O curioso manual do sexo proibido por 3 séculos

· outubro 29, 2018

Há alguns anos foi encontrado um antigo manual do sexo no Reino Unido. Poucos sabiam da sua existência, pois se tratava de um livro que havia sido proibido no século XVII. A razão? A de sempre: o sexo era, e inclusive continua sendo, um assunto tabu.

Os censuradores da época acreditavam que estavam fazendo um bem para a humanidade evitando que se conhecesse mais sobre o tema.

O manual do sexo só pôde ser distribuído livremente a partir de 1960. Nele, há duas particularidades que chamam a atenção. A primeira, o fato de ter sido intitulado como O Manual do Sexo de Aristóteles. E outra, que contêm curiosos conselhos sobre o mundo erótico.

Na realidade, seu autor é desconhecido. Certamente, quis utilizar o nome do grande filósofo grego com o objetivo de dar maior prestígio ao livro ou para obter uma autorização para a sua circulação. Com respeito aos conselhos, o interessante deles é que refletem a mentalidade da época e que, à luz do que sabemos hoje, são quase absurdos.

“Uma orgia real nunca excita tanto quanto um livro pornográfico”.
-Aldous Huxley-

Uma proibição estranha

A verdade é que não é tão claro o motivo de terem proibido este antigo manual do sexo. A maioria dos textos que contém estão completamente alinhados com o pensamento cristão. Talvez alguém acreditasse que só por falar sobre o assunto poderiam surgir pensamentos obscenos ou degenerados.

Este manual do sexo descreve a cópula como um ato carnal, que é completamente natural entre homens e mulheres, e cuja a finalidade é procriar. A respeito disso, dá conselhos para determinar o sexo dos filhos e para evitar que tenham deformidades.

Indica, por exemplo, que a mulher deve se deitar do lado direito após o ato sexual, caso queira ter um menino. Para ter uma menina, é necessário que ela se deite do lado esquerdo. Também indica quais são as datas as mais propícias para gerar filhos de um ou outro sexo.

Manual do sexo

O manual do sexo e seu enfoque

Embora quase todo o seu conteúdo esteja concentrado na reprodução também inclui algumas recomendações para ter uma vida sexual satisfatória. Diz, por exemplo, que o sexo, quando é “moderado” e “legítimo”, ajuda a relaxar a mente e deixar de lado a melancolia.

O texto esclarece que caso a pessoa não faça sexo com certa regularidade, podem aparecer problemas de visão, enjôos e outros males mais graves, especialmente nos homens.

Em contraste, quando a pessoa tem muitas relações sexuais, o corpo pode “secar” e a vida se esgotar. O manual dá como exemplo os pardais, que copulam com frequência e só vivem por 3 anos.

Assegura que as características das crianças dependem do pensamento da mãe. Por exemplo, se ela pensa em seres terríveis depois do sexo, o filho pode nascer com malformações nos lábios ou pelos na língua.

Portanto, recomenda-se que a mulher olhe firmemente para o esposo e pense apenas nele. O objetivo: que o filho se pareça com o pai.

Outros avisos e recomendações

O antigo manual do sexo recomenda que as mulheres não consumam muita gordura ou alimentos apimentados, já que este tipo de comida “esquenta demais o corpo”, motivando-as à luxúria.

Ao mesmo tempo, encoraja as mulheres a serem complacentes com seus maridos: isso evitaria que eles caíssem nos braços obscenos de qualquer “prostituta mentirosa”.

Manual do sexo de Aristóteles

Aconselha os maridos a deixar as preocupações de lado antes de consumar o ato sexual. Recomenda animar seu lado animal e fazer uso da fantasia para que tudo seja o mais prazeroso possível.

Aconselha que os homens não tenham relações sexuais com as suas esposas com muita frequência, pois, de acordo com o que diz, as mulheres, no geral, ficam mais contentes com algo bem feito uma fez do que com algo ruim feito frequentemente.”.

Também  aconselha que quando o homem terminou “o que a natureza o motivou a fazer”, deve ter cuidado para não se retirar muito rápido do “leito de amor”. De acordo com o autor, fazer isso coloca em risco o ventre feminino, pois pode “entrar frio”, o que poderia levar a consequências perigosas.

Também diz que a infidelidade é corrupta e que só provoca doenças.

Embora este antigo manual do sexo não seja exatamente um Kama Sutra, com certeza tem um valor documental muito grande. É um texto que nos ajuda a compreender algumas das ideias que a nossa cultura em evolução aceitou, publicou ou censurou.

Compreendendo melhor o ontem, vamos entender mais o hoje e estaremos melhor preparados para o amanhã.