As amizades também caducam – A mente é maravilhosa

As amizades também caducam

31, agosto 2015 em Emoções 16 Compartilhados
amizades

Não, não é sempre fácil. Deixar alguém ir exige coragem. Porque deixar alguém ir é deixar ir uma parte de você, uma parte que pode nunca mais voltar… E pior, algumas pessoas ficam tão dentro de seu ser que, quando partem, você não é mais o mesmo…

Nem todas as amizades são para sempre, algumas caducam. Nem mesmo o amor se livra de uma data de validade. E não se enganem, não há nada permanente, os relacionamentos não são eternos e nós temos que deixá-los ir.

Uma vez que é muito difícil dizer adeus, estas despedidas tornam-se grandes fontes de sofrimento para nós. Nem mesmo a passagem do tempo nos torna imunes às despedidas, especialmente quando sabemos que não há como voltar atrás.

Depois de algum tempo, poucos amigos ainda ocupam o mesmo cargo de confiança em nossos corações e, apenas metade dos nossos amigos que temos hoje permanecerão conosco depois de sete anos. Na verdade, é normal que isso aconteça. Relacionamentos podem esfriar se não houver sentimentos compartilhados, com o conflito que uma separação anunciada e inevitável provoca ou, simplesmente, porque cada vida toma um rumo diferente.

Quando isso acontece, o mais difícil não é deixar as pessoas, mas deixar que elas levem uma parte de você que sempre as acompanhou. Essa é a coisa mais difícil de se enfrentar, mesmo nos momentos em que a relação parece causar mais danos e sofrimentos do que alegria e entusiasmo pela vida.

O importante é deixar ir no momento certo, no momento em que você souber que não há garantias de melhoria, e que seguir da forma que está não seria bom para ninguém. Este é o seu momento de tornar as coisas melhores.

Não deixe que suas memórias se tornem injúrias, é aí que tudo se rompe e o que unia vocês não existe mais. Vocês, então, deixam de caminhar juntos pela estrada da vida. Deixar ir é a melhor demonstração de amor próprio que você poderia dar.

Existem amizades que nem deveriam ser chamadas dessa forma, e isso tem uma explicação. Dizem que os amigos são a família que escolhemos, mas apesar de soar estranho, temos que nos contentar com o que podemos ficar. Não temos nem o tempo nem as informações necessárias para encontrar nosso companheiro ideal, por isso faz sentido que, por vezes, nos enganemos.

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Também pode acontecer de depositarmos toda a nossa confiança e nos abrirmos totalmente com alguém, e sermos enganados. Pode ser que essas transgressões nos afastem da pessoa, e é normal, ninguém quer alguém tóxico e não confiável em sua vida.

De qualquer maneira, as relações são feitas de fases, e as fases estão sempre mudando, para melhor e para pior. Se você aceitar as regras do jogo irá avançar, se não aceitar, vai se manter estagnado. Mesmo que você tenha muita afeição por uma pessoa, ela pode já não existir mais, pelo menos não do mesmo jeito que você a conheceu. Assim como você, os outros mudam e evoluem; nós não somos os mesmos de um ano para outro.

Estes são os sinais que fazem você sentir que algo está fora do prazo de validade. Você pode ignorar o iogurte que está vencido em sua geladeira, pode até querer consumi-lo por alguns dias, mas em algum momento você vai ter que jogá-lo fora e comprar um novo pote.

Isso não é culpa de ninguém; as amizades caducam e é isso, você tem que saber aceitar. Mesmo que vende seus olhos, você ainda sentirá que o gosto do iogurte não é mais o mesmo. Se você ignorar isso e continuar a comê-lo, ficará doente. O preço a pagar é muito alto.

As lembranças são bonitas se permanecem no passado, que é o lugar delas, e se não vivemos baseando nossas vidas nelas. São ótimas enquanto não nos obrigam a manter costumes que já não queremos e nos fazem viver em uma reciprocidade constante e indesejada.

As relações são sim transformadas. É provável que já não tenhamos os mesmos valores, aspirações e projetos de alguns anos atrás. É normal que doa e seja difícil se livrar de algo que faz parte de você, mas assim como você, seus relacionamentos mudam. Para melhor ou pior, é apenas uma questão de aceitar isto ou não.

Imagem cortesia de Larissa Kulik