Como é uma boa discussão de casal?

· novembro 14, 2016

O mundo de um casal é muito complexo porque é um tipo de relação social entre duas pessoas que se amam, mas que nem sempre concordam em tudo. No entanto, elas precisam viver juntas e estão obrigadas a se entender de alguma forma.

A discussão dentro de um relacionamento não é uma situação estranha ou um sintoma de crise. Há casais que não discutem, mas que estão distantes um do outro há muito tempo. Outros casais discutem com uma certa frequência, mas são capazes de cuidar de outros aspectos do relacionamento que os transformam em um casal extremamente saudável.

Existem muitas maneiras de expressar os nossos direitos, interesses ou opiniões, e na maioria das vezes caímos na armadilha de achar que sempre temos razão, sem pensar no preço que pagamos por isso.

Eventualmente as discussões podem se transformar em um jogo, onde não se chega a nenhuma conclusão produtiva e que não traz nenhum benefício para os envolvidos. Os membros do casal terminam a discussão por exaustão e com um sentimento de amargura na alma, gelado como os dias frios de inverno.

Por que é tão difícil conviver com um parceiro?

Entre os casais que já estão com os seus relacionamentos desgastados, podemos identificar algumas coincidências. Estas coincidências geralmente têm a ver com o ego ou com o orgulho. Por orgulho muitas vezes “colocamos tudo a perder,” e temos que nos perguntar se isso realmente vale a pena.

Por orgulho reagimos para nos defendermos de uma suposta ameaça. É suposta porque, se a confrontarmos com a realidade, muitas vezes percebemos que não é bem assim, já que estamos diante da pessoa que amamos e que nos ama.

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Muitas vezes nós interpretamos as situações de uma forma tendenciosa e acreditamos que os outros querem nos magoar. Por isso, agimos em conformidade com esses pensamentos, de maneira que evitamos e não enfrentamos a situação, ou então atacamos o outro.

O medo se esconde dentro de nós: o medo de não ser aceito pelo outro, de não estar certo, de que não nos levem em conta, de não ser importante ou especial …

Outro motivo que complica a convivência entre um casal é o fato de não sabermos resolver conflitos.

É muito trabalhoso chegar a acordos que beneficiem todas as partes envolvidas. Muitas vezes o medo é o maior empecilho da boa convivência. Será que vale a pena “abrir mão de algumas coisas” em prol do bem-estar do outro? Onde fica o nosso orgulho? Para sair dessa situação, muitas vezes usamos a raiva e salvamos a nossa integridade pessoal nesse momento.

Mas, e a longo prazo? Com o passar do tempo, esse comportamento prejudica o relacionamento do casal. As discussões desgastam o relacionamento produzindo rancor, tédio e até mesmo medo do outro ou das discussões que ocorrem entre eles.

As acusações, tentar estar sempre certo, as disputas exageradas e não conseguir chegar a um acordo são situações que vão minando o relacionamento, e quando encontramos uma solução, pode ser tarde demais.

Poderíamos comparar o relacionamento com uma folha de papel amarrotada. Se tentarmos desamassar a folha, perceberemos que por mais que tentemos, sempre ficam pequenas rugas como resultado da pressão que exercemos sobre ela.

Conselhos para ter uma boa discussão

As discussões fazem parte de uma relação normal de casal, e não é conveniente fugir delas. Podemos aprender com as discussões, desde que saibamos como lidar com elas.

O fato de discutir ou não não é tão importante, mas sim a forma como discutimos, isto é, o que dizemos, como dizemos, etc.

Sugerimos alguns passos que você pode seguir quando enfrentar uma situação que representa um conflito:

  • Faça tudo com amor

Não esqueça que amamos a outra pessoa. O outro não se transformou magicamente em nosso inimigo e não é alguém que quer nos prejudicar. Pelo menos, não é normal que seja dessa forma. Se perceber que este é o seu caso, é melhor desistir.

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Em uma discussão normal de casal, preserve o amor, as palavras respeitosas e o carinho. Podemos não concordar com o outro, mas diga frases como: “Querido, eu não vejo isso dessa forma” ou “Meu amor, às vezes eu me sinto mal por você não me ajudar com a casa”.

  • Empatia

Coloque-se no lugar do outro e tente pensar como ele ou ela pensa. Isto não quer dizer que você concorda com a forma de ver as coisas da outra pessoa, mas que quer entender por que ela vê as coisas dessa maneira. Entenda que a outra pessoa tem o direito de pensar como quiser; ela tem as suas razões para pensar assim. O entendimento e a compreensão abrirão a sua mente.

  • Expressar nosso ponto de vista

Tendemos a julgar os outros e iniciar discussões com um “você”. São frases típicas, como por exemplo, “você me irrita”, “você não participa”, “você é um vagabundo.” Não use o dedo para acusar o outro e seja responsável por suas emoções.

Se eu estou me sentindo mal, o problema é meu porque estão passando por minha mente certas ideias que me causam desconforto. Portanto, a forma correta é dizer: “Eu sinto”. Por exemplo: “Eu sinto raiva quando vejo que você não recolhe as suas roupas”.

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  • A importância da linguagem não-verbal

Tudo o que dissemos deve ser feito com uma linguagem não-verbal adequada. Não adianta chamar de “amor” ironicamente ou pedir desculpas com os dentes cerrados. Precisamos falar e agir com verdade, portanto, é melhor ficarmos relaxados porque não estamos diante dessa ameaça que imaginamos. Estar relaxado significa uma postura aberta, contato visual, tom de voz tranquilo, etc.

Discutir de forma saudável é uma questão de inteligência comunicativa, mas também de autocontrole. Tudo isso, acrescido de muito amor, transforma uma discussão em algo construtivo, e não em uma guerra que abalará os alicerces do relacionamento.