Comer por tédio: por que fazemos isso?

13 Outubro, 2020
Você sabia que comer devido ao tédio pode ser tão natural quanto prejudicial à saúde? Vamos explorar a natureza desse comportamento.

O ato de comer pode ser explicado a partir de vários pontos de vista. O que mais conhecemos costuma ser o biológico, mas também é necessário explorar outras explicações. Por meio deste artigo, mostraremos outras perspectivas para explicar por que é comum “comer por tédio”.

Trata-se de um comportamento que se manifesta em muitas pessoas, mas que é possível mudar. Pode ou não ser necessário fazer isso. O que devemos levar em conta é que este comportamento não é saudável, já que comer em excesso, quando se torna um hábito, pode ser bastante perigoso.

Vamos nos aprofundar também na tendência que isso representa. Além disso, enfatizaremos quais estratégias podemos usar para evitar esse comportamento e explicaremos quando ele se torna prejudicial à saúde.

Homem comendo pizza no sofá

O que significa comer por tédio?

Costumamos comer para obter combustível para que o organismo funcione corretamente. Embora sejamos seres integrais, outras áreas importantes para o nosso bem-estar também nos influenciam, como é o caso das áreas emocional e social. Por essa razão, comemos por prazer, por influência social, etc.

Agora, vamos ver o significado das duas palavras associadas. De acordo com o dicionário da Real Academia Espanhola, comer significa ‘ingerir alimentos’, e tédio significa ‘cansaço de ânimo originado pela falta de estímulo, distração ou por desconforto repetido’.

Então, comer por tédio quer dizer que ingerimos alimentos quando nosso ânimo encontra-se cansado. Isso tem a ver com o âmbito emocional. De fato, falamos de fome emocional quando buscamos na comida o que não conseguimos resolver de outras formas.

Quando é prejudicial para a saúde? Por que ocorre? E quando é saudável?

Comemos por tédio porque a alimentação também está associada a padrões de aprendizado. Então, o que nos impulsiona a comer pode estar determinado por diversas circunstâncias.

Quando nos sentimos entediados, entramos em um círculo vicioso no qual nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos intervêm. Então, o fato de não saber o que fazer nos deixa sobrecarregados. Para romper com esse ciclo, buscamos algo para nos entreter. Neste caso, o alimento.

A fome emocional e o tédio

Por não sabermos o que fazer com a nossa mente, podemos decidir usar o nosso corpo como mecanismo de defesa para evitar a angústia. Assim, comer por tédio possui a característica de ser urgente, de não ter limite, gerar culpa e vergonha e ser um comportamento repentino. A fome fisiológica é gradual, pode esperar e não costuma gerar emoções negativas.

De fato, pesquisas recentes enfatizam a relação entre comer em excesso e as emoções. Córdoba e seus colegas, em um artigo publicado na Revista Psicología y Salud,, mostraram como as pessoas comem em excesso diante de emoções negativas.

Também comemos por tédio porque o ato de comer é um comportamento aprendido, e nos vemos condicionados a comer em certos momentos. Uma outra razão pode ser porque tentamos preencher os espaços vazios com comida de forma inconsciente. Então, começamos a associar emoções com situações que já experimentamos e que nos levam a recorrer à comida.

Assim, toda vez que elas acontecerem novamente, pensaremos em comida e em comer, caso tenhamos associado a comida ao tédio. Isso se torna prejudicial para a saúde quando o fazemos de forma excessiva, ou seja, quando transformamos isso em um hábito.

Além disso, podemos estar sempre comendo por causa do tédio, porque o comportamento de comer faz com que neurotransmissores como a dopamina, responsáveis ​​pelo comportamento motivado, sejam liberados.

Por outro lado, há ocasiões nas quais não sabemos como reagir e podemos comer por tédio, principalmente diante de situações estressantes. Isso pode ser parte de um processo adaptativo e natural, sempre e quando for circunstancial.

Mulher sem apetite

Estratégias para evitar esse comportamento

Comer por tédio é um ato que nem sempre acontece de forma consciente. Identificá-lo já é um bom primeiro passo em direção ao nosso bem-estar. Como podemos evitá-lo? Vamos ver algumas estratégias a seguir:

  • Mudar de atividade. Em vez de comer quando sentimos tédio, podemos tentar fazer outra atividade que favoreça o nosso bem-estar e nos tire do tédio. Um bom exemplo é fazer exercícios, pois isso eleva nosso nível de endorfinas e nos ajuda a sentir felicidade.
  • Registrar o que comemos. Consiste em tomar nota de todas as nossas refeições diárias. Assim, será possível saber o que comemos, quando fizemos isso e onde estávamos. A partir dessa autoexploração, podemos tomar decisões para acabar com o ato de comer por tédio.
  • Evitar comprar. Se você sabe quais alimentos costuma comer por tédio, evite comprá-los para não tê-los facilmente ao alcance.
  • Tempo. Não deixe passar muito tempo entre uma refeição e outra.
  • Satisfação. Se comermos alimentos que nos satisfazem, será mais difícil comer por tédio porque já estaremos “cheios”.
  • Lidar com as emoções. Consiste em reconhecer as nossas emoções, explorá-las e não deixar que nenhuma delas seja protagonista. Assim, evitamos comer emocionalmente. Para fazer isso, também é necessário um pouco de autoconhecimento e vontade.

Para fazer essa gestão, podemos buscar a ajuda de profissionais especialistas, como nutricionistas, médicos e psicólogos. O importante é buscar estratégias que façam com que a nossa vida seja saudável e não tóxica.

Resumindo, comer por tédio é algo que acontece por diferentes razões. Às vezes acontece para preencher um vazio, outras como mecanismo de defesa ou por comportamento aprendido. Outras para romper um círculo vicioso, outras para a satisfação gerada devido à liberação de neurotransmissores, etc. É importante identificar se realmente comemos de forma excessiva ou não para tomar medidas e optar por um caminho que favoreça o bem-estar.

Córdoba, D.L., Cacho, A.E.K., & Morales, M.H.C. (2002). Relación entre el comer en exceso y el manejo de las emociones: una experiencia con estudiantes. Psicología y Salud 12(2), 261-268.