Aceitar o passar dos anos

Aceitar o passar dos anos
Gema Sánchez Cuevas

Escrito e verificado por a psicóloga Gema Sánchez Cuevas.

Última atualização: 11 fevereiro, 2016

Cada etapa da nossa vida está marcada por diferentes aspectos evolutivos, como são a inocência da infância, a espontaneidade da juventude e a maturidade do adulto. No entanto, quando a vida nos aproxima da velhice, às vezes não encontramos aspectos que nos ajudam a valorizar, aceitar e desfrutar dessa etapa final da vida.

A velhice é marcada por uma deterioração física e mental que, às vezes, não aceitamos, gerando conflitos e dificuldades de adaptação às novas circunstâncias vitais. Mas, ainda assim, é preciso tentar desfrutar de cada uma das nossas etapas que surgem com o passar dos anos, sem nos esquecermos desta última.

“Todos nós desejamos chegar à velhice e todos negamos que chegamos”

– Quevedo-

As etapas evolutivas

Como dizíamos, cada  etapa evolutiva  tem suas próprias características, as quais costumamos aceitar sem muitos conflitos emocionais. Pelo menos, nenhum além dos próprios necessários para crescer. E é importante refletir sobre o fato de que chegar a cada etapa da vida supõe que, necessariamente, tenhamos vivido a anterior.

Trata-se, então, de que que é preciso  aprender a valorizar que nunca deixamos de ser crianças, nem jovens nem adultos, mas sim que cada etapa e seus aprendizados nos acompanharão durante toda a nossa existência, sendo uma bagagem para o caminho que temos para percorrer.

“A maturidade do homem é ter recuperado a serenidade com a qual brincava quando era criança”.

– Frederich Nietzsche-

Mulher e filho representando o passar dos anos

Passar de etapa com o passar dos anos

Poderíamos imaginar que nos especializamos em uma profissão qualificada e, por isso, vamos passando por diferentes tipos de formação e experiência, assim como pelo desempenho prático da profissão, próprio do nível que vamos adquirindo.

É assim também, como passamos de etapa em etapa, pela vida, nos especializando cada vez mais, obtendo mais sabedoria e, consequentemente, modificando nossas tarefas e desenvolvimento de atividades em função da idade.

Poderíamos dizer que, quanto mais experiência, mais o trabalho se torna leve, calmo, descansado… deixando, assim, caminho para aqueles que começam sua formação na vida, e que se dedicam ao trabalho mais árduo e difícil, necessário para aprender e obter o grau de especialista, como seus antecessores mais velhos já obtiveram.

“Envelhecer é como escalar uma grande montanha; enquanto subimos, as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a vista é mais ampla e serena”

– Ingmar Bergman –

Fazer aniversário é símbolo de sabedoria

Sem dúvida, fazer aniversário adiciona experiências e aprendizados à vida, levando-nos a ter uma sabedoria que só é própria das pessoas mais velhas de nossa sociedade. E esta sabedoria é, por sua vez, um tesouro para os mais jovens, aqueles que começam a viver a vida sem experiências e necessitados de apoio e conselho.

Por isso, fazer aniversário, em qualquer etapa que seja, sempre foi e continuará sendo um apoio de experiência e educação para as pessoas com menos idade que estão ao nosso redor.

Aceitar o envelhecimento

Biologicamente começamos a envelhecer a partir dos 22 anos. Nossas células já não continuarão crescendo e se desenvolvendo, senão que começam a se deteriorar, o que notaremos com o passar dos anos, já que se trata de uma evolução lenta, e depende muito do trato e dos cuidados que damos a nós mesmos.

Isso significa que passamos mais da metade da vida envelhecendo, o que é o mesmo que amadurecendo, aprendendo com as etapas anteriores e com os objetivos superados ou fracassados. Se aceitarmos isto, descobriremos que nossa biologia nos prepara em cada etapa para o que precisamos nela. E sem dúvidas, a atividade da infância não é necessária na idade adulta, e a capacidade de trabalho não é necessária na velhice.

“As árvores mais velhas dão os frutos mais doces”

– Provérbio alemão –

Mulher idosa representando o passar dos anos

O que significa, exatamente, aceitar o passar dos anos?

Poderíamos dizer que fazer aniversário nos permite viver a vida de outra forma. Cada ano é um amadurecimento, maiores aprendizados assimilados, projeções diferentes do futuro e novos objetivos. E, certamente, isso é o que temos que ir aceitando.

Talvez tenha sido fácil aceitar que, sendo adultos, não iríamos manter a inocência, a brincadeira e a falta de responsabilidade de uma criança e, também, temos que aceitar que, na velhice, já não é necessário trabalhar como antes, manter as mesmas atividades que antes, continuar no mesmo ritmo de antes.

O que podemos esperar da velhice?

Como dizíamos, a sabedoria é o aspecto fundamental da velhice, e quando o corpo pede repouso, descanso e cuidados, o mais adequado é dar isso tudo a ele. E se nossa mente não está tão desperta nem tão ativa, significa que não podemos esperar de nós mesmos o mesmo que esperávamos em etapas anteriores.

Aceitar o passar dos anos supõe continuar exercitando nossa atividade mental e física, na medida de nossas possibilidades, sem grandes desafios, salvo o de nos mantermos em um maior bem-estar e com a melhor saúde possível, desfrutando de cada momento presente.

Aceitar o passar dos anos supõe dar espaço para as gerações que vêm, permitindo a ajuda de outros em cuidar ou nos proteger. Como fizemos um tempo atrás, aceitando as limitações de um corpo e uma mente sábios, que desejam por natureza transmitir e expressar seus conhecimentos, para que outras pessoas possam se utilizar deles.

Aceitar o passar dos anos dos mais velhos é agradecer pela sua sabedoria, escutá-los, cuidá-los e respeitá-los, para aprender de sua experiência e com ela, sendo capaz de viver mais feliz e melhor a cada dia.

Créditos das imagens:  Kim Dong-Hoon, Raquel Díaz Reguera. Heather Barron


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