes fatos à tão atrativa ciência da “sorte”, mas na realidade os especialistas no tema sabem que estes acontecimentos imprevistos, nos quais os desejos se convertem em realidade ou somos tocados com a varinha das oportunidades, escondem um pouco de ciência e muito de psicologia.

“A sorte favorece somente a mente preparada”.
-Isaac Asimov-

Para dar um exemplo deste mesmo fato dispomos de um livro muito interessante. Em “O Efeito Medici”, de Frans Johansson, o autor explica como em alguns casos não é suficiente ser um especialista em um campo para ter sucesso. Na verdade, dedicar todo o nosso empenho, tempo e energia a um único objetivo também não garante que iremos alcançá-lo. Às vezes é preciso se afastar um pouco, assumir outras perspectivas e aplicar um pensamento menos linear e mais criativo, relaxado, paciente e original para alcançar uma meta.

Por sua vez, também não podemos nos esquecer de outro ponto interessante: em alguns casos as ações mais inesperadas vêm guiadas por nosso subconsciente. Justo quando nossa mente consciente, rígida, às vezes obsessiva e sempre analítica estabelece uma certa distância, desperta este sexto sentido que, acreditemos ou não, nunca se equivoca.

Propomos uma reflexão sobre isso.

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Ainda que você pare de procurar, sua mente continua sendo receptiva

Andrea tem um pequeno negócio que não vai nada bem. Ela sabe que sua doceria não é mais rentável e que em alguns meses terá que fechá-la. Ela está há várias semanas tentando pensar no que pode fazer, mas entre a pressão, a ansiedade e a tristeza por fechar este negócio familiar, as lágrimas acabam caindo por seu rosto. Ela se sente esgotada. No entanto, nesta mesma manhã ela se levantou muito mais tranquila ao dizer a si mesma que aconteça o que acontecer, tudo se acertará.

Tomou uma ducha sentindo uma calma muito agradável e uma grande paz mental. Enquanto tomava banho, recebeu uma notificação no celular de uma de suas redes sociais. Ao pegar o telefone, rapidamente Andrea teve uma ideia: levar seu negócio ao mundo online, fazer propaganda da sua loja nas redes sociais e criar doces e sobremesas para festas e eventos!

Este é um simples exemplo de como funciona nossa mente quando paramos de pressioná-la, e de como sua receptividade se intensifica quando a afastamos do bosque de preocupações e dos medos. No entanto, neste clássico de procurar o “momento mágico” surgiu outra dimensão igualmente interessante que vale a pena analisar: o pensamento interseccional.

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O pensamento interseccional

As pessoas têm um costume muito comum: o de tentar prever tudo que pode acontecer se fizerem ou não fizerem determinadas coisas. Isso nos obriga muitas vezes a criar em nossa mente verdadeiros “documentos em Excel” nos quais organizar colunas, analisar dados, correlacionar variáveis e fazer prognósticos exaustivos, às vezes um pouco fatalistas.

Em vez de fazer uso deste hemisfério esquerdo tão linear e analítico, será muito mais útil aplicar o pensamento interseccional, o qual se caracteriza pelas seguintes habilidades:

  • Ser capaz de criar conexões entre informações e estímulos que não têm nada a ver entre si.
  • A pessoa hábil em pensamento interseccional é capaz de encontrar a calma em meio ao caos.
  • No meio deste palácio mental de paz e equilíbrio, a pessoa que faz uso deste enfoque de pensamento é capaz de se conectar com tudo que a envolve porque se mantém aberta, porque é receptiva e curiosa, porque gosta de “brincar” com toda informação que recebe, experimentando, descartando, inventando e transformando…

Além disso, este tipo de perfil não fica obcecado por buscar uma única solução, uma única saída ou resposta para os seus problemas. Na maior parte do tempo, deixa-se levar pelo que acontece em seu entorno e aceita o inesperado, o fortuito.

A sorte é, no final das contas, saber reconhecer as oportunidades

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Para ter sorte na vida às vezes as circunstâncias adequadas precisam ocorrer. No entanto, para que estas circunstâncias se materializem diante de nós, nosso cérebro precisa nos levar até estes pontos, e também é ele que deve saber reconhecer a oportunidade onde nós, talvez, só vejamos uma porta fechada.

“A melhor sorte de todas é a sorte de fazer algo por si mesmo”.
-Douglas MacArthur-

Com tudo isso queremos deixar claro um aspecto: a sorte não sabe de mágica, as casualidades existem, mas muitas vezes são “causalidades” gestadas por este órgão excepcional e maravilhoso no qual deveríamos confiar muito mais. Somente quando retiramos de nossa mente as ansiedades, as atitudes limitantes, os medos e obsessões, tudo se expande e se transforma, todo o cérebro começa a funcionar 100% permitindo-nos ser receptivos, dando-nos a chance de escutar esta voz interna e sempre sábia que, com frequência, nos guia até as verdadeiras oportunidades.

Portanto, mais do que nos centrarmos de forma obsessiva em procurar aquele acontecimento que tanto desejamos, aprendamos a ser mais receptivos, a ver o mundo com a visão de um pássaro, e não a partir do buraco de uma fechadura.

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