4 metáforas da terapia de aceitação e compromisso

· maio 15, 2019

Na psicoterapia, é muito comum o uso de metáforas para que o paciente se conecte com seu problema e entenda o que o terapeuta quer transmitir. As metáforas da terapia de aceitação e compromisso (ACT), em especial, são um recurso muito valioso, pois são muito instrutivas e esclarecedoras.

De alguma forma, contar histórias simples favorece a compreensão e a adoção de outra perspectiva sobre o ocorrido. No entanto, antes de continuar falando sobre as metáforas e seu poder terapêutico, vamos explicar em que consiste este tipo de terapia.

A terapia de aceitação e compromisso se baseia em dois princípios fundamentais: a aceitação e a ativação. Assim, a partir desta perspectiva, o objetivo não é evitar o sofrimento ou a dor, mas sim aceitá-los.

No entanto, isso não significa que a pessoa deve renunciar a si mesma, mas comprometer-se com seus valores pessoais e os perseguir apesar do sofrimento que possa experimentar ao longo do caminho. Por este motivo, a ativação e a ação adquirem um valor muito importante.

Neste sentido, a metáfora ajuda muito, pois através dela é transmitida ao paciente uma experiência similar na qual ele se sente identificado e compreendido. É claro que é importante saber muito bem qual metáfora utilizar para oferecer uma solução alternativa de acordo com os valores da pessoa. Vamos nos aprofundar.

Algumas metáforas da terapia de aceitação e compromisso

As metáforas podem ser eficazes

As metáforas da terapia de aceitação e compromisso podem ser ajustadas a diferentes tipos de problemas. O importante é que sejam úteis ao paciente e facilitem a mudança terapêutica de que ele precisa.

Além disso, é importante que a metáfora utilizada seja eficaz e não uma mera narrativa na qual o paciente não se veja refletido. Portanto, é conveniente que cumpra com as seguintes condições:

  • Que seja consistente com o grau de desenvolvimento da pessoa. O paciente deve entendê-la. Portanto, deve referir-se à sua experiência direta ou ao conhecimento comum na sociedade e em sua idade (McCurry e Hayes, 1992).
  • Que estabeleça uma correspondência clara entre o problema da pessoa e a experiência que narra.
  • Que possua uma estrutura de ação. A metáfora deve refletir os passos a serem dados pelo paciente para mudar seu comportamento.
  • Que ofereça uma solução. Desta forma, o paciente percebe um comportamento do qual não havia considerado antes, e reinterpreta ou resolve seu problema.

Algumas metáforas da terapia de aceitação e compromisso

A seguir, apresentamos algumas das metáforas mais interessantes da terapia de aceitação e compromisso.

1. O tanque de tubarões e o polígrafo

Imagine que você está sentado à beira de um tanque cheio de tubarões e que está conectado a um polígrafo extremamente sensível.

Sua tarefa será evitar, a todo custo, apresentar algum sinal de ansiedade. Se sentir ansiedade, o assento em que você está sentado se inclinará e você irá diretamente para o tanque de tubarões. O que você acha que vai acontecer?

Como você já imaginou, é bem possível que você acabe se sentindo ansioso.

Esta metáfora é muito apropriada para aquelas pessoas que sofrem de ataque de pânico. Você começa a sentir um pouco de ansiedade que não está disposto a tolerar e, ao querer evitá-la, porque acha que é terrível e que não deveria sentir ansiedade, você acaba sentindo-a ainda mais. Quando se dá conta, já caiu no tanque de tubarões.

2. Metáfora do tigre com fome

Uma manhã você acorda e, na frente da sua porta, encontra um adorável filhote de tigre. Você o adota e o mantém em casa.

Seu precioso tigre começa a miar e você intui que ele sente fome. Você dá a ele um pedaço de carne de hambúrguer e repete essa mesma ação sempre que o ouve chorar.

Com o tempo, seu animal de estimação começa a crescer. Você já não pode alimentá-lo com um pouco de hambúrguer, mas com costelas inteiras e grandes pedaços de carne.

Isto é o que acontece com os pensamentos: eles crescem e crescem como o tigre quanto mais você os alimenta. Ou seja, quanto mais valor você lhes atribui. Assim, você lhes dá mais poder e eles acabam controlando uma grande parte da sua vida.

Metáfora do tigre com fome

3. Metáfora da armadilha de dedos chinesa

Se você já utilizou a armadilha de dedos chinesa, saberá que consiste em um tubo de palha trançado da espessura do dedo indicador. Quando você coloca ambos os indicadores dentro, um em cada extremidade, e puxa para fora, a palha encolhe e fica tensa.

Assim, quanto mais forte você puxa, mais estreito o tubo se torna e mais ele prende. No entanto, se você empurrar os dedos para dentro, terá mais liberdade de movimento.

Agora, pense que a vida é como uma armadilha chinesa. Quanto mais você luta, mais limitados ficam seus movimentos. Se você parar de lutar, terá mais liberdade para fazer novas escolhas.

4. Metáfora do poço e da pá

Você cai em um buraco medianamente fundo e a única coisa disponível para sair de lá é uma pá. Como você não sabe muito bem o que fazer e fica desesperado, começa a usar sua pá.

Pouco a pouco, você afunda mais no buraco, pois, ao retirar a terra, ele se torna mais fundo e mais difícil de sair. Então, não teria sido melhor usar a pá de outra maneira? Não poderia ter esperado que alguém viesse e o ajudasse a sair?

Isso é exatamente o que ocorre na evitação experiencial. A ânsia por sair do desconforto faz com que afundemos ainda mais no incômodo. No entanto, a aceitação do mesmo pode nos ajudar a procurar estratégias alternativas. Pode ser, talvez, que no início tenhamos que tolerar o sofrimento, mas a longo prazo a solução será mais benéfica.

Metáfora do poço e da pá

Como podemos ver, as metáforas da terapia de aceitação e compromisso podem ser de grande ajuda quando se trata de esclarecer e aceitar determinados aspectos de nossas vidas. Elas podem nos ajudar a refletir e, em alguns casos, a repensar as situações em que estamos envolvidos.

  • Steven, C, Hayes. Sal de tu mente, entra en tu vida. La nueva terapia de aceptación y compromiso. Desclée de Brouwer (2013)