Zygmunt Bauman: Facebook e as armadilhas das redes sociais

Zygmunt Bauman: Facebook e as armadilhas das redes sociais

Fevereiro 7, 2018 em Psicologia 112 Compartilhados
Zygmunt Bauman: Facebook e as armadilhas das redes sociais

Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês que ganhou fama e reconhecimento graças a sua obra ‘Modernidade líquida’. Nela, denuncia que o pós-modernismo trouxe consigo o colapso do “sólido”. Não há solidez em nada. Tudo é temporário, transitório e mutante.

A juventude de Zygmunt Bauman não foi fácil. Ele teve que fugir de seu próprio país, perseguido pelo regime nazista. Finalmente, conseguiu se estabelecer em Israel e, desde os anos setenta, começou a surpreender o mundo com suas teses. Isso lhe rendeu vários prêmios de grande relevância.

… “WhatsApp, notebook, mensagens de texto, internet… correntes que anulam o desejo do diálogo, do olhar, do contato físico e de qualquer tipo de responsabilidade comunicacional que implique um risco”.
-Jorge T Colombo-

Zygmunt Bauman analisou o mundo contemporâneo de uma forma rígida. Um dos temas que ocupou seus pensamentos mais recentes é a Internet e as redes sociais. Ele não vê grandes virtudes nessas coisas. Pelo contrário, as define como armadilhas contemporâneas, nas quais as pessoas caem e se sentem satisfeitas.

Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman e o Facebook

Uma das frases de Zygmunt Bauman chama nossa atenção. Ele diz o seguinte: “O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, ganhou bilhões com sua empresa focando nosso medo da solidão. Isso é o Facebook”. Na verdade, não se refere apenas ao Facebook, mas a todas as redes sociais.

O sociólogo enfatizou que o grande mérito de Mark Zuckerberg foi perceber até onde chega o desejo humano de não estar sozinho. Em uma rede social, a solidão aparentemente não existe. Nas 24 horas do dia e nos 7 dias por semana há alguém “lá”, disposto a ler qualquer uma das nossas preocupações e a reforçar o fato de compartilhá-la, dar um “like” solitário.

As pessoas agora parecem dispostas a fazer parte de conversas totalmente inconsequentes, tudo para ficarem “conectadas”. Já não passam mais os dias acompanhadas por pessoas. Em seu dia a dia, o parceiro é um computador ou um smartphone.

A ausência de diálogo e de comunidade

A obra deste sociólogo fala das novas dependências tecnológicas. Para ele, são forças devastadoras às quais quase ninguém pode resistir. Têm um impressionante poder de congregação. Nunca antes na história havia existido algo assim. No entanto, Zygmunt Bauman pensa que antes também não havia tanta comunicação que não conduzia a diálogo, que não dava frutos.

Zygmunt Bauman diz que, no Facebook e redes sociais similares, o que as pessoas fazem é uma espécie de eco. Ouve-se apenas o que se quer ouvir. Fala-se apenas para aqueles que pensam o mesmo. As redes, então, são como uma imensa casa de espelhos. Permitem encontro, mas não diálogo.

Menina olhando seu celular

Estabelecer ou eliminar um contato em uma rede social é extremamente fácil. Na vida real, não é tanto. Temos que enfrentar cada um dos nossos atos. Na Internet, não. Existe troca de mensagens, mas não diálogo. Diferenças, mas não debate construtivo. Em todo caso, cria-se a ilusão de estar conectado com os outros.

O reino do “eu público”

As redes sociais convidam você a se expor, a mostrar e demonstrar. Claro, escolhemos apenas os momentos mais apresentáveis ​​para mostrar. Somos pequenos ditadores no reino da nossa conta. Nós decidimos quem está e quem não está. As ausências e as presenças não acabam nos afetando completamente.

O “eu” ocupa um lugar decisivo nas redes sociais. Sem percebermos, nos tornamos dependentes dessa exposição pública nas redes. Queremos ser identificados e reconhecidos de uma certa maneira, e até podemos ficar frustrados se não conseguirmos.

Zygmunt Bauman vê nas redes sociais uma armadilha para o ser humano. Ele acha que esse tipo de espaço tem um impacto decisivo no que ele chama de “cultura líquida“. Nela prevalecem os vínculos humanos precários. Amores sem rosto e sem compromisso. Ondas de sentimentos e ideias de hoje que amanhã desaparecem. Pessoas que continuam entretidas, enquanto o poder, político e econômico, as controla cada vez mais e melhor.

Facebook como vício das pessoas

Para Zygmunt Bauman, o prognóstico não é promissor. De tanta informação que circula, estamos nos tornando pessoas desinformadas. Nós nunca sabemos em que acreditar. Há tanta comunicação que estamos ficando cada vez mais em um monólogo. Há tanta globalização que o individualismo tem se tornado cada vez mais agressivo. Aparentemente, tanta liberdade nos tornou mais dóceis do que nunca às imposições daqueles que decidem nossos modos de vida.

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