A música como terapia da alma - A Mente é Maravilhosa

A música como terapia da alma

junho 10, 2016 em Psicologia 47 Compartilhados

Lembre-se do que você sente quando vai dirigindo e toca no rádio uma música que você adora, ou da sensação que o invade cada vez que ouve uma música da sua infância, ou da melancolia que o abraça quando ouve a balada que dançou com um pessoa especial que já não está na sua vida. A música provoca sentimentos, sensações, alegria, tristeza, melancolia. Evoca lembranças boas e ruins.

No inicio de janeiro deste ano, Rosa Montero publicou no jornal El País Semanal um artigo sobre um livro surpreendente, “Instrumental: memórias de música, medicina e loucura”, de James Rhodes (Blackie Books). Este escritor britânico tem uma biografia muito dura: abusos sexuais, tentativas de suicídio, internação psiquiátrica, prostituição… Mas, ao mesmo tempo, Rhodes é a prova de que a música e a sua beleza podem curar.

Rhodes é pianista, deixou os estudos por 10 anos e voltou a retomá-los com quase trinta anos. Em 2010 se transformou no primeiro músico clássico a assinar um contrato de seis álbuns com a multinacional Warner. Em geral, uma pessoa que deixa um instrumento não volta a tocá-lo, mas ele sim, e foi o poder curativo da música que regenerou a sua vida.

Benefícios da música

O conhecido neurologista Oliver Sacks narra no seu livro “Musicofilia” a relação entre a música e o cérebro e mostra como a música pode despertar áreas prejudicadas do cérebro. No livro, ele fala de pessoas, não de pacientes e relata casos tão inquietantes como o de François Lhermite, que apenas identifica uma melodia, “A Marselhesa”, ou o caso de Martin, uma pessoas com atraso mental profundo que sabe de cor mais de duas mil óperas completas.

A música como terapia

Uma das histórias mais comoventes que Sacks conta no seu livro é a de Clive Wearing, um músico inglês que, aos 45 anos, sofreu uma infecção cerebral que afetou gravemente a sua memória, de modo que a partir de então a sua margem de memória é de sete segundos. Mas quando Clive se senta ao piano tudo flui, e ele começa a ter contato com a sua memória e com a sua sabedoria musical, porque a sua capacidade de tocar o piano e o órgão ficou intacta.

Não foi somente Oliver Sacks que demonstrou os benefícios da música para o ser humano. A cientista Sarah Johnson criou inclusive uma disciplina universitária nos Estados Unidos. A musicoterapia é capaz de provocar importantes mudanças a nível fisiológico no organismo: acelera ou retarda funções orgânicas (respiração, circulação, digestão, etc.), a nível psicológico estimula as emoções (facilita a expressão ou provoca um efeito calmante), e a nível intelectual ajuda a alcançar a concentração, estimula a imaginação e facilita o aprendizado de habilidades sociais.

A magia de tocar um instrumento

Nas últimas décadas foram realizadas diversas experiências para estudar como ouvir música afeta de forma muito positiva o cérebro. Foram feitas ressonâncias em pessoas enquanto resolviam problemas matemáticos e enquanto ouviam música, e neste segundo caso detectou-se que diversas áreas são ativadas ao mesmo tempo no cérebro.

Por outro lado, foram analisados os cérebros de pessoas que tocavam instrumentos musicais e comprovaram que tocar um instrumento equivale a uma atividade física completa para o cérebro. Os neurocientistas descobriram que funcionavam diferentes áreas do cérebro de forma simultânea e muito rápida.

A música como terapia

Tocar um instrumento ativa praticamente todo o cérebro ao mesmo tempo, em especial o córtex visual, auditivo e motriz, de modo que a prática contínua de um instrumento pode beneficiar também outras atividades.

A diferença entre ouvir música e tocá-la é que a segunda requer motricidade fina, que é controlada pelos dois hemisférios do cérebro, e também combina a precisão lingüística e matemática para as quais o hemisfério esquerdo está mais desenvolvido, com a criatividade na qual sobressai o hemisfério direito.

Por todos estes motivos, foi comprovado que tocar música aumenta o volume e a atividade no corpo caloso do cérebro, que é o que conecta os dois hemisférios. Isto permite aos músicos resolver problemas de forma criativa em muitas outras áreas.

Os músicos têm a memória mais desenvolvida e são capazes de colocar diversas etiquetas às suas lembranças (contextuais, emocionais, auditivas, etc), quase como um bom buscador de internet. Outras atividades como o esporte ou a pintura não demonstraram ter os mesmos benefícios de tocar um instrumento musical no cérebro, embora contribuam com diferentes vantagens.

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