Fique de pé, com a cabeça erguida e recupere seu poder

· julho 21, 2018

Recupere seu poder com a cabeça erguida, não ceda uma vez mais diante do que não gosta ou não quer. Você tem voz para falar, um olhar que se nega a ver a vida com medo e uma presença que exige mais espaço. Fique de pé, porque a verdadeira altura não se mede em centímetros, se percebe na coragem, no respeito e na determinação pessoal.

Dizia Montesquieu que para deter aquele que abusa de seu poder é preciso que outro poder o pare. De algum modo, é como se estivéssemos sempre submetidos a um jogo de forças onde controlamos uns aos outros, nos medimos, nos submetemos e nos desafiamos. Longe de viver em harmonia, somos uma sociedade que sempre amou as hierarquias e a consequente discriminação que elas implicam.

“Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, e sim sobre si mesmas”.
– Mary Wollstonecraft –

Isso é tão verdade que, se analisarmos por um momento a palavra “poder” a partir de um ponto de vista psicológico, encontraremos vários estudos nos quais sempre são usados os mesmos termos: autoridade, alienação, ameaça, medo, interdependência e, principalmente, submissão de “B” diante de “A”.

Faz pouco tempo que este conceito está experimentando mudanças interessantes e inspiradoras. Hoje em dia, a psicologia coloca à nossa disposição a área chamada “poder pessoal”, na qual longe de existirem jogos de forças, diferenças ou ameaças de um grupo sobre outro, nasce algo distinto.

Falamos da oportunidade de reunir forças internas, de “nos empoderarmos” para alcançar nossos objetivos e criar uma sociedade mais igualitária. Para isso, devemos trabalhar primeiro em nosso poder pessoal, nossa autoconfiança, nosso potencial, e despertar também o amor próprio, que não vê fronteiras em seu horizonte.

Mulher com um tampão no rosto

Aprenda a dizer “não” com a cabeça erguida

É momento de entender a palavra “poder” de outra forma. Temos que ser capazes de vê-lo como um despertar, como uma tomada de consciência do que merecemos, do que podemos fazer por nós mesmos e, não menos importante, pela própria sociedade. Existe um livro muito interessante sobre este mesmo tema do antropologista William Ury, com título “O poder positivo de um NÃO”, que nos convida a fazer uma profunda reflexão.

Em grande parte dos contextos nos quais existe uma clara diferença de poder, onde uns exercem sua influência e outros ficam subordinados por diferenças sociais, econômicas ou de gênero, existe um fato que quase sempre se repete. Quem se localiza no topo da pirâmide da influência está habituado a obter sempre aquilo que deseja. A vida, as pessoas que o envolvem, por assim dizer, sempre disseram “sim” a qualquer projeto, a qualquer capricho, objetivo elevado ou desejo infantil.

Como explica o doutor William Ury, este tipo de pessoa exerce sua influência através do império do medo. Assim, se você quiser recuperar seu poder, deve fazer algo tão simples quanto dizer “não” quando assim acreditar, precisar ou considerar. É preciso impor limites a quem está acostumado a ver seu horizonte pessoal livre de obstáculos.

Mulher com flores na cabeça

Devemos considerar outro aspecto. Não basta que uma só pessoa tenha a coragem de dizer “não”. Nenhuma mudança acontece com uma voz solitária e com um valente que se atreve a dar o passo de forma isolada. Os grandes movimentos nascem da união de muitos “nãos” se elevando em uma mesma voz.

Isso é o que estamos vendo com o movimento #MeToo. Foram muitas as mulheres que se atreveram a dar o passo em seu momento, mas ninguém quis escutá-las, muito menos acreditar nelas. Atualmente a sociedade está mais receptiva, e elas se uniram para deixar o medo de lado e visibilizar uma realidade onde o abuso de poder chegou a limites inadmissíveis.

Seu poder está dentro de si, desperte-o

Seja homem ou mulher, tenha a idade que for e seja qual for a situação na qual se encontre, lembre-se: você tem um poder dentro de si e pode fazer bom uso dele. Esse impulso interno deve capacitá-lo para encontrar seu lugar no mundo, o lugar que você quer e não o que os outros desejam. Essa força deve ser criativa, deve ser uma chama capaz de guiá-lo em momentos de escuridão e, por outro lado, poderosa o bastante para reconfortar e guiar os outros.

Para conseguir, podemos trabalhar os seguintes aspectos:

  • Explore a sua identidade, defina seus valores, tome consciência do que o define e do que considera inadmissível.
  • Explore as suas habilidades e seus potenciais. Descubra também quais são suas limitações.
  • Reflita sobre a sua posição na sociedade, principalmente sobre o papel que tem em seus contextos cotidianos. Você se sente identificado com o que esperam de você e com o que você deseja?
  • Reformule os aspectos da sua realidade social e pessoal que não lhe agradam. Seja capaz de fazer de si mesmo a pessoa que quer de verdade, sem medo, deixando de lado os preconceitos e as vozes críticas.
Mulher com pássaro

Por último, é fundamental que, em seu dia a dia, você invista tempo e esforço para trabalhar em seu crescimento pessoal, habilitar sua autoestima, sua assertividade, sua confiança em si mesmo… Seu poder se alimenta de suas seguranças internas e da consciência de que você merece algo melhor. Somente então se negará a abaixar a cabeça, somente então fará parte desse movimento baseado no respeito, na igualdade e no ideal de conseguir uma sociedade mais digna para todos.

Imagens cortesia de Hülya Özdemir.