As armadilhas do ego que impedem o nosso crescimento pessoal

· fevereiro 12, 2019

As armadilhas do ego impedem a nossa felicidade porque esta essência do nosso ser nunca está satisfeita, nos anestesia com suas demandas, seus medos e suas artimanhas, nos leva a um apego insano, até nos colocar em uma eterna zona de conforto onde nada acontece. Devemos ser capazes de gerenciar o ego para favorecer a nossa liberdade.

Quando tratamos desta dimensão psicológica, muitas vezes nos perdemos em suas definições. Sigmund Freud definiu o ego como a entidade obrigada a negociar quase que diariamente com os impulsos e padrões sociais. É também a estrutura que pode ser racionalizada e equilibrada através do trabalho pessoal.

No entanto, se nos concentrarmos em pontos de vista orientais, ou definidos pela espiritualidade, como o enunciado por Eckhart Tolle, a coisa muda ligeiramente. Neste último caso, o ego é um tipo de autoconsciência insana e imantada pelo egoísmo. É a força interior que devemos saber controlar, educar e dirigir.

Desse modo, seja como for, tanto desde o ponto de vista freudiano quanto a partir do defendido pelas filosofias orientais, existe um eixo comum no qual podemos nos basear. É aquele que fala da necessidade de educá-lo, de modificar os seus estímulos, e retirar essa camada pouco saudável para fazer dela algo mais sintonizado com o crescimento pessoal.

Conhecer as armadilhas do ego é, sem dúvida, fundamental para termos consciência de muitas das suas dinâmicas. Vamos vê-las a seguir.

“Seu ego pode se tornar um obstáculo para o seu trabalho. Se você começa acreditando na sua grandeza, é a morte da sua criatividade”.
– Marina Abramovic –

Cuidado com as armadilhas do ego

As armadilhas do ego

O segredo do bem-estar, aquele que proporciona a realização do indivíduo e um sentido verdadeiro de felicidade, está no equilíbrio. Por isso, há quem se aventure a dizer que, para conseguir isso, não há nada melhor do que colocar o ego em uma “dieta”.

Deveríamos fazer com ele a mesma coisa que nós fazemos com a nossa alimentação. Com frequência nós mesmos caímos em dietas insanas, nas quais as gorduras saturadas acabam nos inflamando e inchando. Desse modo, em vez de ficarmos satisfeitos, sentimos muito mais ansiedade e fome.

Com o ego acontece a mesma coisa. A ânsia por receber elogios, reconhecimentos, aprovação ou poder alimenta uma falsa autoestima que sempre está faminta. Devemos ter músculos, devemos exercitar as nossas capacidades psicológicas através da humildade, da determinação e da flexibilidade. Por isso, é essencial identificar essas armadilhas do ego tão recorrentes em muitos de nós.

1. Eu quero ter sempre a razão

Existem pessoas assim. Para elas, não importa que as evidências sejam tão sólidas quanto um edifício de dez andares. Existem aqueles que, em qualquer circunstância, momento ou condição, desejam ter sempre a verdade a seu favor. Desse modo, não hesitam em desenvolver as mais variadas (e prejudiciais) artimanhas.

O ego pesa demais nessas circunstâncias e não ajuda ninguém. É uma tremenda armadilha que devemos reconhecer e limitar.

2. Por que os outros não agem como eu desejo e espero?

De certo modo, todos nós já experimentamos esta mesma sensação: a de nos desesperar ao ver que as pessoas que apreciamos não fazem ou não se comportam como nós esperamos. Esse fato, o de querer que aqueles que integram o nosso círculo mais próximo atuem sempre da forma como desejamos, não é nada mais do que uma armadilha do ego. É também uma fonte de sofrimento.

O ideal nestes casos é não nos condicionarmos, somente nos limitarmos a ser e a deixar de ser. Respeitar e, inclusive, valorizar que os outros atuem de acordo com os seus princípios e desejos é um ato de respeito e, também, de crescimento pessoal.

Caminho rumo à liberdade

3. O sentimento constante de carência

Se eu tivesse uma casa maior, seria mais feliz. Se eu pudesse economizar um pouco mais, poderia comprar um celular que acabou de sair no mercado daquela determinada marca. Se eu tivesse um parceiro carinhoso, que me carregasse em seus braços, a vida seria perfeita…

Se nós repararmos bem, o sentimento está estampado em grande parte da nossa sociedade. Nunca nos sentimos completos ou satisfeitos. Sempre falta alguma coisa, sempre desejamos aquele detalhe que se nós conseguíssemos ter, proporcionaria uma felicidade sem fim.

No entanto, quando conseguimos alcançar esse objetivo, a satisfação vai embora e colocamos as nossas esperanças em outra coisa, outra dimensão, em outra pessoa.

4. A necessidade de aprovação

Todos precisamos nos sentir aceitos. No fim das contas, nós transitamos por cenários sociais onde a convivência sempre é mais fluida e significativa se existe aceitação entre nós. Pois bem, assim como indicávamos no começo, o segredo está no equilíbrio.

Sentir-se aceito é bom, mas se obcecar por ter sempre a aprovação dos outros não é nada saudável e coloca limitações em nossa liberdade e realização pessoal.

Em alguns casos, o ego e a sua necessidade de reconhecimento devem fazer uma dieta, devem emagrecer o suficiente até serem capazes de tomar decisões sem ter que pedir permissão a ninguém.

“A egolatria é a fonte de todas as misérias”.
– Thomas Carlyle –

5. Eu me sinto inferior (ou superior) aos outros

As armadilhas do ego não são esboçadas unicamente através do abuso, da egolatria de quem deseja mais, de quem se acha melhor do que ninguém, ou precisa mais de algo do que qualquer outra pessoa. Estes problemas do nosso desenvolvimento pessoal também são materializados pelos sentimentos de carência.

Sentir-nos diminuídos diante dos outros, perceber que todo o esforço é em vão quando o resto das pessoas nos supera em quase tudo, também nos leva ao sofrimento. Porque os egos anoréxicos também adoecem a mente, nos limitam e transformam em sombras confusas.

Desse modo, nunca é demais lembrar que a integridade pessoal requer um ego capaz de proteger a si mesmo, mas sem cair em excessos. Precisa de uma autoestima meditada, forte, que saiba validar a si mesma e, ao mesmo tempo, exercer o respeito alheio.

Mulher se olhando em espelho quebrado

Para concluir, as armadilhas do ego são ciladas nas quais frequentemente deixamos grandes fragmentos de dignidade e autoestima. É aquele homenzinho que mora em nosso interior e que gosta de nos envenenar com falsas necessidades, com o ruído constante do quero isso, me falta aquilo, não suporto que, odeio que, etc.

Aprendamos, portanto, a calar essa voz incômoda. Consigamos, diariamente, identificar um pouco melhor as suas artimanhas para poder, desse modo, reajustar as suas dinâmicas e colocá-las a nosso favor. O ego nunca deve ser um obstáculo, deve ser um aliado humilde, sábio e prudente que nos ajuda a crescer um pouco mais cada dia.