Afinal, o amor acaba? A difícil tarefa de decidir amar

O amor acaba? A difícil tarefa de decidir amar

Rafaela Félix Março 22, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
O amor acaba? A difícil tarefa de decidir amar

Há quem diga que o amor, quando é verdadeiro, nunca acaba. Mas como explicar as mudanças no sentimento pelo outro, como explicar a perda do interesse, da paixão, da admiração, do desejo de estar junto?

Quando se trata do amor, não existe definição única e concreta para explicá-lo. O que é amor para você? É muito provável que esta pergunta seja respondida de diversas maneiras por diferentes pessoas. Cada qual avalia e entende o amor conforme suas necessidades, expectativas e padrões referentes a crenças e história de vida.

Existem dois modelos de amor. O amor-romântico, “endeusado”, como aqueles contos de que “viveram felizes para sempre”. É a paixão em si, intensa, repleta de momentos bons. E há o amor como escolha, como uma decisão de amar alguém, de partilhar com esta pessoa, de separá-la em meio a tantas outras paixões.

amor pode chegar ao fim

Escolhas não são fáceis, quando se trata do amor então… Eis a dificuldade de amar alguém. Vivemos em um mundo de liquidez; superficialidade e inconstância fazem parte dele. Como amar alguém por decisão, e não só paixão, nesta vulnerabilidade toda? É o que tem acontecido.

Muitas pessoas com dificuldade de amar verdadeiramente, de conseguirem fazer a escolha do amor, de confiarem, se entregarem; seja pelas expectativas frustradas, pelo medo deste amor não ser correspondido ou pelo simples fato de quererem permanecer neste amor-paixão, tão mais fácil nos dias atuais.

O amor-paixão é lindo de se viver, com certeza, é aquela coisa louca da atração, da vontade de estar junto, do pensamento conectado 24 horas à pessoa amada, a sensação de borboletas na barriga, o encantamento pelo outro, as qualidades quase que se vestem como sol, reluzentes, brilham quase que a todo tempo, há poucos momentos nublados, de chuva.

Entretanto, na mesma intensidade que este sentimento ocorre, ele acaba. É como se existisse um tempo determinado para a paixão. Alguns estudiosos apontam que ela pode durar até dois anos, para mais ou para menos. E quando ela acaba? O que fazer? Alguns acreditam que o amor acabou, partem para um novo amor-paixão, e o vínculo do amor-decisão vai sendo postergado a cada dia mais. Outros decidem amar, é como se existisse uma conexão entre o “momento certo e a pessoa amada.”

Este amor concreto, por ser uma decisão, se torna muito mais responsabilidade minha do que do outro. E isto pode incomodar para muitos. O conto de fadas não é tão perfeito assim na vida real.

Precisamos quebrar este estigma de que o amor é o amor-romântico apenas. Se não, realmente, quando o período da paixão passar, a impressão é de que o amor acabou. Quando você escolhe amar alguém, você esta dizendo para si mesmo: eu decidi compartilhar minha vida com esta pessoa para fazê-la feliz, amá-la mesmo em dias nublados e chuvosos, eu conheço suas qualidades, mas também conheço suas dificuldades, e escolhi amá-la mesmo assim.

fim do amor

As expectativas não são mais somente em se aventurar em momentos lindos e se deliciar nas suas necessidades atendidas, mas atender as necessidades do outro também. Este amor é compartilhado, é cooperativo, é construído em meio a sorrisos e lágrimas. Ele passa por fases, estações de plantar, florir, colher, secar, cultivar novamente.

É possível que, durante estas estações, o cultivo se dissipe. Este é o momento em que muitos repensam: o amor acabou?

A decisão de amar foi se tornando um fardo, por diversas situações da vida. A terra que se plantou não estava tão bem cuidada, ou as flores secaram, ou ainda desejavam colher outros frutos, diferentes do que plantaram. A resposta de se o amor acabou ou não cabe a cada um. Há quem compreenda que as estações vividas chegaram ao fim; outros descobrem que ainda há novas possibilidades de cultivo.

Rafaela Félix

Psicóloga clínica, CRP: 06/119392, terapeuta de família e casal, acompanhante terapêutica, palestrante, mediadora e integrante da Oficina de Pais no Cejusc de Araçatuba. https://www.facebook.com/psicologarafaelafelix/

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