Escutar sem empatia: a desconexão emocional

janeiro 20, 2019
Escutar sem empatia dói. No entanto, também é preocupante que quem quer que tenhamos diante de nós entenda o que sentimos naquele momento, mas, no entanto, não faça nada a respeito.

Escutar sem empatia é olhar sem ver. É dizer sim com o rosto enquanto a mente está ausente, desconectada e afastada emocionalmente de quem está na frente. Poucas competências são tão essenciais para construir relacionamentos fortes e significativos como comunicação e a escuta empática, aquela na qual você pode se conectar com os olhos, os sentimentos e a vontade.

Apenas alguns meses atrás, o psicólogo da Universidade de Yale, Paul Bloom, especialista em ciências cognitivas, percorreu o mundo em busca de alguns comentários controversos sobre empatia. Segundo ele, essa dimensão é pouco positiva. No entanto, para entender o que ele quis dizer com essas palavras, é necessário aprofundar sua mensagem.

De acordo com o professor Bloom, às vezes, por trás dessa dimensão se esconde um ato de falsidade. Uma pessoa pode, por exemplo, ter empatia com o que o casal está explicando, mas não se importar. Ou seja, todos nós, de alguma forma, somos capazes de nos colocar no lugar de outras pessoas, mas depois agir com total indiferença.

Portanto, poderíamos concluir com total precisão que a empatia não serve de muito se não houver uma atitude proativa, uma sensibilização verdadeira e uma atitude ativa em relação a quem está diante de nós. Além disso, como o professor Bloom aponta, às vezes há pessoas que realizam certos comportamentos baseados na empatia, mas não os fazem para ajudar os outros, e sim para se sentirem bem consigo mesmas.

Tudo isso nos encoraja a refinar um pouco mais a ideia que temos desta característica. Não basta apenas estar presente, sentir e mostrar que entendemos a realidade do outro. É necessário manifestar ativamente esse sentimento, essa conexão.

“O presente mais precioso que podemos dar aos outros é a nossa presença. Quando toda a nossa atenção envolve aqueles que amamos, eles florescem como flores”.
-Thich Nhat Hanh-

Escutar sem empatia, um comportamento tristemente comum

Escutar sem empatia, um comportamento tristemente comum

Escutar sem empatia é algo mais comum do que podemos pensar a princípio. Além disso, às vezes tendemos a ritualizar tanto nossas interações cotidianas que não percebemos a falta de conexão emocional, essa que, quase sem saber, dirigimos a quem está diante de nós.

Um exemplo muito característico são os pais e mães que respondem quase automaticamente aos filhos quando explicam algo a eles. São frases banais como “sim, este desenho está muito bonito” ou “sério? que interessante“, enquanto os pegam na escola ou enquanto estão ocupados com outras coisas e as crianças tentam explicar o que fizeram durante o dia.

Essas dinâmicas não significam que amamos menos nossos filhos, de maneira alguma. Significam que às vezes não temos tempo para estar presentes e nos limitamos apenas a ouvir sem empatia, porque a vida é agitada, porque nossas jornadas fazem nosso pensamento estar em todos os lugares (e em nenhum ao mesmo tempo).

Respostas não empáticas que impedem a conexão emocional

Todos nós já tivemos esse mesmo sentimento, quando estamos conversando com uma pessoa que permanece ausente, que diz sim com a cabeça enquanto seus pensamentos estão a quilômetros de distância. No entanto, é comum que sejam apresentadas outras situações onde nos dão um tipo de respostas, comentários ou reflexões que, longe de ajudar, atuam como muros, como arame farpado na conexão emocional.

São as seguintes:

  • Resposta consultiva: o que você deveria fazer…
  • Resposta pessoal enfática: Você é um exagerado, isso não é nada!
  • Corretiva: que você diz não está certo.
  • Interrogativa: e agora por que você diz/pensa/faz isso?
  • Resposta desculpa: Eu sei que isso te preocupa, mas eu não posso te ajudar agora porque…

Como vemos, com esses tipos de respostas percebemos que às vezes é melhor que não tivessem nos dito nada. Assim, ao fato de ouvir sem empatia, muitas vezes se acrescenta outro problema: emitir respostas que quebram a compreensão empática.

Cultivar uma empatia autêntica e com uma atitude ativa

Cultivar uma empatia autêntica e com uma atitude ativa

Todos nós podemos ser (e certamente seremos) pessoas empáticas. Além disso, estudos como o realizado pelo Dr. Anthony David, do Instituto de Psiquiatria do DeCrespigny Park, em Londres, mostram que já é possível medir a empatia e obter nosso próprio coeficiente empático.

Se o fizéssemos, sem dúvida perceberíamos que todos nós possuímos essa dimensão, mas algo em que tendemos a falhar é em uma de suas dimensões principais: capacidade social. Ou seja, somos empáticos, mas não usamos essa competência de maneira eficaz.

Isso faz com que às vezes nos limitemos a escutar sem empatia; entendemos o outro, mas reagimos de maneira inadequada ou a outra pessoa não sente que a entendemos com autenticidade. Portanto, é necessário que tenhamos as seguintes chaves em mente.

Como usar a empatia de forma eficaz

  • A empatia requer tempo e saber estar presente, sem pressa e sem desculpas.
  • A atitude empática se vale primeiro do olhar. Precisamos olhar para o outro sem julgar, com proximidade e carinho.
  • Em segundo lugar, devemos saber como responder. As críticas, os julgamentos ou o “eu no seu lugar teria feito” não ajudam nesses casos.
  • Por sua vez, a empatia precisa, acima de tudo, ser proativa. Porque quem demonstra que entende, mas não faz nada, erra. Porque fazer acreditar que somos valiosos, mas nos negligenciar mais tarde, deixa uma marca e dói.

Para concluir, não vamos supor que todos nós somos especialistas nesse campo. Sempre temos algo a aprender, a aperfeiçoar, a melhorar na prática cotidiana da empatia. Vamos, portanto, começar por nós mesmos para dar o melhor aos outros e, assim, cuidar das nossas relações pelo que são: verdadeiros tesouros.

  • Shari M. Geller and Stephen W. Porges, “Therapeutic Presence: Neurophysiological Mechanisms Mediating Feeling Safe in Therapeutic Relationships” Journal of Psychotherapy Integration, 2014, Vol. 24, No. 3, 178–192.
  • Lawrence, EJ, Shaw, P., Baker, D., Baron-Cohen, S., y David, AS (2004). Medición de la empatía: fiabilidad y validez del cociente de empatía. Medicina psicológica , 34 (5), 911–919. https://doi.org/10.1017/S0033291703001624