Desejos proibidos, a diferença entre pensar e fazer

Desejos proibidos, a diferença entre pensar e fazer

setembro 17, 2016 em Psicologia 1 Compartilhados
Desejos proibidos, a diferença entre pensar e fazer

Muitas vezes, fantasiamos com ideias e desejos proibidos que nos provocam sentimentos ambivalentes. São fios condutores de pensamentos estranhos que surgem em um “passe de mágica”. Na maioria das vezes são ideias perversas que não podemos compartilhar com ninguém, mas que despertam o nosso desejo. O fato de identificarmos esses desejos que condenamos eticamente é o que produz esse turbilhão de emoções conflitantes.

No entanto, a diferença entre pensar e fazer é muito grande. Se tudo o que passa pela nossa imaginação se tornasse realidade, certamente teríamos ganho na loteria várias vezes e “assassinado” algumas pessoas que causaram muitos problemas nas nossas vidas.

Quando imaginamos coisas positivas, como ter muito dinheiro ou que um amigo está bem, as emoções agradáveis nos invadem. No entanto, quando desejamos o mal do outro ou fantasiamos com outra pessoa que não é o nosso companheiro, nos sentimos culpados. Esses pensamentos nos trazem sentimentos desagradáveis.

Meus desejos proibidos me fazem sentir culpa

Em muitas ocasiões, nossos pensamentos nos envergonham, nos fazem sentir culpados, queremos nos livrar deles e nos enganamos dizendo que eles não existem. Mas eles estão lá e não conseguimos fazê-los desaparecer.

Quanto mais tentamos fugir desse desejo, mais ele nos persegue. É um efeito paradoxal, como aquilo que acontece quando nos propomos a não pensar em um urso branco. Embora tentemos evitar, o urso branco não sai da nossa cabeça.

Para que você mesmo comprove como muitas vezes algo pode nos trazer emoções negativas, lhe proponho uma experiência. Pegue um pedaço de papel e escreva o nome da pessoa que você mais ama. Guarde esse papel e mais tarde lhe direi qual será o próximo passo. 
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A fusão entre pensamento e ação

Racionalmente, sabemos que pensar é algo muito diferente do que fazer. Ninguém acredita que pelo fato de pensar e desejar ganhar na loteria, isto vai realmente acontecer. No entanto, a mente nem sempre funciona de maneira racional.

Muitas vezes acontece uma fusão entre pensamento e ação e passamos a acreditar que quanto mais pensarmos em algo, mais probabilidades teremos de que isto aconteça. Desta forma, cometemos o erro de acreditar que tudo pode se transformar em realidade.

Vamos continuar com a experiência anterior: pegue o pedaço de papel onde escreveu o nome daquela pessoa especial. Escreva em baixo do nome:  “tomara que você morra amanhã”! Como você se sente agora?
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Eu sou uma pessoa má por ter desejos proibidos?

Devemos partir do princípio de que o conceito de mau e bom é algo subjetivo e com limites muito difusos. Um objeto ou pessoa terá uma qualidade ou outra dependendo da situação e do ponto de vista com o qual você olha.

Nenhum pensamento ou desejo nos torna bons ou maus. Todas as pessoas, independentemente de como sejam, têm pensamentos agressivos e afetuosos, e isto não os transforma em pessoas boas ou más, simplesmente mostra o que realmente somos: seres humanos pensantes, pessoas com a maravilhosa capacidade de imaginar.

Lembre-se de que, como dissemos anteriormente, pensar não é o mesmo que fazer. Você poderia sonhar que tem o carro dos seus sonhos e isso não significa que ao despertar o carro esteja na sua garagem. Da mesma forma, você pode desejar ter relações sexuais com outra pessoa sem implicar que isso vai realmente acontecer.

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Onde está o limite

Às vezes, a culpa pode se tornar tão intensa que nos esmaga. Parece que os desejos têm vida própria através das nossas ações e temos a sensação de que somos incapazes de controlar o que pensamos e o que fazemos.

A falta de controle sobre os nossos desejos proibidos e o grande mal-estar que sentimos são um aviso. Um alerta que nos diz que talvez estejamos confusos porque não sabemos lidar com o que está acontecendo.

Quando os seus desejos afetam a sua vida diária e causam sofrimento, ou as suas ações, movidas pelos seus desejos, violam os direitos de outra pessoa ou do ambiente ao seu redor, é o momento de pedir ajuda profissional e tentar aprender a viver de forma mais saudável com os seus desejos.

Como lidar com a nossa mente

Os pensamentos são apenas pensamentos. Os desejos e os pensamentos têm o poder que você lhes dá. Não é necessário e nem aconselhável negar ou fugir dos seus desejos. Basta deixá-los entrar, observar e depois de um tempo eles se vão.

“Não tente expulsar os pensamentos.

Dê-lhes espaço, observe e deixe ir.”

– Jon Kabat-Zinn –

A mente é um mundo cheio de possibilidades onde podemos fantasiar, desejar, brincar e experimentar, sem que isso se transforme necessariamente em ação. Apenas na mente somos realmente livres e temos a vantagem de sermos os donos do verdadeiro objeto de nosso desejo.

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