As 3 falsas alternativas à psicologia mais perigosas

· janeiro 29, 2017

Talvez William Shakespeare tivesse razão ao afirmar que “na amizade e no amor, é mais fácil ser feliz na ignorância do que no conhecimento”. Embora esta frase, em alguns contextos, tenha algum sentido de verdade, existem áreas e realidades nas quais ela simplesmente não deve ser aplicada. Estas realidades às quais nos referimos têm a ver com a nossa saúde, tanto física quanto psicológica. Portanto, em questões relacionadas a estas áreas não existe alternativa, sempre é melhor ter conhecimento, e quanto antes melhor.

Neste sentido, falamos de conhecimento científico, não do conhecimento fictício inventado por correntes que se vestem como uma alternativa à psicologia com o único interesse de buscar o lucro daqueles que a praticam. Desta forma, as falsas alternativas não apenas podem agravar uma determinada doença, como também torná-la muito mais resistente a tratamentos posteriores, drenando a energia e a esperança do paciente.

É preciso considerar que as técnicas que um psicólogo preparado e formado aplica na sua consulta são instrumentos que foram validados por pesquisas que demonstraram a sua eficácia. Uma eficácia que embora esteja longe de ser perfeita para todas elas, certamente é maior do que qualquer das alternativas conhecidas e por isso justamente é aplicada. Este é o princípio que deveria guiar qualquer procedimento clínico, mas infelizmente isto não funciona assim, e a psicologia – assim como muitas outras áreas – possui uma porção de pessoas atuantes desleais que confundem o consumidor e destroem o prestigio da profissão.

“O primeiro passo da ignorância é acreditar saber.”
-Baltasar Gracián-

Terapia do “renascimento”

Julie Ponder e Connell Watkins estabeleceram na sua terapia do “renascimento” que a criança adotada sofre da síndrome do apego. Supostamente, isto se deve à falta de vínculo biológico com a mãe. Considera-se que em algum momento este vinculo foi quebrado e é preciso um tratamento para devolver o pequeno ao ventre materno para “renascer” e restabelecer o laço.

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A verdade é que a aplicação desta “alternativa psicológica” provocou a morte de uma menina de apenas 10 anos. A terapia do “renascimento” implicava a “devolução” do pequeno ao ventre materno. Para isto, as torturas psicológicas eram terríveis. Tudo para conseguir que a jovem morresse sufocada pelo peso de 4 adultos sobre o seu frágil e pequeno corpo.

Entre as “belezas” desta terrível terapia estão o corte de cabelo, a manipulação e os maus-tratos do corpo do pequeno, o chute de tornozelos durante horas ou a imobilidade total. Tudo para recriar o ventre materno e recuperar o vínculo biológico.

Evidentemente, Ponder e Watkins foram julgados e condenados a 16 anos de prisão por maus-tratos infantis com resultado de morte. O julgamento durou apenas duas semanas, pois os vídeos das sessões bastaram como provas para demonstrar a barbárie desta suposta terapia alternativa.

Terapia “psicoenergética”

Outra das perigosas terapias alternativas das quais devemos fugir com rapidez é a psicologia “psicoenergética” que foi postulada pelo Dr. Jordan Weiss. Segundo este médico, a relação harmoniosa do corpo e da alma com a quarta dimensão através do trabalho holístico permite explorar as ilimitadas capacidades da mente humana.

Com a desculpa de sincronizar o corpo e a mente com o universo, o Dr. Jordan Weiss oferecia tratamentos que incluíam massagens vaginais em pacientes mulheres, remoção de roupas sem justificativa e prescrição de narcóticos. Como é de se imaginar, as pacientes acabaram denunciando as práticas deste doutor, que teve a sua licença profissional cassada. Enquanto isso, as denunciantes receberam tratamento pelos seus problemas iniciais e pelos provocados pelas ideias de Weiss.

Terapia de “revivência”

O Dr. Dicke criou a teoria de “revivência” para tratar o abuso sexual. Segundo os seus postulados, o paciente deveria relembrar o maior número de detalhes e experiências sofridas. Desta forma, suas lembranças e angústias seriam reorganizadas. Chegou a ponto de representar os eventos traumáticos para conhecer as sensações de forma mais crível.

Contudo, a realidade das vantagens desta terapia era bem diferente. Os pacientes precisavam se despir e simular posturas e posições provocadas pelo agressor sexual. Inclusive o próprio médico participava do “espetáculo”.

Finalmente, diante da denúncia dos pais de um dos pacientes, Dicke foi incapaz de explicar com credibilidade a eficácia da sua terapia. A sua licença como psicólogo foi cassada e não conseguiu que nenhuma das pessoas tratadas melhorasse dos seus distúrbios.

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O perigo destas alternativas à psicologia

Estas são apenas três amostras de um mercado que se encheu de oportunidades com imaginação e criatividade para oferecer esperança a pessoas que desejam se apegar a alguma coisa, seja o que for, para escapar do mal-estar no qual se encontram. Por isso, antes de se colocar nas mãos de alguém, de colocar a própria mente nas mãos de outra pessoa, é recomendável entender de forma crítica as possibilidades de tratamento que estão sendo oferecidas.

“A ignorância é a noite da mente: mas uma noite sem lua e sem estrelas.”
-Confúcio-

Não se esqueça de que submeter-se a uma terapia não comprovada pode ser mais prejudicial do que benéfico. É a sua mente, a sua psique, o seu bem-estar e, em resumo, a sua própria felicidade e a dos seus que está em jogo.