Viver com ansiedade e depressão

· abril 24, 2019
Ansiedade e depressão. Muitas vezes dizem que são dois lados da mesma moeda, mas em qualquer caso, esses estados dão forma a realidades muito duras e debilitantes onde as pessoas convivem com a angústia permanente, a anedonia, o desamparo, o mau humor...

Dois sintomas coexistindo como duas entidades obscuras da mesma moeda: ansiedade e depressão. Viver sob o controle absoluto dessas duas condições limita completamente a qualidade de vida. No campo da saúde mental essa realidade é bem conhecida, já que cerca de 60% das pessoas com depressão também sofrem de um transtorno de ansiedade.

Não é uma questão banal; de fato, os sintomas clínicos associados a esse tipo de distúrbio psicológico podem se tornar crônicos em muitos casos. No entanto, por não procurar ajuda especializada ou por não ter um diagnóstico válido e adequado, é comum encontrarmos muitos pacientes que chegam a um extremo onde surge a ideia de suicídio.

Irritabilidade, mal-estar, anedonia, sentimento de culpa, sentimentos negativos, desespero… A vida diária dessa pessoa tomada pela ansiedade e pela depressão gradualmente vai se tornando um cenário de areia movediça onde ela afunda mais a cada momento.

São situações muito complexas que requerem a melhor assistência, as melhores abordagens terapêuticas para responder a um fato que, sem dúvida, é visto cada vez mais com mais frequência.

Assim, em muitos desses casos temos diante de nós um transtorno misto ansioso-depressivo. É uma realidade clínica em que convergem diversos sintomas, características diversas que os profissionais devem identificar o quanto antes.

“A nossa maior glória não está em nunca cair, mas em nos levantarmos toda vez que cairmos”.
– Confúcio –

Mulher com dor de cabeça

Ansiedade e depressão no transtorno misto ansioso-depressivo

A ligação entre ansiedade e depressão é bem conhecida na área psicológica e psiquiátrica. Além disso, especialistas como David Barlow, diretor do centro de transtornos do humor da Universidade de Boston, dizem que, mesmo do ponto de vista neurobiológico, elas parecem compartilhar os mesmos processos.

Estudos, como o realizado na Universidade Emory (Atlanta, Estados Unidos), chegaram a resultados reveladores. As duas realidades teriam a sua origem em nossa amígdala cerebral. Ou seja, a estrutura na qual o nosso “centro do medo” está localizado é, às vezes, muito reativa. Isso faz com que qualquer evento ou estímulo seja vivido desproporcionalmente, acompanhado por emoções negativas muito intensas.

Com a depressão, a nossa realidade fica congelada. Suspensa em um estado em que nos sentimos impotentes e sem esperança. No entanto, esse medo excessivo faz com que, por sua vez, não paremos de antecipar ideias, de ver o amanhã com muita ansiedade, angústia e desespero.

Por outro lado, a razão pela qual viemos a desenvolver essas condições ou o motivo pelo qual somos mais sensíveis a sofrê-las seria, para muitos especialistas, um fator genético, somado ao contexto em que vivemos e à falta de ferramentas para enfrentar diferentes circunstâncias.

Quais são os sintomas do transtorno misto ansioso-depressivo

A primeira questão que pode vir à mente é a seguinte: se sofro de ansiedade e depressão, sofro de algum tipo de distúrbio psicológico? Bom, antes desta questão, devemos entender que todos nós somos capazes de experimentar essas realidades em determinados momentos da vida.

O problema surge quando esses estados se tornam persistentes e aparecem juntos. As manifestações clínicas devem coexistir permanentemente (mais de um mês) e no mesmo grau. Além disso, é necessário que essas características apareçam:

  • Problemas de concentração e falhas de memória.
  • Preocupação constante.
  • Pensamentos fatalistas, pessimismo e desespero.
  • Alterações do sono.
  • Anedonia (falta de motivação, impulso vital, energia e coragem…).
  • Irritabilidade e mau humor constante.
  • Sensação de inutilidade, culpa, baixa autoestima…
  • Hipervigilância. Sensação de estar sempre alerta, com a sensação de que algo vai acontecer…
  • Problemas gastrointestinais.

Por outro lado, a característica mais marcante dessa condição é o extremo que muitos pacientes podem alcançar: falta de higiene, isolamento social, incapacidade de trabalhar… Os dados epidemiológicos nos dizem que apenas 50% das pessoas com esse transtorno chegam a ser diagnosticadas na atenção primária (seja porque não procuram ou porque não são encaminhados para profissionais especializados).

Rapaz com ansiedade e depressão

Como tratar o transtorno misto ansioso-depressivo?

A abordagem terapêutica depende de muitas variáveis, mas a mais importante é a realidade pessoal de cada paciente. Haverá quem apresente uma leve sintomatologia e se beneficie, portanto, de uma abordagem psicológica. Em outros casos, em que a situação é mais grave, a intervenção psicológica será complementada com uma intervenção farmacológica.

Seja como for, é mais conveniente que os pacientes se beneficiem de uma abordagem multidisciplinar, sem excluir, por exemplo, aspectos sociais, assistenciais e psicoeducacionais. A pessoa com transtorno misto ansioso-depressivo precisa do maior apoio possível. Estas seriam, portanto, as estratégias mais comuns:

  • Terapia cognitivo-comportamental (orientada para a reestruturação cognitiva, para reduzir a hipervigilância, o medo, a ansiedade).
  • Técnicas de relaxamento.
  • Mindfulness.
  • Tratamento farmacológico (antidepressivos e ansiolíticos).
  • Psicoeducação: o paciente aprende a realidade de sua situação, entende o que é depressão, o que é ansiedade e quais estratégias poderá usar para tratá-las e preveni-las.
Ansiedade e depressão na terapia

Finalmente, vamos insistir um pouco mais sobre um aspecto. Devemos ter em mente que muitas pessoas sofrem de ansiedade e depressão. No entanto, o fato de que estes sintomas apareçam na mesma intensidade dando lugar ao transtorno misto ansioso-depressivo é algo mais particular que, infelizmente, nem sempre é identificado adequadamente. Portanto, não hesite em procurar ajuda especializada para ter sempre a melhor resposta, atenção e orientação.

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  • Bobes García, J. (2001). Trastornos de ansiedad y trastornos depresivos en atención primaria. Barcelona, etc.: Masson.
  • Echeburúa, E.; Salaberría, K.; de Corral, P.; Cenea, R. & Barasategui, T. (2000). Tratamiento del trastorno mixto de ansiedad y depresión: resultados de una investigación experimental. Análisis y modificación de conducta, vol.26, 108.
  • Vallejo Ruiloba, Julio (1999) Trastornos afectivos: ansiedad y depresión. Masson