No que o cérebro trabalha enquanto dormimos?

novembro 25, 2019
O sono noturno é o momento em que o cérebro recupera a energia gasta e processa a informação adquirida durante o dia. É, por isso, um processo verdadeiramente importante.

O sono é um processo tão fascinante quanto necessário para qualquer ser humano. Devido à escassa informação fisiológica e neuroanatômica que possuíamos tempos atrás, esse fenômeno sempre esteve rodeado de mistério e especulações. No entanto, hoje em dia contamos com várias pesquisas que nos permitem entender um pouco melhor como o nosso cérebro trabalha enquanto dormimos.

O elemento mais chamativo do sono sempre foi o seu conteúdo: pesadelos e sonhos sem sentido aparente que podem nos manter o dia todo tentando esclarecer seu significado. No entanto, enquanto dormimos o cérebro desempenha inúmeras funções essenciais para a nossa sobrevivência e bem-estar.

Mulher dormindo tranquilamente

O que acontece no cérebro enquanto dormimos?

Durante o descanso noturno, passamos por diversas fases com níveis de atividade cerebral distintos: quatro de sono não REM e uma última de sono REM.

  • Durante a fase 1, sentimos sonolência, nossos músculos começam a relaxar ao mesmo tempo que a atividade cerebral desacelera. No entanto, trata-se de um estado de sono leve, em que podemos acordar facilmente.
  • Na fase 2, nossa temperatura corporal, frequência cardíaca e respiratória começam a diminuir progressivamente.
  • Durante as fases 3 e 4, sentimos um sono mais profundo e a atividade cerebral mantém uma frequência muito lenta. Nesse momento, é mais difícil acordar e é quando ocorrem as parassonias, como os terrores noturnos e o sonambulismo.
  • Durante o sono REM, ocorrem movimentos oculares rápidos. Nosso tônus muscular diminui drasticamente e nossa respiração e frequência cardíaca se tornam irregulares. Nessa fase, ocorre a maior parte dos pesadelos e sonhos. Se acordarmos nessa fase, geralmente conseguiremos nos lembrar de forma vívida do conteúdo do sonho.

Um ciclo completo de sono dura aproximadamente 100 minutos, sendo os primeiros 60 ou 70 minutos usados para passar pelas quatro primeiras fases. Portanto, ao longo de um descanso noturno normal, temos entre quatro e seis ciclos completos. 

No que o cérebro trabalha enquanto dormimos?

Aprendizagem e memória

Foi comprovado que a retenção da memória é muito melhor depois de um período de sono do que após um intervalo de descanso similar, mas permanecendo em estado de vigília.

O efeito positivo do sono é verificado, sobretudo, na memória declarativa (relacionada com fatos e eventos que ocorreram) e na procedimental (associada a habilidades e destrezas motoras).

Mesmo períodos muito breves de sono, como de 6 minutos, têm uma influência positiva sobre a retenção de informação. No entanto, quanto maior a duração do sono, mais positivo é esse efeito.

Também é interessante ressaltar que o tempo transcorrido entre a aprendizagem e o sono tem relevância. Por isso, se você deseja consolidar alguma informação, o sono irá ajudá-lo se você dormir depois de repassá-la.

Conservação da energia

Embora essa não seja a principal função do sono, é verdade que ele contribui para a conservação ou restauração da energia perdida durante o dia.

Especialmente nos estágios 3 e 4, reduzimos nossa taxa metabólica: ocorre um resfriamento do corpo e diminuem tanto a frequência cardíaca e respiratória quanto o consumo de oxigênio e o tônus muscular.

Além disso, quando o gasto de energia diurno tiver sido elevado, aumentam a duração do sono e a quantidade de sono leve.

Restauração

O sono é imprescindível para combater o cansaço diário e restituir o organismo ao seu estado original.

Foi comprovado que o aumento da quantidade de sono que se segue a períodos de estresse serviria para compensar a carga mental do cérebro. Enquanto a fadiga física se relaciona ao repouso, a mental precisa, mais especificamente, de sono.

Homem dormindo em sua cama

Busca por soluções

Provavelmente, muitos de nós já escutamos a frase: “Tenho que verificar com meu travesseiro”. Essa expressão tem uma base de realidade: foi comprovado que os indivíduos que passam mais tempo dormindo na fase REM encontram soluções mais criativas. 

Sonhar está relacionado com nossa capacidade criativa e resolutiva. Ao fazer isso, nosso cérebro interpreta as informações e combina as ideias.

Aqueles sonhos estranhos, nos quais parece não haver sentido, são o modo como seu cérebro processa, indaga e ensaia diferentes soluções e modos de enfrentamento de problemas reais.

Por tudo isso, é essencial ter um sono de qualidade. Seu corpo, mas sobretudo sua mente, precisam desse período para se restaurar, consolidar informações e encontrar novas perspectivas e soluções. Cuidar do seu sono é cuidar do seu cérebro.

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