Ansiedade de separação nos relacionamentos

16 Outubro, 2020
Existem pessoas que não podem se separar de seu parceiro nem por um dia. Esse nível de apego é tão intenso e distorcido que, no caso de uma separação, os efeitos podem ser emocionalmente devastadores.

Toda separação causa dor e sofrimento, em maior ou menor grau. Algumas deixam sequelas e outras podem ser vividas de maneira bastante patológica. É o que acontece com as pessoas que basearam os seus relacionamentos na dependência emocional absoluta, já que nesses casos é comum sofrer o que conhecemos como ansiedade de separação.

Até recentemente, falar sobre o transtorno de ansiedade de separação significava focar exclusivamente na infância. Ele ocorre em crianças que experimentam muito sofrimento quando estão afastadas de seus cuidadores. Acontecimentos como ir à escola, ver os pais saírem para o trabalho ou mesmo dormir sozinhos geram uma grande ansiedade e angústia.

Em famílias com padrão de criação baseado na hiperproteção, por exemplo, esse tipo de manifestação pode ser visto com frequência. Agora, esse medo, esse desespero de estar separado de suas figuras de apego, também pode aparecer após a infância e a adolescência. Muitos adultos experimentam sintomas verdadeiramente devastadores quando veem seu relacionamento emocional ruir.

Ansiedade excessiva, medos, sintomas psicossomáticos, problemas de insônia, preocupação constante… São estados de grande desamparo que requerem uma abordagem psicológica muito particular. Vejamos em detalhes.

Mulher sofrendo de ansiedade

Ansiedade de separação nos relacionamentos: sintomas, origem, estratégias

Quando você ama o seu parceiro, até o simples fato de ficar separado por alguns dias dói. Porém, há quem vivencie a relação de forma mais intensa e até traumática.

Os psicólogos evolucionistas apontam que o vínculo do casal acabou tendo a mesma importância que aquele construído entre pai-filho/mãe-filho. Na verdade, até os mesmos neuroquímicos estão presentes: oxitocina, vasopressina, dopamina…

Lisa Diamond, psicóloga social da Universidade de Utah, explicou em uma pesquisa que, na realidade, existem muitas semelhanças entre os relacionamentos filiais e de um casal. Precisamos da proximidade daquela figura amada; atendemos, cuidamos, nos preocupamos e buscamos o seu bem-estar. No entanto, às vezes esse apego pode deixar de ser saudável para se tornar claramente obsessivo.

Tanto é verdade que podem surgir situações muito problemáticas a nível emocional. Muitas vezes, surge um transtorno de ansiedade de separação, causado sobretudo por um cérebro que processa essa experiência como uma ameaça, como algo traumático. A produção de cortisol é imensa e desencadeia uma gama muito ampla de sintomas físicos e psicológicos.

O que exatamente é a ansiedade de separação nos relacionamentos?

Em muitos casos, não estamos diante de uma simples situação de ansiedade. Quando ela é mantida ao longo do tempo e acompanhada por uma série de características muito específicas, nos encontramos diante de um transtorno de ansiedade de separação ou angústia de separação.

Essas condições estão incluídas no grupo de transtornos de ansiedade do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V).

As manifestações associadas são as seguintes:

  • Ansiedade e estresse elevados.
  • Tentativas repetidas de recuperar o contato e o relacionamento.
  • Recusa em aceitar o fim do relacionamento.
  • Grande sofrimento emocional e incapacidade de ter um luto normal pelo fim desse relacionamento.
  • Dificuldade para adormecer.
  • Impossibilidade de recuperar a normalidade do seu dia a dia, a ponto de não ir trabalhar.
  • Alterações na alimentação (ou comem em excesso ou deixam de ter fome).
  • Doenças psicossomáticas: distúrbios digestivos, dores de estômago, de cabeça…

Qual é a origem?

Existem pessoas que lidam melhor com o fim de uma relação. Outras demoram um pouco mais para superar, e uma pequena parte fica presa em um estado debilitante e patológico.

É o caso das pessoas que sofrem de ansiedade de separação, homens e mulheres que costumam ter gatilhos muito específicos. São os seguintes:

  • Eles têm uma personalidade dependente, ou seja, baseiam qualquer relacionamento em um apego excessivo e desmedido em relação à outra pessoa. Assim, nos casos mais extremos, já estaríamos falando de um transtorno de personalidade dependente, um comportamento definido por uma necessidade excessiva de ser cuidado. Essa necessidade os leva a situações de elevada submissão.
  • Em alguns casos, também podemos encontrar alguém com transtorno de personalidade limítrofe. São casos em que a maior preocupação é ser abandonado, sendo esse medo patológico a origem dos problemas e desentendimentos. A ruptura é vivida de uma forma muito traumática.
  • Por outro lado, não podemos ignorar aquelas pessoas que, desde a infância, desenvolveram um vínculo de apego ansioso. Esses laços são definidos por inquietação, insegurança, necessidade de posse e codependência.
Jovem com sintomas de ansiedade

Como ela pode ser tratada?

A abordagem terapêutica para lidar com a ansiedade de separação vai depender da particularidade de cada caso. Uma pessoa com problemas de apego reage de forma diferente de alguém com transtorno de personalidade limítrofe. No entanto, na maioria dos casos, a terapia cognitivo-comportamental será útil por vários motivos:

  • É preciso ajudar a pessoa a adquirir habilidades de enfrentamento para dominar a ansiedade.
  • Favorecer o gerenciamento do luto devido ao fim da relação.
  • Capacitar em habilidades emocionais, relacionais e de autoestima.
  • Vários aspectos devem ser trabalhados para evitar a construção de vínculos por meio da dependência emocional.

Para concluir, embora seja verdade que uma separação nunca é fácil, é importante não chegar a esses extremos. Assumir uma atitude passiva e deixar que a tristeza e o espelho retrovisor das memórias nos devorem é a pior opção. Não hesite em buscar ajuda especializada se for necessário.

  • Pacheco, B. y Ventura, T. Trastorno de ansiedad por separación. Revista Chilena de Pediatría. 2009, 80 (2) pp. 109-119.
  • Semerari, A. y Dimaggio, G. (2011) Los trastornos de la personalidad: modelos y tratamiento. Ed. Desclée de Brouwer.
  • Wallin D.J. (2015) El apego en psicoterapia. Ed. Desclée de Brouwer.