Biografia do Marquês de Sade, um ícone da maldade

09 Agosto, 2020
O que fez do Marquês de Sade um ícone da maldade foram suas obras literárias. Elas descrevem perversões sexuais, embora não tenha sido ele quem as inventou. No entanto, o que seu entorno não perdoou foi o fato de ele expor publicamente algo que acontecia apenas em segredo.
 

Hoje, apresentaremos uma breve biografia do Marquês de Sade, uma figura cercada por lendas, em sua maioria falsas ou sem fundamento. Basicamente, seu grande “pecado” foi pensar em sexo e escrever sobre sexo, de uma maneira que desafiava os tabus e as hipocrisias da sua época.

Se o que ele escreveu fosse absurdo, ou “loucura”, como disseram, seria simplesmente ignorado. As reações duras, e até violentas, contra ele nos levam a pensar que sua obra não era tão exagerada, mas sim sobre o que ninguém queria falar.

“O corpo é o templo onde a natureza pede para ser reverenciada”.
-Marquês de Sade-

O nome do Marquês de Sade entrou para a história como uma forma de dar nome a uma perversão sexual. O sadismo é definido como a obtenção do prazer sexual através de atos de crueldade contra outra pessoa. Não é exatamente isso que está nas obras do famoso marquês, mas assim ficou estabelecido pela história.

Infância e juventude 

A biografia de Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, tem início com o seu nascimento em Paris, no dia 2 de junho de 1740. Ele veio de uma família nobre, vinculada à dinastia Bourbon. Devido ao trabalho de seu pai como diplomata, ele foi criado pela sua avó e tias paternas desde os 4 anos.

Um de seus tios, Jacques François Paul Aldonce de Sade, libertino reconhecido, assumiu sua educação. Designou como seu tutor Jacques François Amblet, que o acompanhou durante grande parte da sua vida.

Quando o famoso Marquês de Sade tinha apenas 16 anos, ele participou de uma das batalhas da Guerra dos Sete Anos. Seu excelente desempenho o levou a se tornar capitão da cavalaria da Borgonha. Ele retornou a Paris e foi forçado a se casar com Renée Pélagie Cordier de Launay de Montreuil, apesar de estar apaixonado por outra jovem. Logo após seu casamento, os escândalos começaram.

 
A infância e a juventude do Marquês de Sade

A lenda negra do Marquês de Sade

Logo após se casar, o Marquês de Sade iniciou formalmente sua carreira como escritor. Em 1763, ele foi preso por 15 dias, aparentemente por ter escrito algo com um alto conteúdo sexual. Naquela época, ele tinha várias amantes e costumava se cercar de prostitutas.

Dois anos depois, ocorreu o famoso escândalo de Arcueil. Segundo a prostituta Rose Keller, o Marquês de Sade a havia açoitado e torturado. O evento teve muitas repercussões e a lenda popular acrescentou detalhes fictícios, a ponto de ninguém saber o que realmente aconteceu. Por conta disso, Sade passou sete meses na prisão.

Então, o “caso de Marselha” ocorreu. Sade foi acusado de praticar sodomia e tentar envenenar prostitutas. Na realidade, durante suas orgias, ele lhes dava um afrodisíaco. Embora ninguém tenha morrido, ele foi acusado de tentativa de assassinato, sendo preso e condenado à morte. Ele ficou 13 anos confinado, primeiro na prisão de Vincennes e depois em La Bastille. Isso afetou a sua saúde.

A lenda negra do Marquês de Sade
 

O fim cruel da biografia do Marquês de Sade

Com o triunfo da Revolução Francesa, o Marquês de Sade foi enviado para um manicômio, mas logo libertado. Ele saiu da prisão aos 51 anos, bastante maltratado fisicamente. No entanto, no Período do Terror, Robespierre o sentenciou à morte novamente. O Marquês foi salvo milagrosamente da guilhotina. No entanto, quando saiu da prisão, ele era praticamente um indigente.

Suas obras despertaram uma enorme apreensão, pois ele descrevia estupros, parafilias e todo tipo de perversãoO próprio Napoleão jogou o romance Justine na fogueira. Em suas palavras, aquele era o livro mais abominável já criado. Naquela época, muitos dos textos do Marquês de Sade foram destruídos, e grande parte da sua obra se perdeu.

Em 1801, o regime napoleônico o acusou de “demência libertina” e o confinou em um hospício. Quando o Marquês de Sade morreu em 1814, sua família queimou o que restava da sua obra.

Várias gerações de escritores, especialmente os da corrente surrealista, resgataram o trabalho de Sade e atribuíram um grande valor a ele. No entanto, até hoje, as opiniões sobre sua obra literária não são unânimes. Enquanto Breton o chamou de “o divino Marquês”, Bataille destacou que sua obra era uma apologia ao crime.

 
  • González-Torre, Á. P. (2006). La sombra de la Ilustración: tres variaciones sobre Sade. Ed. Universidad de Cantabria.