Burnout em profissionais da área da saúde

janeiro 16, 2020
Os profissionais da área da saúde são continuamente expostos a situações estressantes. Trabalhar cuidando da saúde dos demais, muitas vezes correndo contra o tempo e em outras sem os recursos necessários, pode gerar um alto estresse ocupacional.

Trabalhar na área da saúde é uma tarefa complexa e, em muitas ocasiões, complicada. Os profissionais trabalham para manter e melhorar a saúde das pessoas, e isso pode ser muito estressante. Infelizmente, atualmente existe uma alta prevalência da síndrome de burnout em profissionais da área da saúde.

Em 1943, Abraham Maslow situou a saúde na base da sua pirâmide de necessidades, junto com as fisiológicas, como dormir, comer, respirar, etc. Além disso, também incluiu a segurança física no segundo degrau da pirâmide, em conjunto com as necessidades de segurança.

Portanto, a importância da saúde para as pessoas é inegável. Carecer dela – ou ter a percepção de carecer dela – provoca uma falta de segurança e uma sensação de ameaça nas pessoas.

Médico sofrendo de burnout

Causas do burnout em profissionais da área da saúde

O entorno hospitalar é um espaço no qual ocorrem situações com um altíssimo teor emocional. Tanto pacientes quanto familiares podem experimentar reações emocionais intensas nas quais o profissional de saúde pode estar envolvido.

Nesse sentido, os estudos que analisam os estressores nos profissionais da área de saúde indicam que eles são, principalmente, os seguintes:

  • Horários de trabalho.
  • Atendimento a indivíduos doentes que, em alguns casos, enfrentam crises.
  • Sentimento provocado pela morte.
  • Demandas das pessoas que não ficam satisfeitas com os serviços recebidos.

Além disso, os profissionais médicos também destacam os seguintes pontos:

  • Transmitir más notícias a pessoas que já se encontram em um momento físico e emocional “delicado”.
  • Altas expectativas por parte dos pacientes no profissional de saúde.
  • Trabalhar contra o tempo em situações de muito estresse.
  • Sobrecarga de trabalho.
  • Falta de recursos para oferecer um atendimento ótimo ao paciente.

Também cabe mencionar os fatores interpessoais que não são específicos do âmbito da saúde. Os mais comuns são a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e as relações entre os próprios profissionais.

Por tudo isso, é necessário contar com estratégias para mitigar o estresse que dificulta o trabalho de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e demais profissionais.

Reduzir o burnout nos profissionais de saúde

A síndrome de burnout em profissionais da área da saúde gera:

  • Insatisfação profissional.
  • Deterioração do ambiente laboral.
  • Redução da qualidade do trabalho.
  • Absenteísmo.
  • Abandono da profissão.
  • Adoção de posturas passivo-agressivas nos pacientes.

Para solucionar estas situações, seria necessário fazer mudanças em estratégias, estruturas laborais, metodologias, etc. No entanto, o profissional também pode desenvolver certas habilidades para reduzir o seu estresse ocupacional. Explicaremos as mais importantes a seguir.

Habilidades de comunicação

Um estudo recente sobre o burnout em profissionais da área da saúde investigou a influência das habilidades de comunicação nesta relação. Suas conclusões indicaram que os profissionais que contam com boas habilidades comunicativas sofrem menos de esgotamento emocional. Além disso, se sentem mais realizados no trabalho.

As habilidades de comunicação não beneficiam apenas o profissional. Elas também influenciam o paciente de maneira positiva. Na verdade, a comunicação com o paciente é uma parte essencial do processo assistencial. Ela proporciona segurança e, portanto, melhora a qualidade da prática clínica.

Médica cuidando de pessoa idosa

A relação terapêutica

Os estudos indicam que os resultados clínicos melhoram quando há uma relação terapêutica melhor. Isso é explicado pelas seguintes causas:

  • Melhor capacidade diagnóstica ao conhecer variáveis psicossociais do paciente.
  • Aumento do efeito placebo.
  • Maior aderência ao tratamento e a condutas diagnósticas.
  • Escolhas mais realistas em razão da participação dos pacientes na tomada de decisões.

A inteligência emocional

Existe uma relação negativa entre a inteligência emocional e o estresse ocupacional. A maioria dos estudos centram sua análise na enfermagem. Ainda assim, os resultados podem ser extrapolados para outros âmbitos da área da saúde.

Eles indicam que, quanto maior é o treinamento em inteligência emocional, menor é o estresse e maior é a prevenção do burnout.

Uma forma de aumentar a inteligência emocional é por meio do desenvolvimento da regulação emocional. Isso acontece porque a psicologia a considera um processo básico da inteligência emocional. Por meio da regulação emocional, seremos capazes de controlar e gerenciar as emoções em situações estressantes.

Em conclusão, é inegável que os profissionais de saúde são submetidos a situações de estresse com frequência. Em muitas ocasiões, o profissional não pode alterar os fatores externos que o envolvem de maneira individual; no entanto, ele pode trabalhar aquelas variáveis internas que também agem como moduladoras do estresse.

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