As metáforas do contraterrorismo

julho 25, 2019
Podemos usar algumas metáforas para entender o contraterrorismo. Conheça as principais elas a seguir.

A luta contra o terrorismo é chamada de contraterrorismo ou antiterrorismo. Os estados, as forças e órgãos de segurança são os principais agentes que cumprem essa tarefa.

Como o terrorismo é um fenômeno em constante mudança, o contraterrorismo deve se adaptar a novas formas de terrorismo se quiser ter sucesso. Consequentemente, o contraterrorismo é um fenômeno complexo, difícil de interpretar.

Por tudo isso, o uso de metáforas para compreendê-lo é muito difundido. As metáforas são figuras de linguagem nas quais uma palavra ou frase representa um objeto ou ideia diferente sugerindo uma semelhança ou analogia.

O uso de metáforas serve para compreender fenômenos complexos de maneira simples. No entanto, as metáforas também simplificam os fenômenos e fornecem uma falsa sensação de compreensão total.

Assim, embora as metáforas ajudem a entender melhor os fenômenos que representam, elas esquecem outros conceitos que, por serem incompatíveis com a metáfora, são deixados de fora.

Guerra de Troia

O contraterrorismo como “guerra”

A metáfora da guerra indica que a guerra se faz entre estados. Que o inimigo é uma entidade nacional identificável que se opõe à nossa nação. Então, a existência dos dois é impossível, um deles deve desaparecer porque nunca haverá um acordo.

Em outras palavras, é um conflito de ‘soma igual a zero’; a vitória de um supõe a derrota do outro. O inimigo quer nos destruir, por isso devemos nos defender conquistando ou destruindo o seu território.

Por outro lado, estar em estado de guerra tem outras conotações. Por exemplo, a unidade nacional e a mobilização em apoio à causa. Dessa forma, aqueles que criticam são rotulados como antipatriotas ou traidores.

Da mesma forma, ir à guerra implica valores como solidariedade, heroísmo, coragem e sacrifício. Certamente Deus está do nosso lado, porque a dimensão moral é clara.

Obviamente, as guerras serão vencidas com as forças militares. O chefe de Estado deve concentrar todo o poder, o que pode levar à restrição de liberdades.

Como “cumprimento da lei”

Aplicar a lei e ir à guerra são duas maneiras de proteger os cidadãos de um país. A escolha de uma ou outra depende da magnitude da ameaça.

Enquanto a metáfora da guerra se concentra no inimigo, a lei se concentra no crime. Da mesma forma, os limites são mais definidos nessa metáfora.

Começa assim que a lei é violada e termina quando a punição correspondente é paga. As políticas de bem-estar e educação são alguns dos recursos utilizados.

A metáfora da aplicação da lei se concentra nos culpados e não tolera danos colaterais como a guerra. Portanto, os custos são menores. Além disso, em vez de matar, a punição geralmente é a prisão, de modo que, se der errado, o dano causado é menor do que na guerra.

“O terrorismo é a tática de exigir o impossível e exigi-lo a mão armada”.
– Christopher Hitchens –

Como “contenção de uma epidemia social”

As duas metáforas anteriores lidam com as manifestações da violência, mas não com os fatores que a causaram. A metáfora da epidemia social utiliza a tríade epidemiológica composta por um agente externo, um hospedeiro suscetível e um ambiente que os coloca em contato.

Além disso, o vetor ou transmissor está no ambiente. Aplicado ao terrorismo, os agentes são os terroristas, enquanto os vetores são os canais usados ​​para propagar a ideologia. Assim, o ambiente seria aquele que promove a militância, como os conflitos ou a repressão política.

Esta metáfora do contraterrorismo como uma epidemia social também tem outras implicações. Por exemplo, há pessoas imunizadas. Essas pessoas seriam imunes aos agentes porque têm motivações de realização, como força psicológica ou apoio social.

O contraterrorismo se concentraria em evitar o contágio ou, neste caso, a ideologia radical, que corresponderia ao agente ou vírus. Outra implicação é que os radicais podem ser “curados”.

Sombra de homem na parede

O contraterrorismo como um programa de “redução do preconceito”

As três metáforas anteriores sobre o contraterrorismo veem o terrorismo como um problema externo que desperta a necessidade de tratá-lo.

No entanto, a metáfora da redução do preconceito considera a interação entre as duas comunidades cujo conflito pode gerar o terrorismo. Assim, essa metáfora representa um grupo de pessoas com atitudes negativas em relação a outro grupo.

Consequentemente, transformar essas pessoas e suas atitudes ou, em outras palavras, reduzir o preconceito, seria a estratégia a seguir.

Assim, eliminar percepções errôneas e construir uma identidade comum seriam os objetivos do contraterrorismo diante dessa metáfora, cuja representação máxima é o contato entre os membros dos diferentes grupos em conflito.

Em resumo, as metáforas, além de simplificar e ajudar a entender, têm implicações maiores. Portanto, devemos ser cuidadosos quando as usamos para interpretar a realidade.

  • Kruglanski, A. W., Crenshaw, M., Post, J. M., & Victoroff, J. (2008). What should this fight be called? Metaphors of counterterrorism and their implications. Psychological Science in the Public Interest, 8(3), 97-133.