Biografia de Santiago Ramón y Cajal, o pai da neurociência

janeiro 25, 2020
As suas contribuições para a neurociência foram fundamentais para o avanço do conhecimento do cérebro humano, da neuroplasticidade e da estrutura dos neurônios, que ele chamava de "as borboletas da alma".

Hoje falaremos sobre a biografia de Santiago Ramón y Cajal, um dos cientistas mais importantes da história, comparado a Galileu, Einstein e muitos outros. Essas são as palavras com as quais Eduardo Punset o descreve. E ele está certo.

Este histologista espanhol lançou as bases mais importantes da neurociência moderna. Além disso, expôs conceitos totalmente contrários ao modo de pensar que dominava a ciência na época. Mais tarde, foi comprovado que ele estava certo.

Ele descobriu a individualidade dos neurônios, lançou as bases do que hoje conhecemos como neuroplasticidade e nos apresentou as células da glia. Ramón y Cajal sempre foi um rebelde, no bom sentido da palavra, que não teve escrúpulos em contradizer o pensamento estabelecido.

No entanto, era uma mente brilhante, com um extraordinário senso de curiosidade, metódica e incansável, qualidades que o tornaram o primeiro Prêmio Nobel de Medicina da Espanha.

Os primeiros anos da biografia de Santiago Ramón y Cajal

Ele nasceu em Petilla de Aragón em 1852. Seu pai era um médico de província que queria incutir no seu filho o amor pela medicina. No entanto, Santiago Ramón y Cajal era uma criança inquieta, com mais paixão por fazer descobertas no mundo real do que nos livros.

As suas duas grandes paixões eram a natureza e a pintura. Então, a sua família decidiu mandá-lo para um internato para forçá-lo a estudar, mas não deu certo.

Ainda adolescente, o seu pai resolveu lhe dar uma lição e o colocou para trabalhar como aprendiz de barbeiro e depois de sapateiro. Dizem que ele adquiriu uma grande habilidade nesse ofício. No entanto, essa criança, por sua natureza, teria sido boa em qualquer campo ao qual se dedicasse.

Finalmente, ele decidiu estudar medicina na Universidade de Zaragoza, onde seu pai trabalhava como professor de dissecção anatômica. As aulas com o pai permitiram que ele desenvolvesse as suas habilidades como desenhista, que ele aplicava aos desenhos do corpo humano.

Após o curso de medicina, ele foi convocado e enviado para a guerra em Cuba, onde passou alguns meses em condições muito precárias até adoecer. Ao voltar de Cuba, fez doutorado em medicina pela Universidade Complutense de Madri e conseguiu um cargo de assistente interino de anatomia na Faculdade de Medicina de Zaragoza.

Na mesma época, um de seus professores já o treinava em técnicas de observação microscópica.

Santiago Ramón y Cajal

Sua carreira

A sua descoberta do microscópio lhe permitiu desenvolver outra de suas paixões, e dizem que ele se tornou quase uma extensão do seu próprio corpo. Ele se casou e teve sete filhos, embora dois tenham morrido durante a infância.

Depois de alcançar várias posições importantes nas Universidades de Zaragoza e mais tarde em Valencia, ele finalmente se mudou com a sua família por um tempo para a Universidade de Barcelona em 1887, ocupando a cadeira de histologia e, em 1892, a de anatomia patológica em Madri.

Uma de suas filhas contraiu meningite e parece que esse fato o afetou profundamente. Por isso, se refugiou nas pesquisas e em seu laboratório dia e noite. No mesmo dia em que sua filha morreu, Ramón y Cajal chegou a uma de suas descobertas mais importantes. Ele se lembraria ao longo de toda a sua vida da intensidade de sentimentos conflitantes que viveu naquele momento.

Além disso, criou os seus próprios métodos de coloração de amostras para o estudo das conexões das células nervosas. Foi graças a essa metodologia que ele conseguiu demonstrar que os neurônios são células independentes, não fisicamente conectadas entre si.

A ciência da época baseava-se na ideia de que as células nervosas não eram separadas umas das outras e que formavam uma massa emaranhada e compacta.

As maravilhas dos neurônios

Ramón y Cajal e o Prêmio Nobel

Na biografia de Santiago Ramón y Cajal vemos que ele também estudou em profundidade a estrutura do cerebelo, a medula espinhal e o bulbo espinhal, juntamente com vários centros sensoriais, como olfato e a retina.

Após uma viagem a Berlim e a apresentação de seus avanços no conhecimento da estrutura do sistema nervoso e dos neurônios em um congresso, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1906.

Ele não parou de trabalhar nem um dia de sua vida. Dizem que, mesmo no dia de sua morte, que ocorreu em 1934, ele trabalhou na cama, já gravemente doente.

As contribuições para a neurociência e o legado de Santiago Ramón y Cajal foram fundamentais para o avanço do conhecimento do cérebro humano, da neuroplasticidade e da estrutura dos neurônios, que ele chamava de “as borboletas da alma”.

“Os neurônios são células de formas delicadas e elegantes, as misteriosas borboletas da alma, cujo bater de asas talvez um dia esclareça o segredo da vida mental”.
-Santiago Ramón e Cajal-