A síndrome de Balint

julho 5, 2019
A síndrome de Balint é um distúrbio causado por lesões bilaterais de ambos os lobos parieto-occipitais. Isto afeta a conexão entre as regiões corticais da visão e as áreas motoras pré-rolândicas, e se caracteriza pela presença de ataxia visual, incapacidade de ver e detectar objetos e desatenção visual.

No início do século XX, em 1909, o médico húngaro Rezső Balint descreveu um quadro clínico que já havia sido observado no final do século XIX, chamado de ataxia óptica. Ele se caracterizava por uma dificuldade de pegar objetos com precisão, porque os olhos e as mãos não se moviam de forma coordenada. Anos mais tarde, esta condição recebeu o nome de síndrome de Balint.

Smith, em 1916, e posteriormente Holmes, em 1918, reinterpretaram este quadro como um defeito na orientação visuoespacial.

Finalmente, Hecaen e Ajuriaguerra, em 1953, definiram o quadro descritivo dessa síndrome, que consiste na paralisia psíquica do olhar, ataxia visuomotora e deficiência visual. Foi então que finalmente recebeu o nome de síndrome de Balint.

Características da síndrome de Balint

A síndrome de Balint é caracterizada por três alterações que constituem uma tríade típica nesse quadro:

  • Incapacidade de ver e pegar objetos.
  • Ataxia visual.
  • Deficiência visual que afeta fundamentalmente a periferia do campo, mesmo quando a atenção a outros estímulos está intacta.

“O nexo insensível que liga as suas imagens, as mais distantes e as mais distintas, é a sua visão”.
– Robert Bresson –

A síndrome de Balint

Causas da síndrome de Balint

É provocada por lesões bilaterais nos lobos parietais ou zonas parieto-occipitais, decorrentes de ferimentos à bala, AVC ou outros traumas.

As áreas mais afetadas são:

  •   O giro angular.
  •   A área dorsolateral do lobo occipital (área 19).
  •   O pré-cúneo (lobo parietal superior).

As revisões recentes de alguns casos enfatizam a lesão do giro angular como crítica para a ocorrência da síndrome de Balint.

Sintomas da síndrome de Balint

As pessoas que sofrem com esta síndrome são incapazes de localizar o estímulo visual, apresentam distúrbios na percepção da profundidade, e têm uma capacidade limitada para mudar a direção do olhar diante de um estímulo.

Quando conseguem, o olhar está desorganizado e não obtém a precisão necessária, nem mantém a fixação adequada.

Uma característica fundamental da doença é a simultagnosia: constrição da atenção visual em um objeto-estímulo com a consequente incapacidade de perceber o espaço visual como um todo.

É uma situação ‘chocante’ porque eles são capazes de ver até os menores detalhes (manchas, pequenos objetos). No entanto, não são capazes de “ver” a globalidade, por isso se comportam como se fossem cegos na maioria das situações.

O que podemos observar?

Podemos observar que alguns pacientes podem seguir o movimento de seus próprios dedos, mas não os do examinador. Da mesma forma, eles podem tocar em pontos específicos do seu próprio corpo, mas não os objetos externos.

A dificuldade para modificar o foco visual impede o início da fixação, que se manifesta com sintomas de deficiência visual.

A dificuldade para localizar o estímulo visual no espaço – que não é organizado quando o estímulo é de outra natureza – provoca a ataxia óptica.

Pessoas andando por passarela

Como a síndrome é avaliada?

A alteração para ver objetos é avaliada pela observação do movimento dos olhos e a sua fixação diante do deslocamento e a parada manual de um estímulo, como uma lanterna ocular.

A alteração para pegar objetos é avaliada colocando vários objetos em diferentes alturas, de diferentes cores e tamanhos, para observar o deslocamento, a dificuldade para alcançá-los e o tempo gasto na execução do exercício.

A ataxia óptica é avaliada através da leitura de um texto, calculando o número de erros, a falta de fluidez devido a interrupções ou a observação dos movimentos sacádicos e a fixação.

A falta de atenção visual pode ser verificada indiretamente, assim como se determina a memória recente diante de vários estímulos visuais ou observando como segue ou não o deslocamento da lanterna. Ou então, diante de uma imagem de estímulos luminosos progressivos.

“A visão é a arte de ver as coisas invisíveis.”
– Jonayhan Swift –

Tratamento

Como a síndrome de Balint aparece após uma lesão cerebral grave, o tratamento para esta doença é tentar recuperar as funções que foram perdidas no acidente. Isso é feito através de sessões de reabilitação.

Na maioria dos casos, a terapia ocupacional é usada como foco principal. Ela pode ser realizada usando os métodos tradicionais ou aplicando novas tecnologias. Tudo depende do caso e da recomendação do médico que acompanha o tratamento.

O objetivo da terapia é reduzir, tanto quanto possível, as dificuldades que os pacientes apresentam. Além disso, aprimorar as suas habilidades para que possam lidar com a situação da melhor maneira possível.

  • Clavagnier, S. (2007). El síndrome de Balint: la visión desorientada. Mente y cerebro. 22.
  • Rodríguez, I.P.; Moreno, R. y Flórez, C. (2000). Alteraciones oculomotoras en el síndrome de Balint: terapia ocupacional asistida por ordenador. Revista motricidad, 6; 29-45. Universidad Complutense de Madrid.