Autonepiofilia: por que existem adultos que se vestem como bebês?

18 Agosto, 2020
Você sabia que foram descritos 549 tipos diferentes de parafilias? Entre elas está uma das mais curiosas: a autonepiofilia. Continue lendo para conhecê-la.
 

O mundo das parafilias é muito diverso. Cerca de 549 tipos de parafilia já foram descritos. Entre elas, algumas são bem conhecidas, como exibicionismo, voyeurismo e fetichismo, e outras são mais desconhecidas, como clismafilia e autonepiofilia, sobre a qual falaremos neste artigo.

A parafilia é um padrão de comportamento sexual que envolve a excitação e o prazer sexuais em situações, objetos ou indivíduos incomuns. Pode envolver a obtenção de prazer sexual a partir de objetos não humanos, do sofrimento ou humilhação (própria ou do casal), de crianças ou pessoas que não deram seu consentimento.

O que é autonepiofilia ou infantilismo?

A autonepiofilia ou infantilismo consiste na excitação sexual derivada do uso de fraldas e outros acessórios para bebês, além de se comportar e ser tratado como tal. Inclusive, eles têm babás e creches especializadas. Também é conhecida como síndrome do bebê adulto ou adult baby (AB).

Não se limita a usar fraldas e chupeta, vai muito além. As pessoas que sofrem com isso podem acabar gastando muito dinheiro para montar um quarto de bebê em sua casa, com a compra de fraldas, berço, comida de bebê… Eles podem desejar que seu parceiro se envolva na sua fantasia, pegando no colo, “amamentando”, dando papinha, trocando as fraldas ou brincando com eles.

O que é autonepiofilia ou infantilismo?
 

Não devemos confundi-lo com o fetichismo por fraldas, no qual o prazer deriva simplesmente de usar uma fralda. Os amantes de fraldas ou diaper lovers (DLs) não se comportam como bebês ou desejam ser tratados como tal. No entanto, os “bebês adultos” também costumam ser amantes de fraldas (AB/DLs, Adult Babies Diaper Lovers).

Há uma outra distinção importante a se fazer. A autonepiofilia não tem nada a ver com a pedofilia, pois os bebês adultos não são atraídos ou expressam tendências sexuais em relação às crianças. A empolgação vem de ser tratado como o próprio bebê (no caso do infantilismo), ou o fato de usar uma fralda e alguém a trocar, o toque da fralda molhada com a pele, a humilhação de ser forçado a usar uma fralda, etc. (no caso do fetichismo por fraldas).

Quantos “bebês adultos” existem? Um número surpreendente

Estima-se que 1 a cada 1.000 pessoas goste de se sentir como um bebê. O documentário britânico 15 Stone-Babies observou que existem entre 200.000 e 500.000 bebês adultos apenas no Reino Unido! É difícil estimar a quantidade exata, porque a autonepiofilia pode se manifestar de várias maneiras.

Existem bebês adultos que são dessa forma abertamente e é difícil diferenciá-los de um bebê real (exceto pela aparência física). Por outro lado, outros agem assim apenas em contextos de confiança ou intimidade e, portanto, seria bastante difícil identificá-los.

Não devem ser poucos, tendo em vista que existem grupos de apoio e reuniões de adeptos a este movimento, nas quais eles compartilham experiências, conhecimentos, ideias, materiais, etc.

 

Além disso, já existem lojas especializadas em material AB/DL e desfiles de produtos para bebês adultos. Em geral, essas pessoas são homens heterossexuais, embora, é claro, isso também ocorra em mulheres. A maioria, segundo a pesquisa, tem uma carreira, uma família formada e emprego estável.

Causas do infantilismo

Alguns psiquiatras o associam à síndrome do Peter Pan, pessoas que não estão dispostas a crescer, assumir responsabilidades, e continuam agindo como crianças. Isso contrasta com o que foi citado anteriormente: a maioria dos “bebês adultos” são adultos com família e emprego estável. Mas, assim como é difícil reconhecer todos os casos de autonepiofilia, também é difícil relacionar as duas coisas. O único aspecto que fica claro é que, provavelmente, não deve existir uma única causa.

Talvez sejam apenas pessoas que procuram uma maneira de se libertar de todo o estresse diário, e a melhor maneira de conseguir isso é regressando a uma idade infantil. O cérebro é um mistério.

Autonepiofilia na mídia

É possível encontrar vários artigos sobre o tema na Internet, embora eles não sejam muito informativos, porque a autonepiofilia não foi amplamente estudada. Ao buscar, podemos encontrar algumas entrevistas que, sob um pseudônimo, alguns “bebês adultos” concedem para falar sobre esse peculiar “estilo de vida”. No entanto, também há documentários.

O canal britânico Channel 4 exibiu o documentário 15 Stone-Babies, e a National Geographic fez um outro documentário sobre um homem que vivia como um bebê. Na Espanha, o canal Cuatro exibiu um episódio do programa Conexión Samanta chamado Adult Babies, no qual pessoas com esse tipo de preferência foram apresentadas. E, é claro, você pode encontrar muitos vídeos relacionados ao tema no YouTube.

 
Autonepiofilia na mídia

Para refletir

Geralmente, essas pessoas não procuram ajuda profissional porque conseguem combinar seu “hobby” com a própria vida. O problema aparece quando essa parafilia afeta o restante das áreas da vida de uma pessoa. Por exemplo, ela pode ter muita dificuldade em encontrar um parceiro, pois pode preferir uma “mãe” a uma esposa ou namorada: um jogo do qual quase ninguém está disposto a participar.

Muitos desses bebês adultos acham inadequado tratar o infantilismo como uma parafilia, pois é simplesmente um modo de vida para eles. No entanto, muitos sentem prazer sexual, e às vezes até contratam prostitutas para manter relações.

Aqui, o problema pode ser que a pessoa seja incapaz de manter contatos sexuais fora desse âmbito, pois não é socialmente aceito manter relacionamentos com uma pessoa que se disfarça e se comporta como um bebê.

Como vimos, as pessoas com essa parafilia não experimentam nenhum tipo de excitação em relação às crianças. Mas o que sentem as pessoas que experimentam essa excitação quando têm relacionamentos com os “bebês adultos”?

É controverso, já que a atração pode ser apenas em relação a uma figura adulta que se veste e se comporta como uma criança, e não em relação a uma criança em si. Apesar disso, o alcance dessa distinção pode ser difícil de perceber e pode levar a críticas e julgamentos. O que você acha?