Cérebro artificial: avanços e possíveis usos

10 Junho, 2020
Replicar o cérebro humano e criar um cérebro artificial é um dos objetivos dos neurocientistas e especialistas em robótica. Em outras palavras, há pesquisas destinadas a replicar as habilidades cognitivas do cérebro humano ou animal usando softwares e hardware.
 

A ideia de criar um cérebro totalmente eletrônico é o assunto de muitos filmes e romances de ficção científica. No entanto, pouco a pouco, ela está se tornando realidade. Existem vários projetos que estão unindo as melhores mentes do planeta para construir o primeiro cérebro totalmente artificial.

Considera-se que o desenvolvimento do cérebro artificial permitirá a criação de uma inteligência artificial tão ou mais avançada do que a inteligência humana. Para isso, é preciso reconstruir e reinterpretar desde moléculas simples até as conexões neurais complexas.

A seguir, discutiremos os possíveis usos do cérebro artificial e seus avanços mais recentes, especialmente o projeto Blue Brain liderado pela IBM.

Possíveis usos do cérebro artificial

Os possíveis usos do cérebro artificial dependem das motivações de cada centro de pesquisa responsável pelo seu desenvolvimento. Alguns fazem isso para obter uma melhor compreensão do cérebro humano e animal, enquanto outros têm como objetivo buscar a imortalidade. Estes últimos são conhecidos como transumanistas.

Essas pesquisas geralmente são financiadas por bilionários excêntricos que querem evitar a morte. A ideia principal é de que eles poderiam viver para sempre transferindo sua consciência e as memórias do seu cérebro biológico para um cérebro artificial.

Conexões do cérebro humano
 

Além desses usos um tanto fictícios, existem também os usos científicos do cérebro artificial. Estes podem ser resumidos em três aspectos importantes para a ciência:

  • Compreender mais profundamente o cérebro humano e, assim, saber como tratar certas doenças cerebrais, além de expandir a cognição humana a níveis nunca antes vistos.
  • Testar uma teoria dentro da filosofia da inteligência artificial. Estudar a possibilidade de criar uma máquina com as mesmas habilidades cognitivas humanas.
  • Criar uma máquina capaz de executar ações gerais inteligentes. Em outras palavras, criar uma máquina tão inteligente quanto um ser humano, com capacidades de adaptativas de aprendizagem. Dessa maneira, seria possível resolver os problemas do dia a dia através da inteligência artificial contida em um cérebro artificial.

Últimos avanços

Apesar dos grandes avanços em robótica e informática nos últimos anos, ainda não foi possível replicar o cérebro humano. Isso se deve à grande dificuldade dessa tarefa, já que seria necessário simular a relação entre mais de 100 bilhões de neurônios.

O projeto mais conhecido e seguido pelos demais especialistas em cérebro humano e em computação é o realizado pela IBM e pela L’École Polytechnique Federal de Lausanne da Suíça (EPFL), que se chama Blue Brain (cérebro azul).

O Blue Brain tem como objetivo construir um cérebro artificial tendo como base inicial a atividade cerebral de um roedor. Eles fazem isso com um grande computador composto por outros computadores menores, que representam cada neurônio reconstruído.

 

Estima-se que o cérebro de um rato tenha 100.000 colunas com 10.000 neurônios cada. No caso do ser humano, esse número se multiplica de forma exponencial. Pode chegar a ter 2 milhões de colunas, com 100.000 neurônios cada.

Essa reconstrução do cérebro de um roedor tem como objetivo de longo prazo ter uma melhor compreensão do funcionamento do cérebro humano. Especificamente, como os seres humanos pensam, lembram e raciocinam.

Esse projeto começou em 2008 e os resultados mais promissores devem ser utilizados na prática a partir de 2050, seja expandindo a capacidade humana ou sendo capaz de transferir o conteúdo de um cérebro humano para um cérebro artificial.

Ondas em cérebro iluminado

Críticas ao desenvolvimento artificial do cérebro

Alguns neurocientistas consideram que é melhor concentrar esforços para desenvolver ações inteligentes gerais sem a necessidade de imitar e replicar a natureza do cérebro humano. Eles argumentam que esta seria uma tarefa titânica e até um tanto perigosa.

Por outro lado, há questões éticas que devem ser resolvidas ao desenvolver o cérebro artificial definitivo, especificamente em relação à sua manutenção, o relacionamento com os seres humanos, o desenvolvimento da sua personalidade, seu sistema de aprendizado, liberdades e possível morte. Em outras palavras, a criação seria considerada humana? Quais direitos teria? Poderia ser desativada? Etc.

 

Embora pareça que falta muito tempo para desenvolver um cérebro artificial completo, na verdade ele está logo ali, virando a esquina! Muitos pesquisadores consideram que a velocidade de desenvolvimento desses projetos está sendo mais rápida do que o esperado, e que os resultados são extremamente promissores.

Portanto, as perguntas devem ser feitas e respondidas não apenas no campo tecnológico, mas também nos campos social, ético e moral ao ativar o hipotético primeiro cérebro artificial.

 
  • Markram, Henry (2006). “The Blue Brain Project”. Nature Reviews Neuroscience, Vol. 7: 153 – 160.