A importância do amor próprio na escolha do companheiro amoroso

· fevereiro 8, 2019

Sabemos que não podemos amar outras pessoas se antes não amarmos a nós mesmos. Afinal, como o nosso amor próprio influencia a escolha do companheiro amoroso?

Para amar a si mesmo é preciso se conhecer muito bem. Isso implica entender a nossa história de vida, aprender com ela e, o mais difícil, aceitá-la. Além disso, é importante considerar que os nossos níveis de autoconhecimento e autoestima são fundamentais para a escolha do companheiro amoroso.

Por mais conscientes que sejamos das vantagens de gostar tanto de nós mesmos quanto de outras pessoas, não aprendemos a fazer isso sem realizar um trabalho pessoal e sem observar exemplos e modelos que nos permitam reconhecer diferentes formas de vinculação afetiva. Segundo as pesquisas realizadas pelo neurologista, psiquiatra e escritor Boris Cyrulnik, devemos observar diferentes pessoas e estilos afetivos ao longo da vida para isso.

“Amar a si mesmo de maneira realista e saudável é um dos principais requisitos da saúde, em toda a extensão do termo, e o melhor caminho para expressar e comunicar o afeto às pessoas que amamos”.
– Walter Riso –

Tipos de casais

Desde os primeiros anos de nossas vidas, aprendemos a nos relacionar com os outros. Em primeiro lugar, nos relacionamos com nossos pais e o resto da família. Eles são o primeiro exemplo de vínculo afetivo. Desde o primeiro minuto, observamos e aprendemos como eles nos tratam e como se relacionam entre si.

Pouco a pouco, vamos ampliando o nosso círculo social. À medida que crescemos, vamos conhecendo mais pessoas até que, finalmente, fazemos a nossa primeira escolha do companheiro amoroso, e com ela, se inicia nosso primeiro relacionamento de casal.

Casal apaixonado de mãos dadas

Boris Cyrulnik afirma que nossa infância determinará o vínculo afetivo que estabeleceremos com os nossos companheiros amorosos. A partir da sua perspectiva, existem diferentes tipos de casais que podemos resumir em três principais: o casal em que ambos se apoiam mutuamente, o casal em que um prejudica o outro, e o casal no qual ambos se prejudicam.

O casal formado por duas pessoas que se apoiam mutuamente dura mais e tem uma melhor qualidade de vida, tanto em conjunto quanto separadamente. Além disso, este intercâmbio de apoio contribui de maneira positiva para a saúde de cada um, melhorando o seu equilíbrio emocional e o seu senso de humor. É a única forma de relacionamento que merece ser fortalecida.

Os outros tipos de casais, nos quais os maus-tratos estão presentes de forma unidirecional ou bidirecional, devem ser transformados de alguma maneira, seja através da mudança das atitudes negativas, como a busca de um novo significado que estabeleça as bases de uma relação mais saudável. Se não for possível, o recomendável é pensar se não é melhor abandonar a relação.

Por outro lado, é importante mencionar que, às vezes, para sair de uma relação precisamos sentir segurança e, para isso, buscamos outras pessoas como apoio. No entanto, isso pode levar à busca de um novo companheiro antes do tempo, de maneira que não haverá um aprendizado profundo sobre o que foi vivido e, possivelmente, serão cometidos novamente os mesmos erros nesta nova relação.

Nós somos seres completos

A escolha do companheiro amoroso se realiza de forma inconsciente, tomando como base tudo que foi aprendido ao longo da nossa história, mas de acordo com o momento pessoal no qual estamos. Se não nos esforçarmos para melhorar e conhecer a nós mesmos, não seremos capazes de escolher um companheiro adequado, que nos permita viver uma relação de apoio mútuo.

Um companheiro não pode cobrir completamente todas as nossas necessidades. Por isso, manter esta ideia e esperar que isso aconteça é só uma utopia, uma fonte de frustrações constantes. No entanto, as pessoas precisam se relacionar com outros seres humanos e ter relações de diferentes tipos que sejam enriquecedoras.

Uma das crenças mais perigosas que temos sobre as relações é a ideia de não nos considerarmos seres completos. Este pensamento nos levou a um conceito errôneo sobre o amor, tratando-o como uma emoção que pode tudo. Assim, ao aceitar essa visão, deixamos de ser realistas e ver as limitações que todo amor saudável tem. Deste modo, fazemos uma escolha do companheiro amoroso que pode acabar se transformando em um vínculo sustentado pela dependência e pelo medo.

Casal apaixonado

Diferença entre sofrimento e amor

Nossas crenças e formas de agir não estão determinadas apenas pelo que observamos em nosso entorno imediato. A verdade é que também estamos expostos a uma grande quantidade de estereótipos sociais: modelos rígidos aos quais pensamos que o mundo se adapta.

Os meios de comunicação têm um grande peso sobre as nossas condutas através dos estereótipos que eles reforçam. A televisão, o cinema, a música e a literatura oferecem muita informação. No entanto, devemos prestar atenção e avaliar se esta informação está correta. Nos livros e filmes mais populares encontramos a defesa da mesma ideia: o amor e o sofrimento andam de mãos dadas.

Aparentemente, quando mais os membros de um casal discutem, quanto pior eles se tratam, quanto mais impossível é o seu amor e mais oposição encontram, mais se amam. Deste modo, acabamos escutando e expressando, desde pequenos, frases como “ele briga com você porque gosta de você” ou “quem te quer bem vai te fazer chorar”.

Assim, sonhamos viver amores impossíveis ou secretos, aqueles em que se prioriza a intensidade antes da qualidade. O que nós esquecemos é que tudo isso pode nos levar a uma escolha do companheiro amoroso baseada em fantasias românticas mais do que na realidade e nas necessidades cotidianas.

Além disso, todas estas ideias nos fazem adquirir um papel determinado dentro do casal e, em geral, nas relações sentimentais. Um papel aprendido que pode estar oprimindo o nosso verdadeiro “eu”, nossos verdadeiros pensamentos, sentimentos e desejos. Romper com as ideias preconcebidas, reconstruir esse papel para o qual parece que estamos programados não é fácil, mas é possível.

Ser feliz consigo mesmo

Os conceitos sociais errados sobre uma relação (não só amorosa, mas também em qualquer outro âmbito, como a amizade) podem nos levar a uma péssima escolha de companheiro e à dependência emocional. Nesta situação, esquecemos o nosso direito de ser pessoas com identidade própria e independência.

Neste sentido, para fortalecer o nosso “sistema imuno-emocional”, é necessário conhecer e amar a nós mesmos para escolher com sabedoria o companheiro que faça crescer a nossa felicidade. Além disso, como passo prévio, antes de tentar encontrar a felicidade com o outro é recomendável que já a tenhamos encontrado em solidão.

“Devemos aprender a desfrutar da companhia da única pessoa que, com certeza, vai nos acompanhar pelo resto das nossas vidas: nós mesmos”.

A maturidade na escolha do companheiro amoroso

Por último, é importante considerar que os membros de um casal devem se respeitar e ser capazes de escolher estar juntos a partir da liberdade, e não por necessidade ou dependência. A partir dessa nova ótica, não estaremos em uma relação porque precisamos estar com alguém para preencher o vazio que sentimos com o amor de outra pessoa. Construiremos uma relação de casal porque, apesar de podermos estar sozinhos, preferimos estar com o outro.

Casal de mãos dadas

A escolha do companheiro amoroso realizada com o coração, levando em consideração as nossas necessidades e desejos, tornará possível uma relação de apoio mútuo. Conseguir este tipo de dinâmica depende de ambos os membros do casal.