Como treinar o cérebro para manter a esperança

07 Setembro, 2020
Treinar o cérebro para manter a esperança pode ajudar a reduzir o impacto do estresse e da ansiedade. Da mesma forma, ser capaz de transmitir esperança às pessoas próximas permite criar ambientes mais seguros e mais estimulantes do ponto de vista emocional.
 

É possível treinar o cérebro para manter a esperança, e qualquer momento é bom para fazer mudanças, evoluir mental e emocionalmente e integrar novos esquemas de pensamento com os quais você possa viver com melhores recursos. Da mesma forma, você não pode ignorar uma coisa: intensificar tudo isso melhora diretamente a sua saúde mental.

Existe outro fator não menos importante: você não deve apenas ser capaz de aumentar e manter a esperança, mas também saber transmiti-la aos outros. A sociedade chegou a um ponto em que tudo relacionado à questão do crescimento pessoal está focado no autocuidado e na busca do bem-estar e da felicidade.

Quase poderíamos dizer que as pessoas estão caindo em uma espécie de materialismo um tanto egoísta. Também é hora de ir além de nós mesmos e considerar aqueles que estão próximos de nós. É hora de cultivar certas competências psicológicas para ganhar qualidade de vida e ser capaz de criar ambientes favoráveis ​​para todos.

A esperança talvez seja o valor e o recurso emocional mais determinante no momento. Continue lendo para descobrir como mantê-la.

Como treinar o cérebro para manter a esperança
 

5 chaves para treinar o cérebro para manter a esperança

O psicólogo Dacher Keltner, professor da Universidade de Berkeley, entende a esperança do ponto de vista neuropsicológico. Em seu livro Born to Be Good: The Science of a Meaningful Life, ele explica a mecânica das áreas que afetam o bem-estar e a felicidade, assim como a saúde mental.

Ele afirma nessa obra que as pessoas são biologicamente preparadas para experimentar a esperança. Esse fato que, como tal, pode chamar a atenção, tem uma explicação: é um mecanismo de sobrevivência. O cérebro sempre priorizará o otimismo, a superação ou a resiliência diante do derrotismo. Isso porque, do contrário, as pessoas não seriam capazes de avançar na jornada da vida.

Também existem pesquisas como a realizada na Universidade de Sichuan, na China. Ela ilustra que a esperança é um antídoto para o estresse e a ansiedade. Pesquisadores observaram, através de ressonâncias magnéticas, que é possível treinar o cérebro para manter a esperança através da terapia psicológica.

Isso acontece ao gerar uma maior ativação em áreas como o córtex orbitofrontal medial bilateral e reduzir o nível de cortisol no sangue. Tudo isso se traduz em uma maior motivação e confiança em si mesmo e no futuro. Assim, os pesquisadores desenvolveram algumas chaves com as quais os seres humanos podem aprimorar essa dimensão:

Pense a curto prazo

Você pode manter a esperança se definir metas de curto prazo em vez de longo prazo. Assim, é melhor pensar no que pode acontecer na próxima semana ou no próximo mês para reduzir o estresse e ter um maior senso de controle.

 

O que pode acontecer em 12 meses é uma incógnita e focar nisso pode causar desconforto. É melhor se concentrar no que pode acontecer em um futuro próximo.

Portanto, é melhor definir metas simples para alguns dias a partir de agora. Por exemplo, você pode dizer a si mesmo que o que você quer para a próxima semana é se encontrar com amigos ou conhecidos para trocar ideias sobre a sua vida profissional.

É bem possível que, em um desses encontros, alguém saiba de uma oferta de trabalho ou lhe dê uma ideia que faça você se sentir melhor. O simples fato de alcançar a meta daquela semana fará você se sentir melhor. Além disso, você se sentirá mais confiante para fazer qualquer coisa.

Encontre significado nas pequenas coisas do dia a dia

Treinar o cérebro para manter a esperança envolve necessariamente encontrar significados na vida. Nosso cérebro precisa de coisas, dimensões e pessoas para se ancorar e encontrar segurança. Assim, ter hobbies e valores e relembrar o que você ama ou gostaria de alcançar na vida atuam como uma âncora para a segurança. Além disso, são coisas que o ajudam a continuar olhando para o futuro.

Para enfatizá-las, pegue um caderno e escreva frases simples que representem o que é significativo na sua vida cotidiana. Por exemplo:

  • “Gosto de estar com o meu parceiro” pode ser expresso através da frase “O amor me dá esperança”.
  • “Gosto de estar com os meus animais de estimação e levá-los para passear na montanha ou na praia” pode ser expresso através da frase “A natureza é importante para mim”.
 
  • “Meu trabalho é importante” pode ser expresso através da frase “Eu gostaria de progredir profissionalmente, isso me dá força para continuar”.
Mulher em praia vazia

Treine seu cérebro para manter a esperança parando de olhar para trás

Sua mente vagará obsessivamente em um ontem perdido que não permitirá que você siga em frente se você se sentir nostálgico sobre o passado e se concentrar nele. Treinar o cérebro para manter a esperança implica ter controle sobre seus pensamentos e atenção.

Como mencionamos anteriormente, não é adequado olhar para um futuro muito distante onde nada é certo e onde só existem hipóteses que podem aumentar a ansiedade. Da mesma forma, não é benéfico se colocar em um passado que não existe mais

Então, como ter sucesso? Foque sua atenção no presente e no futuro de curto prazo. Essa é a sua zona de sobrevivência e também de oportunidades. Você deve semear essa área com novas decisões para que seus objetivos floresçam. Da mesma forma, é também o cenário em que se escondem novas oportunidades que você deve aproveitar.

O simples ato de fazer coisas aumenta sua sensação de esperança e faz você se sentir mais seguro. Para concluir, seu nível de esperança tem um impacto direto na sua saúde mental. Portanto, trabalhar nela e transmiti-la a outras pessoas deve ser a sua prioridade. Mantenha isso em mente.

 
  • Wang S, Xu X, Zhou M1. Hope and the brain: Trait hope mediates the protective role of medial orbitofrontal cortex spontaneous activity against anxiety.Neuroimage. 2017 Aug 15;157:439-447. doi: 10.1016/j.neuroimage.2017.05.056