As bases da assertividade são estabelecidas na infância

· maio 25, 2017

A assertividade se refere à capacidade de aplicar nossos direitos de maneira adequada e respeitando sempre os demais. Saber dizer “não”, por exemplo, é um claro exemplo de que a pessoa goza de uma assertividade saudável. No entanto, o que faz com que ela não exista como deveria? Onde está o problema?

A resposta se encontra em uma das etapas mais importantes da nossa vida: a infância. Se, desde pequenos, nossos pais desenvolverem uma educação emocional pobre, teremos sérias dificuldades para sermos assertivos no futuro, para reconhecer nossos direitos e defendê-los com força suficiente para que ninguém os viole.

“A assertividade ajuda a cultivar a paciência e a viver de uma forma muito mais equilibrada e relaxada”.

A negligência emocional na infância

O que entendemos por negligência emocional? O fato de não responder às necessidades emocionais que toda criança tem. Por exemplo, certamente já aconteceu mais de uma vez de pensarmos que o fato de uma criança chorar porque perdeu seus brinquedos seja uma besteira, e rimos disso. Isso fará com que a criança aprenda a esconder suas emoções por medo do ridículo.

Adultos costumam usar frases como “não é para tanto” ou “não chore por besteira” direcionadas às crianças, sem ter consciência das terríveis bases nas quais estão se apoiando. As crianças vão pensar que suas reações não são adequadas e vão aprender a contê-las e reprimi-las. No entanto, isso não é tudo. Há muitas outras consequências que surgirão quando as crianças chegarem à fase adulta.

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Uma dessas consequência é que essas crianças, transformadas em adultos, não saberão reconhecer suas emoções e sentimentos e , o que é ainda pior, não serão capazes de expressá-los de forma adequada. Isso vai fazer com que eles adotem posturas muitos extremas para com os demais, ou seja, pode ser que optem por permitir que outras pessoas pisem neles, ou pode ser que demonstrem uma agressividade fora de série.

“Nunca fui capaz de expressar meus sentimentos ou emoções em palavras. Não sei se esta é a causa pela qual o fiz através da música e da pintura”.
-Arnold Schönberg-

Mas, talvez um dos piores resultados da negligência emocional dos pais seja a formação de uma autoestima deficiente. Estas crianças, futuramente adultas, vão pensar que não merecem ser amadas, por isso vão viver relações pouco satisfatórias , das quais nunca vão se sentir merecedoras, sentindo-se infelizes e sofrendo muitíssimo por pensar que tais relações podem acabar a qualquer momento.

As bases para uma assertividade saudável

Para evitar que as crianças aprendam a se sentir culpadas por serem como são e que não confiem em seu instinto, é importante descobrir quais são as bases para que possam desenvolver uma assertividade saudável. Para isso, os pais devem prestar muita atenção, não desmerecer esta parte tão importante da educação de seus filhos e ter em conta o que vamos mencionar a seguir.

Uma das bases para desenvolver uma assertividade saudável é valorizar o que as crianças sentem, assim como suas opiniões. Nós não podemos julgar como “besteira” o fato delas chorarem porque tiveram uma discussão com seu melhor amigo. É importante escutar, compreender e nunca rir disso. Porque embora para nós seja uma besteira, para eles não é.

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A segunda das bases é ensinar as crianças a reconhecer o que sentem, discernir a emoção que sentem no momento e compreendê-la para, dessa forma, lidar melhor com ela. Não fazer isso vai provocar sérios problemas em sua “gestão emocional” num futuro não muito distante.

A terceira de todas é nos comunicarmos com as crianças e saber fazer as perguntas adequadas para que elas ganhem segurança por si próprias. Algumas dessas perguntas podem ser “O que você pensa, como você se sente, o que você precisa e o que quer dizer?”

Desenvolver uma assertividade saudável vai permitir que a criança tenha consciência de seus direitos assertivos e saiba que é merecedora de ser tratada com respeito.

Atender as necessidades emocionais das crianças vai lhes ajudar a descobrir o que sentem e o que precisam. Mas, além disso, permitirá que sejam conscientes de que suas emoções e suas necessidades são importantes, que ninguém tem motivos para pisar nelas e que elas podem expressar livremente o que sentem porque merecem que os demais as respeitem.

Se tudo isso não for aprendido desde criança, partindo da educação que os pais dão, quando crescerem terão sérios problemas de segurança e autoestima. Não vão considerar como verdade que elas merecem ser tratadas bem pelos demais e que merecem amor, e tudo isso pode levá-las a comportamentos autodestrutivos e a uma autossabotagem constante.

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