Amor e afeto: qual a diferença?

Que diferenças existem entre amor e afeto? Qual é o papel que as nossas expectativas quanto à intensidade emocional ou à proximidade do outro desempenham em um relacionamento? Neste artigo, leitor curioso, vamos te contar tudo sobre o assunto.
Amor e afeto: qual a diferença?

Última atualização: 15 maio, 2022

Nos relacionamentos amorosos, os sentimentos têm uma grande influência sobre a sua estabilidade. “É que eu não o amo mais”, “não sinto mais o mesmo por ele”, “não me faz sentir como antes”, “não me ama”; essas são algumas expressões que podemos ouvir. Mas o que é amar? O que é gostar? Qual é a diferença entre amor e afeto?

As pessoas em um relacionamento amoroso podem seguir caminhos diferentes, em parte por causa do que cada um sente pelo outro. Quando você ama alguém, suas decisões não têm as mesmas implicações que teriam se você apenas sentisse simpatia, atração ou afeto. Você se casaria com uma pessoa pela qual você só sente afeto? Você daria sua vida por alguém que não ama?

O amor

As pessoas geralmente confundem atração ou afeto, quando se manifestam de forma intensa, com amor. Por outro lado, muitos associam o amor à intensidade emocional que pode existir durante os primeiros momentos de um relacionamento. Ainda que essa intensidade possa não se originar no amor genuíno, mas sim na dependência ou carência.

A associação entre amor e intensidade emocional com que muitas pessoas operam praticamente as condena à constante insatisfação. Então, se o amor não corresponde necessariamente a emoções intensas, o que ele é?

Trata-se de um padrão comportamental, cognitivo e atitudinal de ser e estar no mundo com a outra pessoa, e de permitir que essa outra pessoa seja e esteja no mundo assim como ela é. Em essência, conforme diria Erich Fromm, é liberdade.

“O amor é a preocupação ativa com a vida e o crescimento do que amamos.”

-Erich Fromm-

Amor é cuidado (estar atento e interessado no bem-estar do outro), responsabilidade (responder às necessidades da pessoa amada), respeito (ver a pessoa como ela é em sua individualidade), conhecer (aceitar o mundo interior do outro, a fim de conhecê-lo). Nos relacionamentos amorosos, o amor é a interação sinérgica entre conexão, respeito, confiança e atração.

casal se abraçando
O amor é autotranscendência, enquanto no afeto o eu não transcende.

O afeto

É um sentimento, é a expressão de um afeto que se sente por outra pessoa. Está relacionado ao desejo inerente de estar junto com alguém, de não querer perder ou se separar dessa pessoa. Afeto também implica cuidar do outro. Nele, emergem emoções agradáveis em relação à pessoa querida.

O afeto pode ser mais ou menos intenso e se expressa por meio de carícias, abraços, gestos e palavras. Trata-se de ter carinho, respeito e cuidado com a outra pessoa. Quando há afeto, as emoções são mais explícitas, a alegria e o prazer de estar com aquela pessoa são mais perceptíveis.

O afeto está relacionado à afeição, ao “gostar”. A conotação de gostar implica um desejo de possuir ou ter aquilo do que se gosta. Assim, embora exista uma manifestação amorosa no afeto, há também um desejo de possuir o outro – não necessariamente para dominá-lo -, de tê-lo para si.

Diferenças entre amor e afeto

Amor e afeto não são dois pólos opostos, mas sim duas condições complementares. Se você olhar para o que dissemos sobre o afeto, você poderá perceber facilmente que, no amor, também é possível encontrar uma manifestação do afeto: abraços, carícias, beijos…

A linha que separa os dois é difícil de enxergar, pois eles geralmente estão entrelaçados. A seguir, vamos revisar algumas diferenças notáveis entre eles.

1. Transcendência

O amor vai além do que sentimos e das fronteiras do eu. O amor é autotranscendência, ou seja, é um convite a sair de si mesmo, buscando encontrar o objeto desse amor. Nesse contexto, a outra pessoa é valiosa, mas, ao mesmo tempo, importante.

O afeto não transcende; o eu não perde seu lugar de privilégio.

2. Dar e receber

O amor é uma entrega, é dar, é estar com o coração aberto. O afeto gira em torno de receber o que é dado, ou seja, “eu te dou, esperando receber”.

O amor dá e se entrega sem esperar nada em troca, sem esperar ser correspondido. Porém, tenha cuidado com isso, pois o amor não implica que você deva suportar qualquer sofrimento que o outro cause. Lembre-se de que o amor é uma moeda com duas faces: o amor-próprio e o amor pelos outros.

3. Liberdade e posse

Amor é liberdade. Nele, não há lugar para posse ou dominação. Não há espaço para comportamentos que submetam o outro aos próprios caprichos, pois nele há um respeito genuíno pela liberdade.

Tendências possessivas e dominadoras são mais comuns no afeto, embora nem sempre seja assim, é claro.

4. Emoção

Embora existam emoções subjacentes no amor, elas não são o seu eixo central. O amor está acima das emoções e não se reduz a elas. Ao contrário, o afeto é uma manifestação afetiva em que se expressam, por meio de gestos, palavras e ações, o que se sente pelo outro. No amor, também há uma expressão desse tipo, mas não se trata apenas disso.

5. O vínculo

O vínculo que existe no amor é mais profundo do que no afeto. No entanto, embora haja um vínculo forte, não há dependência, pois o amor também é amor por si mesmo. Lembre-se de que o amor é liberdade em essência, por isso uma dependência patológica é uma distorção.

6. Confiança

No amor, há confiança na outra pessoa, não há dúvidas. Quando o amor é recíproco, não há espaço para a desconfiança, pois se sabe de antemão que a outra pessoa não faria nada que pudesse prejudicar ou ferir intencionalmente.

No afeto, há espaço para a desconfiança na relação, pois não há fundamentos sólidos na virtude, como ocorre no amor.

casal conversando
A confiança é um dos pilares mais importantes do amor, enquanto não precisa ser dessa forma no afeto.

7. Intimidade, paixão e compromisso

No amor verdadeiro, tanto a intimidade quanto a paixão e o compromisso estão presentes. No afeto, por outro lado, há uma tendência mais perceptível à paixão, ou seja, ao desejo intenso de estar em união com a outra pessoa, não havendo necessariamente um compromisso de longo prazo com a relação e seu desenvolvimento.

Para finalizar, podemos dizer que o amor é mais amplo, profundo e transcendente que o afeto. O último pode muito bem ser uma parte do primeiro. O amor implica não apenas simpatia, mas também uma série de atitudes e comportamentos que buscam o bem-estar do outro, ao mesmo tempo em que a pessoa se mostra honesta e vulnerável.

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  • Fromm, E. (2014). El arte de amar (8ª ed.). Grupo planeta.