4 características dos predadores sexuais da internet

· dezembro 6, 2018

Para ilustrar as características dos predadores sexuais da internet, primeiro queremos falar sobre um caso específico. Na Rússia, entre os anos 70 e 90, houve uma série de assassinatos e agressões sexuais. Andrei Chikatilo, um homem de meia-idade, chegou a matar mais de 50 pessoas. Em sua grande maioria eram mulheres jovens e crianças (meninos e meninas). Depois de ser expulso da escola onde lecionava por abusar dos seus alunos, encontrou trabalho como operário de uma fábrica. Graças a isso, a sua atividade criminosa tomou forma.

Aproveitando-se das viagens que precisava fazer, usava as estações de trem como um lugar para capturar as suas vítimas. Eram sempre crianças ou jovens em situação de vulnerabilidade que não estavam familiarizadas com linhas ferroviárias. A sua história foi contada anos depois no famoso filme ‘Cidadão X’.

Os predadores sexuais são um mal endêmico que têm existido ao longo da história. No entanto, como ocorre com outros tipos crimes, o seu modo de agir evoluiu com o passar dos anos. Andrei Chikatilo se adaptou ao seu tempo: ele usava as estações de trem como ponto de encontro para contatar as suas vítimas.

Esses comportamentos foram se aperfeiçoando à medida que surgiram novas tecnologias da informação, como a internet. O gerenciamento das redes sociais, bate-papos ou fóruns permite que você se conecte com um número maior de pessoas. O espaço em que eles se movem facilita a seleção das vítimas, sendo capazes de criar uma mentira plausível, muito fácil de sustentar pela forma de contato utilizada.

Andrei Chikatilo

O aliciamento (grooming) e os predadores sexuais

Grooming refere-se ao modo como os predadores sexuais assediam pela Internet. A velocidade da informação e a falta de segurança são dois dos principais fatores que favorecem a prática desses crimes.

De acordo com estudos conduzidos sobre o tema, os abusadores geralmente são homens de idades variadas, embora a maior incidência ocorra na faixa dos 18 e 50 a 60 anos. Da mesma forma, as vítimas mais vulneráveis são os jovens.

4 características dos predadores sexuais

Embora anteriormente tenhamos feito uma pequena caracterização física, existem várias características psicológicas que explicariam as suas estratégias e seu modo de ser:

Manipuladores

Os predadores sexuais sabem como ajustar a situação conforme a sua conveniência. Eles estão continuamente criando distorções cognitivas que desarmam a vítima. Dessa forma, conseguem enganar a outra pessoa para obter dela qualquer tipo de benefício. Com uma criança, isso geralmente é muito simples.

Dominadores

O predador sexual criará um desequilíbrio de poder no qual sujeitará a criança aos seus desejos. No início do diálogo, ele tentará dominar a conversa para conseguir o que quer: pretende atingir a satisfação que sente quando tem o controle sobre alguém. É possível que diante de pessoas adultas, em uma situação do dia a dia, haja uma reversão de papéis e o predador sexual se torne uma pessoa facilmente dominável.

Charme superficial

Eles criam uma situação de conforto e comodidade com o meio ambiente: se identificam com os problemas do outro, entendendo e mostrando interesse pelo que lhe acontece, pelos seus gostos e desejos, etc. Eles sabem como se ajustar às situações. A baixa autoestima do predador sexual o leva a ter dificuldades para manter um relacionamento saudável com pessoas da sua idade. Por isso, se aproximam de pessoas mais vulneráveis ​​e muito mais acessíveis.

Predadores sexuais na internet

Despersonalização e objetificação

Eles tratam a vítima como um objeto para satisfazer os seus desejos sexuais. O contato através de uma tela, sem ver com quem está falando, favorece a perda da consciência de que o outro seja uma pessoa. A vítima é tratada como uma “coisa”. Dessa forma, o predador justifica os seus atos criminosos culpando a vítima, alegando, por exemplo, que foi provocado por ela.

Atualmente, uma das perguntas que a sociedade faz é: “Como podemos proteger as crianças e jovens deste tipo de predadores?” Não há dúvida de que os jovens são a parte da população mais afetada por esses delitos e crimes cibernéticos em geral. Eles nasceram no auge da tecnologia e a infância e adolescência são fases nas quais eles estão criando os seus laços sociais. Dessa forma, a comunicação é a coisa mais importante para eles. Por isso, temos que prestar uma atenção especial aos sites que eles visitam, assim como fazemos com os espaços físicos.

“Temos que dar uma dimensão mais ampla ao mundo virtual, uma importância maior à pergunta: onde você esteve?”