Biografia de Miguel de Cervantes, um criador universal

maio 31, 2020
A vida de Miguel de Cervantes foi repleta de experiências surpreendentes. Sua obra é uma das maiores da literatura mundial. No entanto, ele não foi reconhecido em vida, já que isso só ocorreu muitos anos após a sua morte.

Pelas contribuições cruciais que ele fez para a estruturação da língua castelhana e pela sua impressionante obra literária, a biografia de Miguel de Cervantes é uma das mais fascinantes da história. A vida de El manco de Lepanto é tão interessante quanto suas criações literárias.

Sua maior obraO engenhoso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha, é o texto mais lido em toda a história. Somente a Bíblia o supera. Dizem que Sigmund Freud aprendeu a falar em espanhol apenas pelo prazer de ler esse livro em seu idioma original. No entanto, Miguel de Cervantes quase não recebeu qualquer renda por essa gigantesca contribuição à literatura mundial.

“A poesia talvez se sobressaia nas coisas mais simples”.
-Miguel de Cervantes-

Miguel de Cervantes, como outros grandes escritores da história, não concluiu estudos superiores nem teve acesso a professores importantes. De sua vida, na realidade, sabe-se muito pouco, especialmente sobre seus primeiros anos. De sua obra, por outro lado, escreveram milhares de análises e uma quantidade incalculável de comentários.

A biografia de Miguel de Cervantes, o gago

A vida de Miguel de Cervantes foi marcada por dificuldades econômicas. Acredita-se que ele tenha nascido em 29 de setembro de 1547, em Alcalá de Henares. Ele era filho de Rodrigo de Cervantes, um homem de vida modesta que trabalhava como cirurgião, sem haver completado os estudos para isso. A família ia de um lado para o outro, sempre buscando melhores condições. Isso fez com que Miguel não tivesse uma formação contínua.

Miguel de Cervantes era gago. Ele não se lamentava pela sua condição, mas brincava com ela. Ele também era um grande fã de teatro. Passava muitas noites assistindo às obras de Lope de Rueda, que foram apresentadas na época.

Acredita-se que, devido a problemas legais, ele tenha deixado a Espanha e se mudado para Roma, onde entrou na milícia. Isso o levou a participar da batalha de Lepanto, em 1571. Ele fez parte de um combate naval contra os turcos, na qual feriram sua mão esquerda com uma espingarda, deixando esse membro incapacitado. Ele então viajou pela Itália e se familiarizou com a literatura local.

Panteão de Roma

Cervantes, o escravo

Durante a viagem de volta da Itália, onde passou vários anos, à Espanha, piratas turcos atacaram o navio em que ele estava, o capturaram e o venderam como escravo junto com seu irmão Rodrigo, que o acompanhava. Os dois viveram como escravos por cinco anos em Argel, até que sua família levantou o dinheiro para pagar o resgate e enviou um emissário para realizar o pagamento.

Pouco depois de regressar à Espanha, ele se casou com Catalina Salazar de Palacios. Ele também começou a trabalhar em operações burocráticas de baixo nível, pois sua família passava por grandes dificuldades financeiras. A partir de 1587, ele começou a atuar como comissário geral de suprimentos, um cargo menor que o colocou em contato com figuras pitorescas de cidades pequenas.

Seu casamento foi infeliz. Miguel de Cervantes nunca fez referência à esposa em suas anotações autobiográficas. Depois de dois anos casados, e devido às viagens que sua posição implicava, eles quase não se viam. Eles não tiveram filhos, embora ele tivesse uma filha com uma mulher casada, a quem reconheceu quando ela tinha 16 anos.

Livro antigo sobre mesa

Os últimos anos do gênio

Miguel de Cervantes foi preso em 1597, acusado de ter se apropriado de dinheiro público. Foi na prisão que nasceu a semente do que seria Dom Quixote. Até então, várias de suas obras haviam sido publicadas, particularmente romances curtos e peças de teatro. Embora seu trabalho sempre tivesse sido bem recebido, não lhe trouxe maiores ganhos financeiros.

A única imagem que se conserva de Miguel de Cervantes é a descrição que ele fez de si mesmo no prólogo de Novelas Exemplares. Nele, ele se descreve como um homem envelhecido e sem dentes. Portanto, as imagens que conhecemos hoje são apenas uma aproximação da sua verdadeira aparência.

Dizem que Miguel de Cervantes morreu de diabetes aos 68 anos, em 23 de abril. Na realidade, ele morreu no dia 22, e o dia 23 foi o dia de seu funeral. Ele havia pedido para ser enterrado no Convento das Trinitárias Descalças, pois essa congregação o havia ajudado em seu tempo de escravidão. O grande criador foi enterrado em uma tumba sem lápide ou nome. Até agora, seus restos mortais não foram encontrados.

Marín, L. A. (1948). Vida ejemplar y heroica de Miguel de Cervantes Saavedra (Vol. 1). Instituto Editorial Reus.