Como a carência emocional devora o amor

Como a carência emocional devora o amor

setembro 21, 2015 em Emoções 1133 Compartilhados
homem carregando mulher

Lembra da última vez que sentiu fome? Quero dizer fome de verdade. Aquela fome que nos conduz e nos incita a comer muito como resultado. Curiosamente, algo análogo acontece a nível psicológico quando as pessoas foram privadas de amor na infância. O problema é que a “comida”, neste caso, são pessoas infelizes que são “devoradas” emocionalmente pelos famintos emocionais.

Em nome do amor

Sem dúvida, receber o amor é essencial para o bem-estar e a saúde emocional, especialmente para uma criança. A falta de amor durante a infância é muito grave, uma vez que ela altera profundamente o equilíbrio psicológico. Assim, ao atingir a idade adulta, essa pessoa vai agir movida pela falta e pela carência, ela vai tentar desesperadamente suprir isto através de relacionamentos de dependência, imaturidade e invasão.

O detalhe importante é que esta forma de agir não é consciente. O indivíduo em questão simplesmente acredita que está dando amor. Ele só sabe que ele precisa estar perto, muito perto do outro; mas tão perto, que invade a sua privacidade, se mete em todos os assuntos e vai além de seus limites, tanto físicos quanto emocionais. Resultado? Isso deixa os outros traumatizados.

Pais devoradores emocionais

Se para um adulto é suficientemente traumático ser vítima de uma fome ou carência emocional, o caso é muito mais grave quando uma criança está sob os cuidados de tais adultos. As crianças são extremamente vulneráveis, porque elas ainda têm que desenvolver os recursos emocionais e intelectuais que lhes permitam se proteger e se afastar do dano emocional.

Os comportamentos que estes tipos de pais têm com os filhos são:

– Superproteção

– Interferência nos seus assuntos pessoais

– Preocupação excessiva com a sua saúde deles

– Contato físico excessivo e permanente

– Isolamento social da criança

É claro que aspectos como a proteção, cuidados, etc. são indispensáveis, mas quando oferecidos corretamente. Na verdade, os comportamentos mencionados acima produzem efeitos devastadores no desenvolvimento normal da criança. Infelizmente, as crianças tornam-se ansiosas e dependentes, já que elas estão acostumadas a serem controladas e invadidas. Emocionalmente, podem ser bem explosivas ou inexpressivas. Além disso, a autoestima é baixa, porque elas não são tratadas com dignidade e respeito e, portanto, acreditam que os outros têm o direito de irem além de seus limites.

No futuro, estas crianças podem encontrar problemas graves para viverem em sociedade como adultos, tanto a nível profissional quanto emocional. Suas ansiedades, inseguranças e falta de recursos emocionais e sociais as colocarão em franca desvantagem contra os desafiantes do mundo exterior.

Amor verdadeiro

O verdadeiro amor é muito diferente. Ao invés de ser comedor e devastador como um incêndio, é nutritivo e construtivo. Ele é emocionalmente saudável, não sendo focado em carência emocional. Quando isto ocorre, os pais são sensíveis às necessidades da criança e se sintonizam com ela. Como resultado, a criança vai crescer segura, feliz e independente. Um pai que é capaz de dar “amor maduro e saudável” pode ser reconhecido pelas seguintes características:

– É compassivo com ele mesmo e com a criança

– Mantém uma distância saudável e está ciente dos limites entre os dois

– Trata a criança com respeito e não é abusivo nem superprotetor

– Permite à criança viver as suas próprias experiências, com supervisão, de acordo com sua idade

– A comunicação é fluida, espontânea e natural

Quando adultos, essas crianças serão capazes de ter intimidade e relacionamentos harmoniosos e estarão equipadas com todos os recursos emocionais e sociais para desenvolverem seus potenciais em diferentes áreas de suas vidas.

Embora seja muito doloroso enfrentar seu próprio vácuo emocional, isso é preferível a causar danos irreparáveis a pessoas inocentes, como as crianças. É necessário olhar para dentro e assumir a responsabilidade pelas próprias deficiências. No final, como seres humanos que somos, estamos todos – em maior ou menor medida – feridos, e será preciso curar diferentes aspectos de nós mesmos.

Imagem cortesia de Teresa Yeh Photography

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