5 realidades que nos prendem

· setembro 25, 2018

Nós, seres humanos, gostamos de pensar que somos livres. Que nossos gostos, nossas preferências e nossas decisões nascem da ideia do livre arbítrio, o qual nos torna independentes e nos seduz. No entanto, a realidade demonstra que há muitas realidades que nos prendem, que decidem por nós antes que nos demos conta, e que isso é inevitável.

Nós nascemos em um determinado lugar e em uma determinada época. Para fazer parte dessa sociedade na qual viemos ao mundo, temos que adotar as normas que imperam nela. Grande parte dessas normas é adotada por nós sem questionamentos, sem as processarmos de maneira consciente. No processo de adaptação, as assimilamos e incorporamos, tratando-as como “o natural”.

“As cadeias do hábito são, em geral, pouco sólidas para serem sentidas, até que se tornem fortes demais para serem partidas”.
-Samuel Johnson-

Muitas vezes, tais normas são o fruto de uma racionalidade coletiva que busca o bem geral. Outras vezes, não. Nesse sentido, elas se tornam realidades que nos prendem e que seguimos sem parar para pensar se trazem algum benefício. Veja a seguir quais são as cinco mais frequentes.

1. Os sistemas de valores

Os sistemas de valores são um conjunto de ideologias ou princípios morais que indicam o que é certo e o que é errado para uma determinada sociedade. Inclui também um tipo de protótipo do “ser humano ideal”. Por exemplo, alguém que seja trabalhador, inteligente, bonito, etc.

Tais valores são transmitidos desde que nascemos. Essa tarefa é realizada, em primeira instância, pela família e, depois, pelas instituições sociais. Às vezes, pensamos que os valores que prevalecem na nossa sociedade são os únicos ou os melhores, mas nem sempre é assim.

Alguns valores, como a solidariedade, por exemplo, buscam promover sua evolução. Outros, em contrapartida, como a obediência cega, são simplesmente realidades que nos prendem.

As máscaras que usamos no dia a dia

2. As modas, realidades que nos prendem

As modas receberam um poder inusitado, principalmente a partir da segunda metade do século XX. Naturalmente, já existiam há muito tempo, mas foi na época da revolução industrial que se tornaram um fator relevante na vida das pessoas.

As modas são uma forma de respaldar uma identificação com o grupo. Elas nos conferem a sensação de pertencimento e se transformaram em realidades que nos prendem quando são adotadas indiscriminadamente ou, inclusive, contra nossos próprios gostos ou preferências. Também quando são fruto de um desejo de aceitação desmedido.

3. Costumes

Assim como acontece com os valores, há costumes que seguimos desde que nascemos. Eles contribuem para nos integrar em uma sociedade e aceitar suas normas. No entanto, também podem chegar a nos limitar e a criar obstáculos para o nosso desenvolvimento.

Costumes, como os hábitos básicos de higiene, são positivos porque nos ajudam a preservar a saúde. Em contrapartida, costumes como ter que se casar antes dos 15 anos podem não ser benéficos. O importante, em todo caso, é destacar que sempre temos a possibilidade de avaliar esses costumes que seguimos e decidir mantê-los, ou mudá-los, de acordo com o nosso critério.

As realidades que nos prendem

4. Papéis na sociedade

Existem alguns papéis específicos que as pessoas desempenham dentro de um grupo. Em outras palavras, a função que é atribuída pelo grupo a uma pessoa. Há papéis de diferentes tipos e cada um deles é regido por determinados padrões. Espera-se que as pessoas ajam de acordo com o papel que lhes foi atribuído. Por exemplo, na família, pode haver expectativas diferentes para cada um dos filhos.

Os papéis se transformam em realidades que nos prendem quando não estamos conscientes deles e os adotamos de forma passiva. Isso, por exemplo, tem um grande impacto no plano dos papéis de gênero.

Se você simplesmente aceita que deve se comportar de determinada maneira por ser homem ou mulher, sem levar em consideração a lógica que existe nisso, é possível que limite o seu crescimento pessoal.

Sombras de pessoas refletidas na parede

5. Estereótipos

Os estereótipos são esquemas mentais que se aplicam a pessoas ou grupos. Compreendem um conjunto de ideias ou padrões sobre o que significa essa pessoa ou esse grupo. São preconceitos, ou seja, ideias que se aplicam a uma realidade antes de raciocinar sobre sua veracidade ou falsidade.

Os estereótipos nos levam a pensar ou agir de maneira automática, muitas vezes de forma equivocada. Por exemplo, um homem que veste um terno caro também pode parecer importante e confiável. Em contrapartida, uma pessoa desleixada pode parecer perigosa ou indigna. A realidade pode ser o contrário.

Todas essas realidades que nos prendem são filtradas na nossa consciência e determinam, em grande medida, a maneira como enxergamos o mundo. Sempre é positivo repensar tudo que nos foi transmitido para, assim, avaliar se realmente nos traz benefícios ou se, na verdade, nos limita.