Se você aprender a pedir melhor, conseguirá mais!

Se você aprender a pedir melhor, conseguirá mais!

Fevereiro 25, 2017 em Psicologia 800 Compartilhados
Se você aprender a pedir melhor, conseguirá mais!

Antes de soprar as velas, faça um desejo. Este é um exemplo paradoxal em que pedimos ao outro para fazer um pedido. Neste caso a chama que queima na parte superior do pavio é como um símbolo da magia realizadora de desejos. Mais comuns são as nossas solicitações diárias, que vão desde o “me passa o pão” a “hoje você pega as crianças porque eu não posso”.

Uma das cenas mais populares da infância é aquela na qual os pais ensinam a criança a dizer “por favor” e a responder com um “obrigado” quando a solicitação é satisfeita. Mas isso já fazemos em uma idade muito mais cedo do que a que marca essa cena, quando apontamos o dedo para a garrafa de água ou brinquedo que está fora do alcance do nosso engatinhar.

Assim, este artigo é dedicado a uma atividade que faz parte da nossa vida cotidiana, que está presente em todas as áreas, sobre a qual nos ensinam explicitamente quando somos pequenos… mas que normalmente fazemos errado. Assim, a consequência mais imediata de um mau pedido costuma ser não conseguir aquilo que queríamos, e ainda que seja apenas por esta razão, vale a pena aprender a pedir.

pedir-em-casamento

O que nós queremos como resposta a um pedido é uma promessa. Uma promessa que detém o compromisso de que alguém vai fazer alguma coisa que desejamos. Na verdade, a maioria dos pedidos deixam de ser formulados no momento em que obtemos uma resposta, não o que pretendíamos.

Por outro lado, um pedido expressa uma necessidade e, por conseguinte, indica uma vulnerabilidade. Por isso, muitas pessoas se abstém na hora de fazer pedidos. Elas não querem descobrir os pontos considerados mais fracos nos quais precisariam de ajuda. No entanto, elas preferem tentar sair da situação por si mesmas antes de pedir ajuda para alguém.

Além disso, há fenômenos muito curiosos que podem facilitar a aceitação de um pedido. Um deles é conhecido como “pé na porta”. As pessoas usam essa estratégia para tentar fazer com que a outra pessoa responda ‘sim’ a um pedido que, se feito diretamente, seria negado. Para isso, primeiro fazem um pequeno pedido, em seguida um maior, e assim vão subindo gradativamente até atingirem o pedido em que, no fundo, estavam interessados.

Hoje nós vamos estar fora, poderia vir ao meio dia e dar uma olhada para ver se tudo está em ordem?

-Claro!

-Já que você vai, se importaria em ficar um tempinho com o cachorro?

-Uffff….ok

Outra forma na qual somos mais receptivos a aceitar um pedido baseia-se em um procedimento inverso. Desta vez, o pedidor habilidoso começa fazendo um pedido de algo que sabe que o outro não concederá, para em seguida fazer um pedido muito menos exigente que, basicamente, é o que lhe interessa.

-Esfregue a cozinha e limpe a poeira do seu quarto antes de sair.

-Não posso, não tenho tempo.

-Bom, pelo menos passeie com o cachorro antes de sair.

-Uffff….ok.

Finalmente, antes de passar a definir os quatro elementos que emolduram um pedido, temos que diferenciá-lo da reclamação. Muitas pessoas tentam fazer um pedido através de uma queixa. Por exemplo, em vez de pedir ao seu patrão para conseguir uma cadeira melhorar para trabalhar, o que eles fazem é reclamar abertamente de que não a possuem.

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Um dos motivos mais comuns para usar a queixa em vez do pedido é que o primeiro não nos faz sentir vulneráveis (existe a possibilidade de que o destinatário da solicitação/reclamação nos rotule como fracos). Outra das circunstâncias nas quais usamos a queixa em vez do pedido é quando pensamos que o pedido não será satisfeito e a reclamação é então a expressão final do sentimento de mal-estar.

4 passos para aprender a pedir

Vamos com eles! Em primeiro lugar, trata-se de colocar um sujeito no pedido. O mais poderoso e eficaz é “eu”, muito longe do impessoal (“Seria bom que você melhorasse as cadeiras do escritório”). Dessa forma, a pessoa que se compromete sabe com quem trava ou não a promessa, e a própria pessoa atua como evocativa da memória da mesma. Por outro lado, é mais fácil dizer não a alguém indefinido do que a uma pessoa em particular.

Em segundo lugar, o pedido deve ter um receptor, longe do “Alguém poderia me passar essa cadeira? Alguém poderia me mudar para o turno da amanhã?” Melhor “Pedro, poderia me passar essa cadeira?”. Desta forma estaremos nos dirigindo diretamente a alguém concreto que já não poderá esquivar-se do nosso pedido por não ter sido mencionado. Esse aspecto também é importante nas demandas no trabalho: é melhor descobrir quem irá tomar uma decisão sobre o nosso pedido e dirigir o pedido especificamente a essa pessoa do que fazê-lo à empresa.

labirinto-cerebro

Em terceiro lugar, pedir tem que ter um tempo de satisfação. Isso acontece muito quando enviamos alguns e-mails em que alguma demanda está incluída. Será mais eficaz se especificamos para quando precisamos da tarefa. Além disso, particularmente para este meio convém deixar claro que esperamos uma resposta.

Em quarto lugar, o pedido ganha forças quando é concreto. É muito diferente dizer “Eu quero que você se comporte” do que “Eu quero que fique em silêncio durante a cerimônia e quando terminar pode ir cumprimentar os seus primos.” Com o primeiro pedido a criança pode intuir que é para se comportar bem, mas pode não saber exatamente como fazê-lo, porque o contexto é novo para ela. Com o segundo tipo de pedido fica muito claro o que queremos que ela faça. Isto aplica-se à educação, mas também aos adultos e em qualquer área.

Como dizíamos no começo, pedimos todos os dias, mas não somos bons nisso. De fato, muitos dos pedidos que fazemos são difusos e sem foco, em parte porque por trás deles se encontram diferentes medos (medo da rejeição, medo de pedir demais, medo de incomodar, medo de dever um favor…) e em parte porque mais além do “por favor” e do “obrigado” ninguém nos ensinou a fazer isso bem. Espero que este artigo possa lhe dar uma mão com esse assunto!

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