Antipsicóticos: funcionamento e tipos

· maio 15, 2019
Os antipsicóticos típicos e atípicos tratam os sintomas da esquizofrenia. Saiba como eles atuam e conheça seus efeitos colaterais.

Os antipsicóticos são psicofármacos disponíveis apenas sob prescrição médica. Eles estão autorizados para tratar problemas de saúde mental cuja sintomatologia inclui sintomas psicóticos, como os que aparecem na esquizofrenia, no transtorno esquizoafetivo, em algumas formas de transtorno bipolar ou na depressão severa.

Alguns antipsicóticos também podem ser utilizados ​​para tratar a ansiedade severa (mas apenas em doses muito baixas), assim como problemas físicos, dificuldades de equilíbrio, náuseas e agitação. Os antipsicóticos, no entanto, não são recomendados para os sintomas psicóticos da demência.

Os fármacos antipsicóticos também podem ser chamados de neurolépticos. Algumas pessoas preferem este termo por seu significado, “dominar os nervos”, uma descrição que reflete sua ação com mais precisão.

Qual é a ciência por trás dos antipsicóticos?

Existem várias explicações possíveis que fundamentam a potencial eficácia dos fármacos antipsicóticos:

  • Bloqueio da ação da dopamina: sabe-se que a maioria dos fármacos antipsicóticos bloqueia alguns dos receptores de dopamina no cérebro. Isso reduz o fluxo de mensagens que podem ser anormalmente frequentes nos estados psicóticos.
  • Alteração de outras substâncias químicas do cérebro: a maioria dos antipsicóticos também afeta outras substâncias químicas do cérebro, como os neurotransmissores serotonina e noradrenalina, envolvidos na regulação do humor.
Qual é a ciência por trás dos antipsicóticos?

Vias dopaminérgicas envolvidas na esquizofrenia

O principal neurotransmissor envolvido na esquizofrenia é a dopamina. Pelo menos é o que é defendido pela hipótese dopaminérgica da esquizofrenia, uma das mais difundidas. A dopamina exerce suas funções a nível cerebral através de diferentes vias:

  • Via dopaminérgica mesolímbica: se projeta a partir da área tegmental ventral no tronco cerebral até o núcleo accumbens no estriado ventral. A hiperatividade nesta via origina delírios e alucinações.
  • Via mesocortical: distingue-se entre a via que vai para o córtex pré-frontal dorsolateral e a que vai para o córtex pré-frontal ventromedial. A primeira está envolvida nos sintomas negativos e cognitivos da esquizofrenia, cuja expressão se deve a uma hipoatividade dessa via. A segunda controla os sintomas negativos e emocionais. Mais uma vez, esses sintomas seriam decorrentes de uma hipoatividade dessa via.

Outras vias dopaminérgicas:

  • Via dopaminérgica nigroestriatal: esta via faz parte do sistema nervoso extrapiramidal. Uma deficiência de dopamina nessa via pode levar à doença de Parkinson, enquanto um excesso pode causar movimentos hipercinéticos.
  • Via tuberoinfundibular: regula a liberação de prolactina, cuja secreção é inibida pela dopamina.

Principais tipos de antipsicóticos

Os antipsicóticos são classificados em duas categorias clássicas: antipsicóticos de primeira geração (mais antigos) e antipsicóticos de segunda geração (mais recentes). Ambos os tipos podem ser potencialmente eficazes, mas diferem no tipo de efeitos colaterais que podem causar.

A principal diferença entre estas duas categorias é que os antipsicóticos de primeira geração bloqueiam a dopamina, enquanto os antipsicóticos de segunda geração atuam sobre os níveis de serotonina.

Algumas pesquisas sugerem que determinados medicamentos de segunda geração têm efeitos menos pronunciados em termos de movimentos corporais do que aqueles causados ​​pelos fármacos de primeira geração.

Antipsicóticos de primeira geração

Desenvolvidos pela primeira vez na década de 1950. Às vezes chamado de ‘típicos’, eles são divididos em vários grupos químicos diferentes. Atuam de forma muito similar entre eles e a maioria é de uso oral, embora existam injeções de liberação prolongada.

Eles podem causar efeitos colaterais que, em síntese, constituem sintomas extrapiramidais. Por exemplo:

  • Sonolência.
  • Agitação.
  • Boca seca.
  • Constipação.
  • Distúrbios visuais.
  • Bloqueio emocional.
  • Secreção mamária.
  • Ausência de menstruação (amenorreia).
  • Rigidez ou espasmos musculares.

Alguns destes antipsicóticos típicos são: Clorpromazina (comercialmente conhecido como Largactil), Flupentixol (Fluanxol), Flufenazina (Modecate), Haloperidol (Haldol), Loxapina (Loxapac), Perfenazina (Trilafon), Pimozida (Orap), Trifluoperazina (Stelazine), Tiotixeno (Navane) e Zuclopentixol (Clopixol).

Principais tipos de antipsicóticos

Antipsicóticos de segunda geração (mais recentes)

Em geral, opta-se pela utilização de antipsicóticos de segunda geração ou ‘atípicos’, desenvolvidos pela primeira vez na década de 1990, pois costumam causar efeitos colaterais neuromusculares menos graves que os antipsicóticos de primeira geração.

Além disso, alguns também causam menos efeitos colaterais sexuais em comparação com os antipsicóticos mais antigos. No entanto, os de segunda geração têm uma maior probabilidade de causar efeitos colaterais metabólicos, incluindo um rápido ganho de peso.

O Clozapina é o único medicamento aprovado pelo FDA para tratar a esquizofrenia, que é resistente a outros tratamentos. Também é indicado para diminuir os pensamentos relacionados a comportamentos suicidas em pessoas com esquizofrenia.

Entre os medicamentos desta categoria estão: Risperidona (Risperdal), Quetiapina (Seroquel), Olanzapina (Zyprexa), Ziprasidona (Zeldox), Paliperidona (Invega), Aripiprazol (Abilify) e Clozapina (Clozaril). O Clozapina é um pouco diferente dos outros medicamentos.

Estes antipsicóticos de segunda geração às vezes são utilizados para tratar transtornos de ansiedade e do humor, como o transtorno bipolar, o transtorno de estresse pós-traumático e o transtorno obsessivo-compulsivo, embora não tenham sido aprovados oficialmente para tal uso.

Quais apresentam mais efeitos colaterais?

Com exceção do Clozapina, os dois grupos de fármacos são igualmente eficazes. A escolha do tipo de antipsicótico geralmente é feita com base nos efeitos colaterais.

Uma vantagem dos neurolépticos atípicos é que eles não contribuem para o bloqueio dopaminérgico na via mesolímbica, o que implica um benefício clínico. Além disso, aumentam a secreção de dopamina nas vias nigroestriatal e mesocortical. Como resultado, diminuem os efeitos extrapiramidais e os sintomas negativos devido ao bloqueio dopaminérgico.

Como a maioria dos testes foi realizada em comparação com o Haloperidol e com doses relativamente altas, existem dúvidas sobre esta possível vantagem. Além disso, causa outros efeitos colaterais com uma frequência semelhante.

Considerou-se que os antipsicóticos atípicos poderiam ser mais eficazes que os convencionais no tratamento de sintomas afetivos ou de sintomas negativos (empobrecimento do pensamento e do comportamento da pessoa).

O Clozapina associa-se à uma alta incidência de efeitos anticolinérgicos, similares aos do Clorpromazina, além da agranulocitose. Com os outros antipsicóticos atípicos, a incidência destes problemas não é superior a do Haloperidol.

Os efeitos anticolinérgicos, sedativos, hipotensores e de ganho de peso são frequentes com todos os antipsicóticos atípicos. Também acontece com o risco de hiperglicemia que parece ser superior, especialmente com o Clozapina e o Olanzapina.

A frequência de alguns efeitos adversos pode ser diferente entre cada um dos antipsicóticos atípicos. No entanto, a falta de estudos de comparação direta entre eles não permite tirar conclusões concretas.