Você é uma droga com efeitos colaterais

dezembro 20, 2016

Há pessoas que, quando passam por nossas vidas, deixam uma marca difícil de apagar. São pessoas que, assim como uma droga, nos prendem e nos fazem experimentar sensações extraordinárias. De fora, alheias ao seu efeito, alteram a nossa própria química desequilibrando todo o organismo.

Nos sentimentos, assim como nos vícios, o prazer costuma andar de mãos dadas com os efeitos colaterais. A cabeça se perde na fantasia do detalhe enquanto o corpo procura encontrar uma base firme onde se agarrar enquanto luta para não cair.

A boca cala e fornece argumentos para si mesma para se convencer de que tudo continua como antes. O corpo se veste com a fantasia da normalidade procurando disfarçar o turbilhão interior que o olhar é incapaz de ocultar.

A ressaca da emoção

Quando aparecem, são capazes de provocar uma onda capaz de alterar um mar em calma. Mas a marola traz consigo uma ressaca que pouco a pouco se esvai até voltar a fazer parte daquela corrente de água sossegada.

“Porque assim é o mar sempre: calmo, assustador, mas nunca quieto.”
-Angeles Mastretta-

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Toda ação leva consigo uma ação contrária. As emoções intensas e complexas afetam a mente e o corpo interferindo no seu equilíbrio e forçando movimentos cujo único fim é voltar a estabilizar aquilo que os sentimentos desequilibraram.

“Com toda ação sempre ocorre uma reação igual e contrária: significa que as ações mútuas de dois corpos sempre são iguais e orientadas em sentido oposto”
-Terceira lei de Newton ou princípio da ação e reação-

Após a desorganização causada pelo impacto, é preciso se esforçar para voltar a colocar no lugar tudo aquilo que ficou desorganizado. Existem terremotos que podem fazer tremer os edifícios mais bem construídos. Mas apesar dos tremores, eles aguentam, como aqueles arranha-céus nos quais o pináculo balança enquanto a base permanece firme.

Perdi a razão para voltar a encontrá-la

Olhei para o precipício com a intenção de olhar e não cair. Estava amarrada à razão, mas com um puxão e sem prévio aviso, ela fugiu pela janela. Foi embora sem perguntar e me deixou olhando o precipício, a corda vazia e a janela que ainda permanecia aberta.

“Entrei na boca do lobo, mas acontece que eu não queria outra.”
-Sara Búho-

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Voltei a olhar o precipício e, embora ainda continuasse me dando tontura, eu estava consciente de que meus pés continuavam tocando o chão. Fechei a janela para que não escapasse o que ainda me restava, e quando abri a porta para ir embora encontrei a razão, voltando muito assustada.

E me olhando nos olhos, a razão me perguntou: “você quer que eu fique ou quer que eu vá embora?”. Respondi fingindo que conhecia a resposta enquanto ela me ouvia fazendo parecer que a minha opinião realmente era importante.

Você é o caos dentro da minha ordem

Você é uma droga com efeitos colaterais. Você é a substância que me provoca uma revolução, me sacode e me deixa tremendo durante dias. Uma pancada que me atordoa e embaça o meu julgamento, me deixando à mercê de sentimentos que têm rumo próprio.

Aquele que sem intenção gruda nas grades de uma jaula – onde não foi convidado – para transformar em caos a ordem. E bendito caos que por um instante emociona e nos deixa boquiabertos, lembrando-nos daquilo que achávamos ter esquecido.

A diversão está justamente nisso, no caos. Em desarrumar o que estava perfeitamente colocado. Em não se ater ao previsto e improvisar em função do coração.

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Contudo, o que seduz durante a noite pode desorientá-lo no dia seguinte. Não existe droga que não cause efeitos colaterais. Efeitos que só o tempo e as mãos adequadas conseguem fazer desaparecer.