Sabedoria também é praticar o “desapego”

· janeiro 31, 2016

E você, coloca em prática o desapego todo dia? Falado assim certamente pode causar certa estranheza e inclusive certa contradição.

O desapego não é uma atitude nascida em uma personalidade egoísta que procura apenas valorizar a si mesma, quebrando o vínculo com tudo aquilo que o rodeia. De forma alguma.

O desapego é uma necessidade vital e parte do nosso crescimento pessoal. É preciso deixar de valorizar relacionamentos que são prejudiciais, libertar-se dos excessos, das dependências. É viver em sinceridade consigo mesmo e com seu equilíbrio emocional.

Está claro que nunca iremos praticar o desapego com aquilo que é importante para nós e que, por sua vez, nos traz uma série de contribuições positivas, capazes de nos enriquecer, de nos tornar pessoas melhores.

Contudo, se realizarmos um pequeno exercício de reflexão, veremos que ao nosso redor flutuam muitas dimensões, situações e pessoas que nos colocam a sua âncora nos afundando cada dia um pouco mais.

E é preciso ter cuidado, porque às vezes podemos estar responsabilizando outras pessoas pela nossa infelicidade, mas também é preciso praticar o desapego de certas atitudes próprias, como algum pensamento limitante, medos e inclusive inseguranças.

Falemos disto agora, convidando você, como sempre, a refletir conosco.

O desapego como técnica de conhecimento pessoal

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Podem nos vender o desapego, podem nos falar dele com letras maiúsculas e inclusive grifá-lo com cores chamativas. Contudo, sabemos que não é fácil praticá-lo nem realizá-lo de forma tão rápida.

Praticar o desapego requer ser consciente de tudo aquilo que não enriquece as nossas vidas. Muito bem, mas… Como então quebrar esse vínculo nutrido no passado por tantas e tantas emoções, sonhos e esperanças?

Com coragem. Nesta vida nada parece surgir com a serenidade de uma brisa fresca de verão, é como se precisássemos de tempestades para aprender, para sermos conscientes de que, às vezes, não é mais corajoso quem mais suporta, e sim quem se atreve a dar o passo… e deixa ir embora.

O desapego é, antes de mais nada, uma técnica que permite conhecer a nós mesmos para estabelecer limites e viver em equilíbrio.

Tome nota dos seguintes pontos com os quais você poderá se aprofundar um pouco neste aspecto básico para o seu crescimento pessoal.

1. Você é o protagonista da sua própria vida e o único responsável

Existem pessoas que vivem dependendo do que os outros dizem, fazem ou deixam de fazer para serem felizes. Às vezes até um gesto pode ser interpretado como indiferença, desagrado ou inclusive repulsa.

Estamos falando, por exemplo, desses casais que centralizam toda a sua existência e universo particular na outra pessoa, quase de forma obsessiva, gerando uma dependência onde frases como as seguintes costumam ser bastante comuns:

“Sem você eu não sou nada, se você não está ao meu lado é como se tudo me faltasse, como se a vida não tivesse nenhum sentido…”

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Não se pode negar que nos relacionamentos afetivos sempre existe uma “certa” dependência: gostamos da outra pessoa e portanto o vínculo é forte e intenso.

Entretanto, essa dependência não deve consumir a nossa própria identidade, nem permitir que a felicidade esteja sempre guardada no bolso da outra pessoa.

  • Você é o protagonista da sua própria vida, as pessoas que você escolher devem complementá-lo para enriquecê-lo, não para anulá-lo.
  • Pratique o desapego da dependência absoluta dos outros Ninguém irá respirar por você, ninguém tem a obrigação de preencher os seus vazios a cada dia, ou de aliviar os seus medos.

Seja o artífice da sua própria vida, e da sua própria riqueza interior como pessoa. Dessa forma, você criará vínculos mais íntegros e maduros com aqueles que o rodeiam.

2. Assuma a realidade

Existem pessoas que não querem enxergar. Existem pessoas, que por exemplo, não aceitam que seus filhos precisam aprender a ser independentes, responsáveis e autônomos.

Dizer a uma mãe que ela precisa praticar um “desapego saudável” e progressivo com seus filhos não é fácil de fazer entender.

Neste caso, o que procuraríamos fazer é com que seja assumida uma realidade clara: que todo filho precisa da confiança dos pais na hora de tomar decisões, de dar certos passos. É praticar o desapego em relação à dependência, ao “medo obsessivo que algo lhe aconteça, que erre…”

O desapego também precisa de uma dose de realidade, como descobrir em si mesmo certas crenças limitantes, ou inclusive obsessões que, longe de libertar, nos amarram a dimensões quase obsessivas.

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3. Você é livre, e você também deve promover a liberdade dos outros

Quero uma liberdade sem amarras, em que todos possamos nos encontrar para aprender, para desfrutar e enriquecer com nossos próprios mundos, afeições e particularidades.

Quero um dia a dia em que possa desfrutar do presente sem manter apegos obsessivos com os erros do passado, os fracassos ou a perdas. Assumo as minhas perdas, as entendo e as aceito para crescer e poder avançar em liberdade.

Quero confiar em mim mesmo e nas minhas possibilidades para conseguir alcançar meus sonhos, permitindo que, por sua vez, você alcance os seus. Porque eu não sou ninguém para lhe cortar as asas, nem você pode colocar cadeados nos meus desejos…

Cortesia imagem: Mila Marquis, Claudia Tremblay.