Afonia histérica: conheça seus sintomas e possíveis tratamentos

· abril 9, 2019
A afonia histérica é uma forma rara de disfonia funcional. A característica principal é que começa de maneira inesperada e costuma desaparecer sem tratamento. É mais comum em mulheres jovens e pode existir como antecedente a um conflito pessoal, por vezes sem identificação.

A afonia histérica ocorre por medo de falar ou cantar, um trauma psíquico, a persistência de uma alteração vocal, o fracasso de tratamentos prolongados, o bloqueio afetivo, o desejo inconsciente de chamar a atenção. Em resumo, são muitas as origens em relação a uma ideia comum: a pessoa que a apresenta acha que não consegue falar. É mais comum em mulheres e pessoas jovens.

A afonia histérica tem um início brusco, pode apresentar fala sussurrada e não provoca nenhum tipo de dor. No exame físico, a faringe está arrefléxica e a laringe, estruturalmente normal, mas as cordas vocais não se movem de forma correta. Se o médico pede para a pessoa produzir algum som, observa-se uma adução tênue sem contato dos aritenoides e uma abdução no momento da passagem do sopro respiratório. A mobilidade das cordas é boa em situação de riso e de tosse.

Afonia histérica

Da afonia histérica à afonia de conversão

Você apresenta ou já apresentou algum desses sintomas?

  • Problemas de coordenação e equilíbrio.
  • Paralisia ou fraqueza muscular localizada.
  • Afonia.
  • Alucinações.
  • Dificuldade para engolir.
  • Sensação de nó na garganta.
  • Retenção de urina.
  • Perda de sensibilidade do tato e da dor.
  • Visão duplicada.
  • Cegueira.
  • Surdez.

Já teve alguma crise ou convulsão?  Os sintomas aparecem quando você começa a sentir muita ansiedade ou algum outro tipo de mal-estar? Você sofre de alguma doença neurológica ou de algum outro tipo? Esses sintomas estão afetando a sua vida em geral ou alguma parte específica?

Embora o termo conversão (termo que descreve o que anteriormente se chamava histeria) continue sendo utilizado desde a Idade Média, foi com Sigmund Freud que se tornou popular. Ele pensava que os conflitos inconscientes se convertiam em sintomas físicos.

O transtorno de conversão foi um diagnóstico especialmente popular no final do século XIX. Refere-se aos sintomas que afetam o comportamento e que se assemelham a uma doença neurológica, mas que não são causados por nenhuma doença física conhecida – causa orgânica – nem podem ser explicados por ela.

 “Alma, o que você tem, gritando à sua maneira e sem voz? Os caminhos da vida não levam aonde vou”.
-Alfonso Reyes Ochoa –

Breve descrição do transtorno

O transtorno de conversão produz uma sintomatologia que afeta especialmente as funções motoras ou sensoriais, o que pode nos fazer pensar que, no fundo, existe uma alteração orgânica que constitui a causa de tais alterações, como pode ser um transtorno neurológico. Por outro lado, embora não seja assim ou não se consiga encontrar provas de que seja assim, os sintomas não ocorrem intencionalmente, nem são simulados. São sentidos de verdade.

Os sintomas de conversão são, em parte, o produto das ideias que a pessoa tem do que é a doença. Também pode ser que requeira cuidados médicos. No início ou no progresso dos sintomas estão envolvidos fatores psicológicos. Isso pode ocorrer devido a conflitos ou a outros acontecimentos estressantes vividos.

Por vezes, esse transtorno pode se manter graças aos ganhos diretos (diminui a ansiedade que o conflito psicológico gera), e aos indiretos (não ter que ir trabalhar, não enfrentar determinadas responsabilidades, receber mais atenção, etc.) que se pode obter.

Sintomas detectados

  • Sintomas ou déficits motores: alterações da coordenação e do equilíbrio, paralisia ou fraqueza muscular localizada, afonia, dificuldade para engolir alimentos ou bebidas, sensação de nó na garganta, retenção de urina.
  • Sintomas e déficits sensoriais: perda de sensibilidade do tato e da dor, visão duplicada, cegueira, surdez, alucinações, crises ou convulsões.
Mulher com problema na garganta

O transtorno de conversão se inicia geralmente nos últimos anos da adolescência e nos primeiros da idade adulta; é muito raro seu aparecimento antes dos 10 anos ou depois dos 35, e costuma ter início repentino. Em pacientes hospitalizados, os sintomas costumam desaparecer em 2 semanas aproximadamente.

As recaídas costumam ocorrer, sobretudo, durante o primeiro ano, e a presença de apenas uma recaída é um bom indicador do aparecimento de mais episódios no futuro. Os sintomas como tremores e convulsões indicam uma pior evolução do transtorno.

 “Cultivei minha histeria com prazer e terror”.
-Charles Baudelaire –

Fatores de risco

Os fatores de risco para desenvolver o transtorno podem ser:

  • Estresse significativo recente ou trauma emocional.
  • Ser mulher; as mulheres têm mais probabilidade de desenvolver o transtorno.
  • Ter um transtorno mental, como ansiedade, transtorno dissociativo ou transtornos de personalidade.
  • Ter uma doença neurológica que provoca sintomas similares, como a epilepsia.
  • Algum membro da família ter o transtorno de conversão.
  • Um histórico de abuso físico ou sexual na infância.

Tratamento da afonia histérica

O primordial no tratamento da afonia histérica é eliminar ou diminuir a origem do estresse ou, por outro lado, trabalhar com os acontecimentos traumáticos que a pessoa tenha vivido para, assim, reduzir seu nível de tensão.

Também será necessário eliminar os ganhos secundários ou os benefícios que a pessoa possa estar obtendo com esse comportamento, mesmo que não esteja plenamente consciente disso.

Por vezes, a sintomatologia desaparece automaticamente, durando desde dias até semanas. No entanto, existe uma série de recursos e intervenções que podem ser positivos. Estes são:

  • Explicação da doença.
  • Psicoterapia.
  • Terapia ocupacional.
  • Tratamento de outros possíveis transtornos presentes, como a depressão ou a ansiedade.
  • Halligan PW, Bass C, Wade DT (2000). New approaches to conversion hysteria. BMJ 320 (7248): 1488–9. PMC 1118088. PMID 10834873.
  • Laplanche, Jean; Pontalis, Jean-Bertrand (1996). Diccionario de Psicoanálisis. traducción Fernando Gimeno Cervantes. Barcelona: Paidós. p. 173.
  • Roelofs K, Hoogduin KA, Keijsers GP, Näring GW, Moene FC, Sandijck P (2002). Hypnotic susceptibility in patients with conversion disorder. J Abnorm Psychol 111 (2): 390–5. PMID 12003460.
  • Nicholson TR, Kanaan RA (2009). Conversion disorder. Psychiatry 8 (5): 164. doi:10.1016/j.mppsy.2009.03.001.