Atelofobia, o medo de ser imperfeito

janeiro 8, 2019

Na atualidade, o perfeccionismo é visto mais como uma virtude do que como um defeito. No entanto, será que a busca pela perfeição pode se transformar em algo insano e irracional? Sim, pode. De fato, quando o perfeccionismo se transforma em algo paralisante, é possível que se trate de atelofobia, uma doença mental relacionada aos transtornos de ansiedade.

A atelofobia é o medo de ser imperfeito, de não fazer algo corretamente, de não ser suficientemente bom. Ocorre quando as expectativas percebidas de uma pessoa não estão de acordo com a realidade. É uma forma irracional e obsessiva de perfeccionismo que pode conduzir a uma inação paralisante e causar vários problemas de saúde relacionados ao estresse.

Como resultado da atelofobia, a pessoa não consegue alcançar o padrão que estabelece. Assim, as suas relações são gravemente afetadas. Além disso, quando a pessoa percebe que não alcançou seu objetivo, é normal que se sinta invadida por emoções de carga negativa.

Uma pessoa com atelofobia tem medo do erro, de estar cometendo falhas sem perceber. Assim, a tarefa mais simples pode se transformar em uma verdadeira tortura pelo nível de recursos que a pessoa emprega para supervisioná-la. Isso faz com que assuma pouco ou nenhum risco.

Há muitos sintomas psicológicos que podemos identificar como próprios da atelofobia, como comportamentos de evitação, sentimentos de impotência, ansiedade e medo extremos, medo de perder o controle, confusão, irritabilidade e falta de concentração.

Também podem aparecer sintomas físicos, como respiração rápida, boca seca, palpitações, náuseas, dores de cabeça ou transpiração excessiva.

Mulher com medo de ser imperfeita

Causas da atelofobia

Ninguém conhece a verdadeira causa da atelofobia. Pode haver uma propensão genética ou ela pode se originar de um acontecimento traumático. No entanto, parece que na maioria dos casos é uma resposta aprendida que começa na infância e que se intensifica com os anos, tornando-se crônica.

A atelofobia é uma fobia específica centrada em fatores-chave não sociais. As fobias específicas tendem a ter algum trauma prévio como origem, geralmente na infância. Muitas vezes trata-se de algo fisicamente nocivo.

A criação também pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento da atelofobia, como as advertências dos pais sobre uma ameaça direta, algo especialmente notável nos casos em que a ameaça é mais iminente (alergias ou ataques de insetos, por exemplo).

Por sua vez, acredita-se que a genética e os fatores hereditários possam desempenhar um papel em fobias específicas, especialmente nas relacionadas com o perigo de lesões. Por exemplo, pode se desencadear um reflexo primário de “luta ou fuga” mais facilmente em pessoas com predisposição genética.

Em todo tipo de fobia, as experiências ou informações externas podem reforçar ou desenvolver o medo. Em casos extremos, as exposições indiretas podem ser tão remotas quanto escutar uma referência em uma conversa ou ter conhecimento de uma determinada notícia.

A atelofobia, assim como a maioria das fobias, provém de um mecanismo de superproteção subconsciente e, como ocorre com muitas fobias, também pode ter raízes em um conflito emocional não resolvido.

Os pais exigentes que impõem a perfeição e os professores muito rigorosos podem se transformar em desencadeantes centrais de futuros transtornos mentais, incluindo o medo de não ser suficientemente bom.

A diferença entre atelofobia e perfeccionismo

A atelofobia tem muito a ver com o perfeccionismo, mas os dois termos não são a mesma coisa. Existe uma diferença fundamental entre estes conceitos.

É verdade que as pessoas que sofrem de atelofobia tomam a perfeição como seu objetivo e não a alcançam simplesmente porque é impossível. No entanto, a atelofobia é mais do que estabelecer altos padrões.

O problema é que ela paralisa e bloqueia o reforço em vez de motivar. Muitos perfeccionistas respondem à ansiedade trabalhando ainda mais. As pessoas com atelofobia preferem a inação para evitar possíveis falhas. 

Além disso, com frequência o perfeccionismo se manifesta como um desejo de realização ou sucesso pessoal. Esta visão, com seus problemas, pode fazer com que uma pessoa seja melhor e tenha mais sucesso. No entanto, a atelofobia também não é benéfica nesse aspecto.

Homem sofrendo de atelofobia

Comentários finais

Aprender a se esforçar pelo que é “suficientemente bom” é uma qualidade que costuma gerar bem-estar. Em relação a isso, a autora Olga Khazan escreveu: “Pode ser difícil, na nossa cultura, obrigar-se a se conformar com ‘o suficientemente bom’, mas quando se trata de felicidade e satisfação, o ‘suficientemente bom’ não é só bom, é perfeito”.

Na atelofobia, a perfeição se transforma em uma ameaça da qual a pessoa dificilmente pode escapar. De fato, costuma causar uma paralisia que acaba com qualquer tentativa de alcançar uma determinada meta.

Isso não só gera frustração, mas também é muito destrutivo para a autoestima da pessoa, que se sente vencida e presa em seu próprio medo.