O vírus do herpes pode contribuir para a deterioração cognitiva? 

· outubro 11, 2018

Estima-se que 417 milhões de pessoas com menos de 50 anos tenham o vírus do herpes simples em todo o mundo. Mas, o que isso tem a ver com a deterioração cognitiva? Bom, muito! Um estudo informa que certas infecções virais crônicas, incluindo o vírus do herpes simples, podem contribuir para uma deterioração cognitiva em idosos saudáveis.

O herpes é uma infecção causada por um vírus. O herpes bucal, causado pelo vírus do herpes tipo 1, provoca feridas ao redor da boa ou no rosto. O herpes genital, causado pelo vírus do herpes tipo 2, é uma doença sexualmente transmissível que pode afetar os órgãos genitais, as nádegas ou a área do ânus. Outras infecções por herpes podem afetar os olhos, a pele ou outras partes do corpo.

O estudo do qual falamos foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos.

Publicado na revista Alzheimer’s Disease and Associated Disorders, ele relaciona certos vírus crônicos, incluindo o vírus do herpes simples tipo 2, com a deterioração cognitiva. A pesquisa envolveu mais de 1000 adultos com mais de 65 anos, avaliados anualmente durante 5 anos para detectar qualquer mudança cognitiva.

A deterioração cognitiva e sua relação com o vírus do herpes

A cognição é uma combinação de processos mentais que envolve a capacidade de aprender coisas novas, a intuição, o julgamento, a linguagem e a memória, de acordo com a definição dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Deterioração cognitiva

Quando alguém sofre uma deterioração cognitiva, costuma ter problemas com estes processos, o que afeta sua vida cotidiana. Assim, é possível que uma pessoa com deterioração cognitiva não possa cuidar de si mesma ou realizar tarefas cotidianas, como preparar suas próprias refeições ou administrar seu dinheiro, entre outras ações.

A nova pesquisa relaciona o herpes simples, uma infecção bastante comum, com a deterioração cognitiva. De acordo com os pesquisadores, estudos transversais prévios já tinham encontrado uma associação entre a exposição a certos vírus e a diminuição do funcionamento cognitivo.

Estes vírus incluem o citomegalovírus, o vírus do herpes simples 2 (herpes genital) e o protozoário toxoplasma gondii (mais conhecido como o parasita que se encontra nas fezes dos gatos). Os pesquisadores dizem que, talvez, estes vírus estejam desencadeando efeitos neurotóxicos.

Após buscar sinais de exposição viral em amostras de sangue, os pesquisadores descobriram que a exposição a estes vírus está relacionada com aspectos da deterioração cognitiva, geralmente considerada relacionada com a idade.

Cabe destacar que, mesmo que os resultados proporcionem motivos de preocupação, o vírus do herpes simples tipo 1, que é o tipo de herpes associado com o herpes labial, não foi associado a uma maior deterioração cognitiva temporal.

Os pesquisadores disseram que suas descobertas são independentes das variáveis gerais relacionadas com a idade, por isso o vínculo entre outros vírus e a deterioração cognitiva é significativa.

Prevenção do herpes genital

O conhecimento dos efeitos da deterioração cognitiva que o herpes tipo 2 tem, assim como os outros vírus mencionados, aumenta os motivos pelos quais é importante investir em prevenção.

O herpes genital é uma doença de transmissão sexual que pode ser transmitida através do contato com a pele ou através de líquidos (secreções) orais ou genitais. Mesmo que esta doença seja tratável, também pode ser previnida começando pelo uso de preservativos.

O problema é que uma pessoa pode ter herpes genital muito antes de desenvolver os sintomas. De fato, uma pessoa pode demonstrar os sintomas dias depois de ter contraído o herpes genital. A intensidade dos sintomas também pode variar, por isso a importância de tomar medidas preventivas.

Primeiros sinais de alerta da deterioração cognitiva

É necessário diferenciar entre um esquecimento “benigno” e a deterioração cognitiva. Também é necessário levar em conta que uma coisa é sofrer uma deterioração leve e outra bem diferente é sofrer de demência.

Mulher com problemas de memória

As pessoas com deterioração cognitiva leve são mais esquecidas que o normal para a sua idade, mas não têm outros problemas cognitivos associados com a demência, como a desorientação em lugares comuns.

As tarefas rotineiras, como pagar contas, comprar e preparar refeições, podem ser um desafio quando há uma deterioração cognitiva leve. As pessoas com este tipo de deterioração podem precisar de mais tempo e cometer mais erros. Em geral, são capazes de viver de forma independente, mas podem ser menos ativas socialmente.

Geralmente, considera-se que uma pessoa sofre de deterioração cognitiva leve se cumprir os seguintes critérios:

  • Um amigo, familiar, médico ou até mesmo a própria pessoa em questão está preocupada com uma mudança em sua memória;
  • A pessoa está enfrentando dificuldades em uma ou mais áreas cognitivas, como a memória, a atenção e a linguagem, em relação ao que é esperado para a sua idade e formação acadêmica. A dificuldade para aprender e reter novas informações é mais comum em pacientes com deterioração cognitiva que desenvolvem demência relacionada com o Alzheimer;
  • A pessoa tem problemas para realizar tarefas complexas, como pagar contas, preparar uma refeição ou fazer compras. Pode demorar mais tempo, ser menos eficiente e cometer mais erros do que no passado. Mesmo assim, mantém sua independência com uma mínima assistência;
  • Não há evidência de deterioração significativa no funcionamento social ou ocupacional;
  • Deve haver evidência objetiva de diminuição cognitiva progressiva ao longo do tempo. Os testes cognitivos podem avaliar o grau de deterioração. 

Alguns testes formais que avaliam a memória imediata e a longa podem ajudar a identificar a deterioração leve. Os médicos também podem avaliar a função cognitiva de uma pessoa usando técnicas informais.

Em todo caso, se existe algum indício que nos faz suspeitar, a primeira coisa a ser feita é descartar doenças vasculares, traumáticas e médicas que poderiam explicar o declive em processos psicológicos básicos, como a memória.