Michael White e David Epson, autores da terapia narrativa

· setembro 18, 2018

Na década de 1980, com base da terapia familiar, começou a surgir a modalidade terapêutica da Terapia Narrativa. Seus principais autores e defensores são Michael White e David Epson.

Para alguns, é considerada uma terapia pós-moderna, já que White e Epson baseiam parte de seu enfoque nas abordagens do filósofo Michael Foucault (1978). Uma das premissas fundamentais dessa terapia é que cada pessoa, família ou instituição conhece sua identidade a partir das narrativas que cria sobre os eventos em que participou.

Michael White e David Epson: a terapia narrativa

Michael White, assistente social australiano, e David Epson, antropólogo neozelandês, começaram a trabalhar juntos e desenvolveram a terapia narrativa. No entanto, não podemos explicar o nascimento deste modelo sem remontarmos aos trabalhos de Gregory Bateson e aos de Maturana e Varela, que apontavam que o indivíduo nunca está só, mas pertence aos sistemas sociais.

Michael White e David Epson começaram a trabalhar juntos e desenvolveram a terapia narrativa.
Terapia narrativa

Pensar no indivíduo neste contexto contribuiu para o amadurecimento das terapias sistêmicas que atendem todo o sistema familiar, ou alguns membros ou indivíduos sozinhos, dependendo do momento. Quanto mais atores importantes iam se incorporando à terapia, mais curta e eficaz ela se tornava, o que deu origem a muitos modelos de terapia breve.

É comum ver como os membros da família se sentem afetados pelo problema, mas não se sentem parte do problema. Assim, o primeiro passo é essa mudança conceitual, de ponto de vista, em que está envolvida a implicação e, portanto, a capacidade de influência.

A atitude de cada membro da família é muito importante, já que se conseguirmos nos colocar no lugar dos outros, poderemos construir melhor o que ocorre na realidade. Portanto, o primeiro passo é não culpar ninguém e compreender qual é a influência de cada um no problema.

A terapia narrativa vê o problema separado da pessoa e facilita a compreensão de uma ideia: cada pessoa tem determinados valores, compromissos, atitudes… que ajudam a reduzir a influência negativa do problema em todas as dinâmicas da pessoa, família ou instituição. Técnicas como a negociação e a discussão de alternativas viáveis servem para buscar novas formas de solução.

A metodologia da terapia narrativa

A terapia narrativa substitui a abordagem cibernética do ser humano por um modelo linguístico, que afirma que o conhecimento é uma versão consensual da realidade, produto da interação e da negociação interpessoal, e que o significado é criado no contexto do discurso que o sustenta.

Portanto, a nossa história pessoal, a cultura e as organizações das quais fazemos parte estão intimamente relacionadas com as nossas ações e o que construímos dentro das relações. Desta forma, organizamos as experiências em forma de narrativa, com uma sequência temporal, intenções, significados, desfechos…

Por isso, a terapia narrativa entende a terapia como um processo conversacional, no qual os clientes e os terapeutas constroem em conjunto novos significados, histórias, possibilidades e soluções para o problema que narram. As principais premissas da terapia narrativa são as seguintes:

  • Identificar o relato dominante.
  • Externalizar o problema.
  • Explorar aspectos de valor para o cliente.
  • Descobrir as implicações dos eventos extraordinários.
  • Pesquisar os arquivos da família.
Michael White e David Epson concebem a terapia narrativa como a construção em conjunto de novos significados, possibilidades e soluções para o problema que a pessoa narra.

Michael White dava muita importância à estrutura dramática como agente de influência na construção de nossos relatos, já que as pessoas unem eventos sobre um tema, mas sempre há outras histórias que ficam de fora dessa experiência.

Portanto, a missão do terapeuta é tentar resgatar histórias subjugadas ou invisíveis no relato mais acessível que a pessoa administra. Recuperar fatos ou pensamentos que restaurem o equilíbrio perdido.

Entendemos por narração “as sequências escolhidas da vida que passam a existir como uma entidade através do ato de relacioná-las” (Payne, 2002) a nós mesmos. Assim, através dessas sequências relacionadas, nosso senso de identidade é formado.
Problemas de comunicação

Determinadas histórias de nossas vidas se tornam dominantes, restritivas, empurrando-nos para conclusões que nos castigam de maneira repetitiva…

Assim, quando as pessoas chegam para a consulta com uma história dominante saturada de problemas, o trabalho terapêutico se centra em tentar encontrar portas de entrada para histórias alternativas. Por exemplo, gerando perguntas que convidem a pessoa a se conectar com experiências que haviam omitido na hora de construir seu relato.

O enfoque da Terapia Narrativa criada por Michael White e David Epson vê os problemas como algo separado da pessoa (externalização dos problemas), o que facilita a reescritura de vidas e relacionamentos. Assim, é possível criar um espaço para que as pessoas ajam contra o problema e deixem espaço para suas habilidades, interesses, compromissos, responsabilidades, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e, portanto, para um enfrentamento mais eficaz.

“As pessoas dão sentido a suas vidas e relacionamentos relatando sua experiência, e ao interagir com os outros, a representação das suas histórias modifica as suas vidas e relacionamentos”.
-Michael White e David Epson-

Referências bibliográficas

López De Martín, Silvia Roxana (2011). Terapias breves: la propuesta de Michael White y David EpstonIII Congreso Internacional de Investigación y Práctica Profesional en Psicología XVIII Jornadas de Investigación Séptimo Encuentro de Investigadoresen Psicología del MERCOSUR. Facultad de Psicología – Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires.