5 descobertas da neurociência que sustentam a pedagogia Montessori

5 descobertas da neurociência que sustentam a pedagogia Montessori

18, março 2017 em Psicologia 23248 Compartilhados
5 descobertas da neurociência que sustentam a pedagogia Montessori

“A primeira tarefa da educação é agitar a vida, mas deixando-a livre para que se desenvolva”, afirmou Maria Montessori há mais de um século. Hoje, o triângulo educacional no qual se baseiam a sua pedagogia e os seus princípios fundamentais estão sendo evidenciados pela neurociência.

Não só isso, Steve Hughes, neuropsicólogo e pediatra, tem a firme convicção após anos de experiências que o Método Montessori potencializa certas funções cerebrais que ajudam a expandir o desenvolvimento cognitivo. Inclusive colocou como sobrenome ao método “sistema original de aprendizagem baseado no cérebro”.

O desenvolvimento neurológico é potencializado pela aprendizagem através da metodologia Montessori. Esta afirmação não apenas tem o respaldo de centenas de casos de desenvolvimento de sucesso desde a sua fundação, mas também pelas diferentes descobertas que a neurociência atual tem realizado. Vejamos 5 delas:

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Ilustração de Karin Taylor

1. As mãos são o instrumento do cérebro

“Com as mãos o ser humano concebe o seu entorno. Elas são as ferramentas executoras da inteligência. As mãos são criativas, podem produzir coisas. Os órgãos sensoriais e a capacidade de coordenação se desenvolvem através das atividades manuais”, afirmou Maria Montessori.

Hoje em dia sabemos que os recursos que o cérebro usa para processar os estímulos sensoriais que percebe através das mãos são sensivelmente superiores a outras partes do corpo. Então, poderíamos dizer que vivenciar o mundo através das mãos equivale a entrar pela grande porta do nosso próprio cérebro e, por isso, estas precisam ter um papel fundamental no aprendizado.

Na imagem podemos observar o que denominamos de “homúnculo motor e homúnculo sensorial”. Este termo é usado para descrever uma figura humana distorcida desenhada para refletir o espaço sensorial relativo que nossas partes corporais representam no córtex cerebral. Em ambos homúnculos vemos como as mãos são sensivelmente maiores que outras áreas.

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2. A vivência natural potencializa as capacidades e competências da criança

“A educação é um processo natural realizado pela criança e não se adquire ouvindo palavras, mas sim mediante as experiências de uma criança no seu entorno”, afirmou María Montessori.

Favorecer a vivência livre e natural significa encorajar as crianças e bebês a se moverem e a se comunicarem com o seu entorno. Os pequenos que aprendem através da pedagogia Montessori passam mais tempo em movimento do que nas escolas tradicionais; isto é, se exige uma relação ativa com o meio, o que promove um maior domínio das habilidades motoras, sensoriais, emocionais e cognitivas.

Então, o benefício da promoção de uma atitude ativa com relação ao entorno torna os bebês e crianças mais competentes na hora de reconhecer as intenções alheias. Esta descoberta está apoiada em diferentes pesquisas sobre os benefícios do jogo como manoplas de velcro para provocar uma ação intencional. Em resumo, promover que as crianças façam alguma coisa as ajuda a aprender mais rápido do que pela mera observação, assim como enfatiza o texto publicado em 1981 por Kandel e colaboradores.

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3. As funções executoras e Montessori

As funções executoras são aquelas habilidades cognitivas que nos permitem manipular ideias mentalmente. Estas capacidades mentais promovem a resolução consciente, ativa, voluntária e eficaz dos problemas que se apresentam na vida cotidiana.

Aprender a ser flexível e a aceitar as mudanças do entorno, se concentrar em uma tarefa, continuá-la com um objetivo, resistir aos próprios impulsos e reter a informação na mente para com ela operar são habilidades indispensáveis para um correto desenvolvimento.
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O termo “funções executoras” classifica estas habilidades em três categorias: inibição, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Se estas funções não forem bem desenvolvidas, podem se diagnosticar erroneamente transtornos como TDAH ou outras dificuldades de aprendizagem.

A partir da pedagogia Montessori, desenvolvida em um momento em que isto não era conhecido, podemos desenvolver estas funções com diferentes atividades como por exemplo a espera, a procura de material ultrapassando um labirinto formado pelos colegas realizando outras atividades, etc. As pesquisas comprovam que as crianças que frequentaram centros de pré-escola Montessori mostram uma melhor execução nesta família de processos mentais.

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4. Os períodos sensíveis ou janelas de oportunidades na infância

Maria Montessori observou que na infância aconteciam períodos sensíveis para o aprendizado. Nestes momentos evolutivos reside um grande potencial neuroemocional e, por isso, a educação é primordial. Na verdade, é fundamental que no período entre 0 e 11 anos as crianças explorem o seu mundo de forma mais autônoma possível.

Então, de forma geral podemos falar da criação do microcosmo ou micromundos Montessori. Isto é a criação de um entorno puramente infantil: móveis do tamanho das crianças, brinquedos que potencializam a exploração e a flexibilidade cognitiva, etc. A neurociência identificou estas etapas onde o cérebro precisa de uma certa estimulação para se desenvolver.

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5. Os neurônios espelho como base do aprendizado

Que as crianças vejam e experimentem o mundo é a base da inquietude que inculca a metodologia Montessori entre os menores. Os neurônios espelho, os quais se localizam no lóbulo frontal, ajudam a absorver a informação do entorno através dos sentidos. Isto foi descoberto por Maria Montessori por meio da observação, e posteriormente confirmado pelas descobertas destes neurônios especializados na imitação.

Como vemos, o método Montessori está obtendo grande comprovação científica e deverá continuar sendo pesquisado de forma exaustiva, já que garante a criação de um universo baseado no afeto e no respeito dos ritmos individuais de cada criança e seu entorno.

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