A origem do sentimento constante de abandono

outubro 8, 2018

Algumas pessoas sofrem de um sentimento constante de abandono que gera uma grande inquietação, pois sentem que os demais sempre vão deixá-las. Na verdade, elas são muito observadoras. Qualquer palavra ou ação é analisada milimetricamente para confirmar o que tanto temem: “eu sou indiferente para essa pessoa, ela não gosta de mim e não quer ficar ao meu lado”.

Muitas vezes, elas podem se enganar. No entanto, quando entramos em um relacionamento com algum tipo de medo de que a pessoa possa nos abandonar, é possível que isso aconteça. O motivo pelo qual isso acontece é porque o medo é tão forte que essas pessoas estabelecem vínculos de apego excessivo. Esse medo as leva a controlar, manipular e desconfiar do outro. No fim, o relacionamento se desgasta e acaba terminando.

Também é preciso levar em consideração o fato de que os relacionamentos costumam mudar com o tempo. Os amigos que podemos ter agora e as pessoas com quem conversamos frequentemente podem se afastar no futuro. As vidas e os relacionamentos se transformam.

Infelizmente, o sentimento constante de abandono que algumas pessoas sentem as impede de estar conscientes disso. Seu medo de perder os outros as levará a acreditar que qualquer mudança em um relacionamento é negativa.

O apego desenvolvido na infância

Para compreender essas pessoas que têm um sentimento constante de abandono, é necessário prestar atenção na infância delas. Apesar de ser uma fase da qual as pessoas quase não se lembram, ao longo dela se desenvolveu algo muito importante e que marca todas as relações que teremos quando adultos: o vínculo de apego.

“Para ser um adulto independente, certamente deve ter sido um bebê dependente, apegado, cuidado; em poucas palavras, amado”.
-Sue Gerhardt-

O sentimento de vazio e abandono

O apego é o vínculo emocional que todas as crianças desenvolvem com seus cuidadores. São figuras que satisfazem suas necessidades e lhes trazem segurança. De acordo com várias pesquisas, se na idade adulta temos um sentimento constante de abandono, é porque o apego não se desenvolveu de maneira saudável. Portanto, é possível que na infância existissem algumas carências. A seguir, vamos ver algumas das mais frequentes.

Fatores que provocam o sentimento constante de abandono

  • Falta de afeto. Se os cuidadores não abraçam, não dão carinho, não dão afeto físico, a criança vai crescer com falta de carinho. A mesma coisa vai acontecer se a criança nunca ouvir nada agradável. Há inúmeros tipos de demonstrações de afeto que não são apenas físicas e que são necessárias.
  • Cuidadores ausentes. Muitas das pessoas que têm um sentimento constante de abandono têm a sensação de que seus pais não lhes deram tanta atenção. Pode ser que estivessem muito centrados no próprio relacionamento, talvez estivessem simplesmente ausentes ou muito ocupados. A questão é que as crianças vão sentir uma ausência profunda.
  • Modelo nocivo de relacionamento. A interação dos pais é fundamental na hora de construir a ideia de segurança de que não vão nos abandonar. A presença de infidelidade, por exemplo, costuma ser muito prejudicial para a segurança da criança. Nesses casos, é comum que interprete que todas as pessoas são “infiéis” e que sempre vão deixá-la.

O sentimento constante de abandono é um peso muito grande. No entanto, na infância foi um mecanismo de defesa para sobreviver. Em vez de desenvolver um apego seguro, optou-se pelo desenvolvimento de um vínculo inseguro-ambivalente, que estará presente nos relacionamentos na idade adulta.

Dessa forma, a pessoa sempre vai desconfiar e estar alerta frente a qualquer possível mentira. No entanto, ao mesmo tempo, dependerá da outra pessoa para que satisfaça suas necessidades de afeto.

A repetição dos mesmos padrões

Se você se sentiu identificado com a descrição do sentimento constante de abandono, o mais provável é que tenha entrado em relacionamentos nos quais seu parceiro ou sua parceira tenha sido infiel, nos quais a pessoa tenha sido muito apegada aos pais ou que não prestasse muita atenção em você porque sempre estava trabalhando. De maneira inconsciente, pode ser que você esteja repetindo o padrão de abandono que sofreu na infância. A única diferença é que ocorre em outros contextos e com outras pessoas.

Na primeira vez em que descobrimos o impacto que nossa relação com nossos pais teve em nossa vida adulta, pode ser que tenhamos ficado bravos e jogado toda a culpa do que aconteceu conosco neles. No entanto, é necessário lembrar que eles fizeram tudo que puderam na época. Além disso, agora que você cresceu, você é o único responsável por tudo que faz e pelas decisões que toma. Culpar os outros não vai te ajudar. Você deve, em vez disso, trabalhar consigo mesmo.

Homem se sentindo abandonado

A melhor maneira de curar esse tipo de apego excessivo que você aprendeu na infância é desenvolver um trabalho de autoestima. Isso vai permitir satisfazer suas carências para deixar de querer que os outros o façam. Comece a cultivar sua segurança. Isso te ajudará a confiar tanto em si mesmo quanto nos outros. Dessa forma, você poderá desenvolver relações saudáveis.

Tenha em mente que você não pode controlar o que aconteceu com você quando era uma criança. Mas, agora que você cresceu, pode decidir se quer resolver. Para isso, o mais importante é tomar as rédeas dos seus próprios pensamentos. O caminho que leva às relações saudáveis não é fácil, mas vale a pena.