Os altos e baixos emocionais são normais durante a quarentena

maio 22, 2020
Os altos e baixos emocionais durante a quarentena são uma realidade psicológica completamente normal. Devemos entender que, nas atuais circunstâncias, é impossível estar bem 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os altos e baixos emocionais são comuns e recorrentes durante a quarentena. Muitas pessoas experimentam variações em seu estado de ânimo ao longo do dia: da motivação ao desânimo, da calma à angústia que revira o estômago e perturba os pensamentos. No entanto, isso é perfeitamente normal.

Não devemos alimentar isso na nossa mente, nos perguntando se estamos sofrendo de transtorno bipolar. Essa condição psicológica vai muito além dessas mudanças emocionais.

O que está acontecendo, em termos gerais, é que estamos expostos a uma situação desconhecida, a um cenário imprevisto no qual o cérebro, o corpo e as emoções estão reagindo. Tudo isso está dentro da normalidade.

No entanto, esse contexto não é novo para algumas pessoas. Os astronautas sabem bem o que é o confinamento. E também os presidiários que passam meses e anos em uma instituição penitenciária.

Além disso, há crianças com doenças imunológicas que têm que passar boa parte do tempo em casa, e não podemos esquecer dos pesquisadores que passam meses em estações fechadas na Antártida.

Lawrence Palinkas, da Universidade do Sul da Califórnia, é um dos especialistas que pesquisa esse assunto. Seus estudos sobre a adaptação psicossocial em ambientes extremos oferecem dados relevantes para entender o que estamos experimentando agora.

O confinamento tem um alto impacto psicológico, especialmente após 15 ou 20 dias. É nesse momento que mais sofremos com os altos e baixos emocionais. Vejamos mais sobre isso a seguir.

Mulher triste durante a quarentena

Por que temos altos e baixos emocionais durante a quarentena?

Podemos nos levantar desanimados. Assim que abrimos os olhos para um novo dia, experimentamos uma desorientação temporária, por alguns segundos não sabemos em que dia estamos, mas logo lembramos da nossa realidade: a pandemia, o confinamento, o isolamento físico e social e a incerteza a respeito de quando nossa vida retornará à normalidade.

Durante o café da manhã, costumamos ter a primeira troca de mensagens com familiares e amigos. Pensamos no que vamos fazer hoje e isso nos injeta um pouco de energia e motivação.

Com o passar do tempo, e sem saber o porquê, aparece uma névoa que obscurece e embaça tudo. O ânimo se desvanece e a tristeza distorce tudo. Pensamos: “Por que isso está acontecendo comigo? Será que estou desenvolvendo algum problema mental?

Analisemos alguns aspectos para entender o motivo desses altos e baixos emocionais durante a quarentena.

Mesmo querendo, não estaremos bem o tempo todo

Não importa que tenhamos rotinas estimulantes. Nem que sejamos pessoas otimistas que sempre têm palavras de incentivo para si e para os outros.

Todos nós vamos viver momentos de tristeza nessas circunstâncias. Experimentarmos essa sensação em algum momento do dia também é normal.

É ilusório tentar estar bem 24 horas por dia, 7 dias por semana. Portanto, embora possa parecer um pouco desanimador, teremos que conviver com nossas emoções negativas por um tempo. Elas serão como colegas inconvenientes ​​que nos visitarão de tempos em tempos e que teremos de aceitar e entender.

Não devemos tentar forçar o surgimento de outras emoções; todas elas têm o seu objetivo

Quando nos sentirmos tristes ou frustrados, não devemos evitar esses sentimentos ou ficar obcecados em querer afastá-los para tentar ser feliz. O mundo emocional não funciona dessa maneira. Os altos e baixos emocionais também são uma válvula de escape para o cérebro. Esse órgão social precisa da rotina diária de antes.

Ao perceber uma mudança tão drástica, faz-se presente um sistema de alerta que se traduz em estresse e medo, emoções reguladas pela nossa amígdala cerebral. Portanto, quando surgem esses estados de ânimo, é impossível substituí-los por outros.

Precisamos aceitá-los e, acima de tudo, atribuir a eles um sentido através de pensamentos como: “Me sentir assim é normal, já que estou vivendo uma situação nova e inesperada. Tudo que tenho a fazer é impedir que essa emoção negativa assuma o controle. Eu a aceito, a entendo e a deixo ir.

Homem ouvindo música

Procure “canais” para a calma mental

Todas as pessoas estão experimentando altos e baixos emocionais durante o confinamento. Crianças, adultos e idosos. No entanto, existem perfis muito mais vulneráveis ​​a isso.

Qualquer pessoa que tenha passado por uma depressão ou sofra de outro tipo de distúrbio psicológico ou problema de saúde mental terá mais dificuldade para regular essas variações.

É importante, portanto, contar com apoio psicológico, médico e social, que exista uma rede de apoio tanto próxima quanto remota para fornecer ajuda a essas pessoas. Deixando de lado essas situações específicas, em muitos casos, como apontamos, os altos e baixos emocionais são completamente normais e podemos controlá-los.

Uma maneira ideal envolve o seguinte:

  • Devemos entender que, além das “emoções negativas e positivas” ou de “estar certo ou errado”, a chave é saber o que fazer com essas emoções. É claro que não podemos estar bem e ser 100% produtivos, mas podemos estar em calma.
  • Uma maneira de conseguir isso é através de canais que geram uma conexão adequada com nós mesmos. Trata-se, metaforicamente falando, de ter os pés no chão, a mente focada e o coração em equilíbrio.
  • Assim, atividades que nos ajudam a desabafar emoções, como conversar com a família ou amigos, são sempre úteis. Além disso, dedicar tempo às tarefas criativas que nos relaxam, como cozinhar, pintar, modelar e escrever, também pode ajudar. 

Não é hora de ser produtivo, é hora de cuidar de nós mesmos estando no modo de sobrevivência. Conseguir isso requer a compreensão de uma ampla gama de emoções que podem nos visitar ao longo do dia. Fazer isso nos permitirá passar por essa experiência com sucesso.

  • Palinkas. L Effects of Prolongea Isolation in Extreme Environments on Stress, Coping, and Depression. Journal of applied social psychology Volume 25, Issue 7 April 1995. Pages 557-576 https://doi.org/10.1111/j.1559-1816.1995.tb01599.x