Amores que continuam em nossa memória

junho 29, 2015

Alguma vez você já se perguntou por que se lembra mais de algum amor que de outro? Já se passaram muitos anos, e ainda assim você se lembra daquele primeiro beijo, da primeira vez que deram as mãos, e sente até uma sensação de calor. Estamos acostumados com o que os poetas escrevem sobre o tema.

No entanto, existe alguma explicação cientifica para isso? A ciência nos explica que o amor se deve mais à neurobiologia do que ao árduo trabalho do cupido.

O que é o amor?

Todos já estivemos apaixonados em um momento ou outro. Nesse estado, experimentamos uma sensação de bem estar e prazer e até acreditamos que nada pode dar errado e que temos todas as chances de ganhar. Finalmente encontramos essa pessoa que nos encanta e nos leva a novas experiências…

A partir de várias pesquisas, descobriu-se que estar apaixonado ativa a parte do cérebro que libera dopamina. A dopamina é um neurotransmissor que provoca a sensação de prazer. Ela também aumenta o nível de um hormônio chamado de noradrenalina que, por sua vez, provoca efeitos no corpo, aumentando o ritmo cardíaco e a pressão arterial.

Quando estamos apaixonados o nível de serotonina, o neurotransmissor que nos preserva da sensação de instabilidade, se reduz. Assim, precisamos nos agarrar mais firmemente a aqueles elementos que fazem com que nos sintamos estáveis, ou seja, a pessoa amada. Mas que outras coisas provocam esses efeitos? As drogas! Estar apaixonado é como ter um vício. Somos dependentes dessa sensação de bem estar que sentimos!

O amor e outros demônios

Dicas para esquecer amores passados

Vários pesquisadores observaram imagens do cérebro em ação. Ao sentirmos um grande amor pela primeira vez, cria-se no cérebro uma lembrança muito detalhada que não se apaga tão facilmente. Esse fenômeno é conhecido como “efeito primário”.

Estas lembranças ficam cobertas por sensações emocionais e psicológicas. Isto é tão sério, que mesmo muitos anos depois, quando você lembrar do primeiro beijo, sentirá essa sensação de calor e leve alegria que teve nesse momento.

A neurobiologia descobriu que os eventos repletos de uma grande carga emocional são fixados na memória com maior intensidade. Para que isto aconteça, participam duas estruturas essenciais do cérebro:  o hipocampo e a amígdala.

O neurobiólogo Antoine Bechara diz que quando uma relação termina, ocorre uma contradição no cérebro; por um lado a relação terminou, mas por outro o cérebro continua produzindo descargas corporais e imagens relacionadas a essa relação amorosa. Ele chama isto de “conflito cerebral”.

Quando terminamos uma relação acreditamos que, ao finalizar o luto e encontrar outra pessoa, terá fim o nexo afetivo. Contudo, muitas vezes nos pegamos ouvindo uma música e automaticamente voltando a aquele amor do passado. Por que isso acontece?

A amígdala e o hipocampo continuam realizando descargas frente a estímulos que os ativam. Isso se chama “marcador somático”:  certas situações e eventos que disparam sinais químicos no nosso corpo. Isto não se aplica somente ao amor, mas também a todas as emoções, medo, angústia, alegria, etc.

Pílulas para esquecer amores passados

A pesquisa e a ciência não têm limites. De fato, já existem linhas que defendem que, se podemos desconstruir o amor dessa forma, também poderiam existir “pílulas para esquecer”. Se o amor tem a ver com neurotransmissores e hormônios, então ele pode ser inibido com as substâncias adequadas.

O que você acha disso? Haverá esse momento? No futuro, será possível nos desligarmos de nossas lembranças amorosas? 

Imagem cortesia de Africa Studio