Boas conversas nos dão felicidade

· maio 22, 2019
Não há nada como boas conversas, aquelas que temos com os nossos amigos ou mesmo com pessoas que acabamos de conhecer e com as quais, de repente, estabelecemos uma conexão inesperada.

As boas conversas constroem espaços seguros. São refúgios emocionais onde podemos trocar informações enriquecedoras, fortalecer a confiança e aliviar o estresse através de reforços positivos. Além disso, sabemos que até biologicamente essas conversas com pessoas conhecidas ou desconhecidas agem em nosso cérebro como um poderoso sistema de recompensa e bem-estar.

Uma conversa dinâmica, estimulante e produtiva entre duas ou mais pessoas age como uma verdadeira alquimia para os mecanismos neuronais. Dificilmente percebemos, mas com cada informação recebida, o motor da empatia é inflamado e os circuitos da dopamina e da serotonina são ativados para nos proporcionar uma agradável sensação de bem-estar e motivação.

A maioria de nós já experimentou esta maravilhosa injeção de energia positiva em inúmeras ocasiões. Assim, embora conversemos diariamente com muitas pessoas sobre as coisas mais diferentes, os diálogos realmente gratificantes não ocorrem com tanta frequência.

Muitas vezes nos encontramos de repente com um desconhecido, alguém com quem depois de uma troca de palavras surge a coincidência, a afinidade e essas boas conversas que dão origem a relações mágicas. Conta a história, por exemplo, que foi exatamente isso o que aconteceu com Henry James e Robert Louis Stevenson.

Estes dois grandes escritores se conheceram após a publicação da Ilha do Tesouro. Após aquele primeiro encontro, apesar da diferença de personalidade entre os dois, de suas nacionalidades, estilo de vida e escrita, após uma conversa informal começou uma amizade duradoura. Uma amizade que continuou por décadas de forma epistolar e com reuniões nas quais as suas conversas iam até o amanhecer.

“As boas conversas devem esgotar o assunto, não os interlocutores”.
– Winston Churchill –

As boas conversas e a conexão emocional

Certamente, Henry James e R. L. Stevenson, além de serem referências no mundo da literatura, também caracterizariam o que hoje conhecemos como Inteligência Conversacional. Este termo, introduzido no mundo da psicologia há apenas alguns anos por Judith E. Glaser, fala de uma ferramenta básica para o nosso desenvolvimento pessoal.

De fato, se há uma coisa que a maioria de nós sabe é que nem todo mundo consegue manter boas conversas. Truman Capote, por exemplo, costumava dizer que uma conversa é, acima de tudo, um diálogo, nunca um monólogo. Por esse motivo, esse tipo de conversa costuma se dar com pouca frequência, devido à escassez de pessoas inteligentes.

Devemos acrescentar algo a esta reflexão. Não é a falta de inteligência que limita a qualidade dos bons diálogos, é a falta de competência emocional. No entanto, atualmente o campo da inteligência conversacional está ganhando terreno, porque nele confluem dimensões básicas como a empatia, habilidades sociais, bom senso, confiança, integridade…

Conversar é mais do que falar

Conversar é mais do que um processo comunicativo para trocar informações. É um ato mais profundo e enriquecedor. Afinal, os diálogos, entendidos como o espaço onde dois ou mais indivíduos interagem, é algo que também ocorre no mundo animal.

  • Esses dados podem parecer surpreendentes, mas estudos realizados na Universidade de York em junho do ano de 2018 provam que realmente é assim. Animais como corvos, elefantes ou até vagalumes estabelecem um sistema de comunicação tão fascinante quanto revelador.
  • Agora, no caso das pessoas, poderíamos dizer que boas conversas são um passo maior do que meros processos comunicativos.
  • Outro estudo conduzido pelos médicos Alejandro Pérez, Manuel Carreiras e Jon Andoni Duñabeitia concluiu que os ritmos das ondas cerebrais entre duas pessoas que participam de uma conversa estão sincronizados. Nas palavras de um dos pesquisadores: “é um tipo de comunhão entre os nossos cérebros que vai além da linguagem e que constitui um fator-chave nas relações interpessoais”.
Boas conversas nos dão felicidade

As boas conversas nos dão felicidade

Quando conversamos com alguém, duas coisas podem acontecer: ou estamos confortáveis ​​ou não estamos. Não importa se é uma pessoa conhecida ou um estranho. Todos nós temos colegas de trabalho ou membros da família com quem nunca nos sentimos confortáveis.

Outras vezes, de repente, começamos boas conversas com alguém que acabamos de conhecer, alguém com quem sentimos afinidade e que não somente nos fornece informações interessantes. Além disso, eles nos dão uma sensação súbita de confiança e conforto. Nesses casos, se abre um espaço nesse universo emocional onde são formados os vínculos de grande qualidade interpessoal.

Assim, tanto quanto possível, seria aconselhável que propiciássemos tais situações. Trabalhos como os publicados pelo Dr. Matthias Mehl, em revistas especializadas como a Psychological Science, nos lembram que conversas vazias, ociosas e forçadas geram tensão e desconforto.

Amigos conversando na escola

Portanto, devemos ser aqueles exploradores sociais que sabem como gerar boas conversas. Exploradores que contam com pessoas importantes com as quais mergulhar em um diálogo inteligente, emocionante, confortável e enriquecedor. Afinal, é aí que está a felicidade, nesses espaços seguros onde você poderá aprender, entender e treinar o seu afeto.

  • Alejandro Pérez, Manuel Carreiras, Jon Andoni Duñabeitia. Brain-to-brain entrainment: EEG interbrain synchronization while speaking and listeningScientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-04464-4
  • E. Glaser, Judith (2013) Conversational Intelligence: How Great Leaders Build Trust and Get Extraordinary Results. Routledge
  • Steffensen, S. V. (2012). Care and conversing in dialogical systems. Language Sciences, 34(5), 513–531. https://doi.org/10.1016/j.langsci.2012.03.008
  • Schulz Von Thun, Friedemann (2012) El arte de conversar. Madrid: Herder