Acatisia: a incapacidade de ficar quieto

13 Outubro, 2020
A acatisia às vezes é confundida com a síndrome das pernas inquietas. Embora ela tenha os mesmos sintomas, sua origem é bem diferente, uma vez que é o efeito colateral de certos medicamentos.

Nervosismo. Incapacidade de ficar parado por muito tempo. Necessidade intensa de sempre estar em movimento. Mal-estar e sensação de vertigem. Ao contrário da crença popular, a acatisia não está relacionada à síndrome das pernas inquietas. Na verdade, a acatisia é uma síndrome causada pelo efeito colateral de vários medicamentos específicos (e frequentemente prescritos).

Muitas vezes, as pessoas se veem obrigadas a tomar determinados medicamentos e tendem a ignorar seus efeitos colaterais. Como resultado, muitas delas experimentam um sintoma específico, o que as leva a ir ao médico, apenas para descobrir que é um efeito colateral de um medicamento que estão tomando.

Como você pode imaginar, sintomas confusos induzidos por drogas estão relacionadas a todos os tipos de doenças. A acatisia é um deles. É uma manifestação adversa, incômoda e incapacitante que é erroneamente diagnosticada como síndrome das pernas inquietas. Essa confusão é tão comum que, muitas vezes, a pessoa acaba recebendo tratamento para esse transtorno neurológico quando não precisa dele.

É claro que esse tratamento acaba não fazendo diferença alguma. Por isso, é importante sempre considerar mais fatores, mais origens que têm como gatilho aquela necessidade incontrolável de se mover.

Acatisia: sintomas, origem e tratamento

Acatisia: sintomas, origem e tratamento

A acatisia é um distúrbio do movimento que impede a pessoa de permanecer imóvel. É uma situação muito mais intensa e problemática do que a síndrome das pernas inquietas. A razão para isso é que a necessidade de se mover não se concentra apenas nas extremidades inferiores, mas afeta todo o corpo. Como você pode imaginar, não ser capaz de parar de se mover pode ser desesperador.

Assim, essa condição surge com sintomas psicológicos, pois à inquietação física se acrescenta a emocional. Por exemplo, a pessoa se sente angustiada por não conseguir ficar parada e adotar uma postura adequada para trabalhar, dirigir ou dormir. Além disso, esse transtorno afeta pessoas de todas as idades; tudo depende do efeito que certos medicamentos têm no corpo.

Há casos de pacientes que, ao serem tratados para aliviar algo tão simples como tonturas e vômitos, vivem situações totalmente surreais, desde passar o dia todo batendo os dedos em superfícies até acabar discutindo com a família ou perder o emprego por não conseguirem se concentrar ou ficar parados sem se mexer.

Sintomas da acatisia

A área responsável pelo estudo desse tipo de alteração é a neurologia. Embora seja verdade que é bastante comum confundir esse transtorno com a síndrome das pernas inquietas, já apontamos que os sintomas da acatisia são muito mais amplos. Estas são as características mais comuns dessa condição:

  • Necessidade constante de andar e se mover.
  • Sensação de formigamento e coceira nas pernas.
  • Balançar do tronco.
  • Bater de dedos constante.
  • Coceira na pele.
  • Estresse e ansiedade.
  • Dificuldade para dormir.
  • Nos casos mais graves, podem ocorrer ataques de pânico.

Qual é a origem?

Como mencionamos no início do artigo, a etiologia desse transtorno do movimento é o efeito colateral de certos medicamentos. A origem quase sempre está nos tratamentos com medicamentos antipsicóticos e também com antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

Da mesma forma, muitos pacientes sofrem de acatisia devido a medicamentos para o tratamento de vômitos e tonturas. Além disso, é comum o aparecimento da acatisia em pacientes com Parkinson, como consequência do próprio tratamento dopaminérgico. No entanto, cabe ressaltar que esse efeito colateral não aparece em todos os pacientes.

Essas manifestações geralmente surgem quando as doses administradas do medicamento são altas. Essa condição é comum em pessoas que tomam antipsicóticos de primeira geração, como o haloperidol, e de segunda geração, como a risperidona.

Como se diagnostica a acatisia?

Como se diagnostica a acatisia?

Em geral, quando um paciente está em tratamento com medicamentos psicotrópicos, o médico já intui que esses sintomas podem ser efeitos dos medicamentos. No entanto, às vezes o paciente pode apresentar reações adversas aos antidepressivos clássicos ou mesmo a comprimidos para tontura e não saber, à primeira vista, qual pode ser a sua origem.

Os critérios diagnósticos que os médicos seguem para determinar a presença ou ausência da acatisia são os seguintes:

  • Análise do histórico médico do paciente.
  • Saber quando os sintomas começaram.
  • Avaliação visual dos movimentos da pessoa (em geral, a acatisia é bem óbvia porque envolve um movimento constante).
  • Além dos sintomas motores, o paciente apresenta muito estresse e ansiedade.

Qual é o tratamento para esse transtorno do movimento?

Ao contrário da síndrome das pernas inquietas, a acatisia tem um bom prognóstico. Reduzir a dose do medicamento ou interromper seu uso costuma ser suficiente. No entanto, o problema é que certos pacientes precisam manter seu tratamento com antipsicóticos em doses elevadas.

Nessa situação, o médico deve avaliar a possibilidade de oferecer outro medicamento com propriedades semelhantes. Assim, basta testar diferentes opções até encontrar a que melhor se adapte às necessidades do paciente.

Para concluir, conhecer esse tipo de distúrbio e alteração nos leva a um fato óbvio. Em muitas ocasiões, o bem-estar e a saúde de uma pessoa dependem de medicamentos. No entanto, nada é tão perigoso quanto a automedicação. É fundamental ter sempre um bom acompanhamento médico e não ignorar o surgimento de possíveis efeitos adversos.

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