Como a mudança de horário nos afeta?

· maio 30, 2018

Dois finais de semana por ano, uma boa parte do mundo utiliza uma mudança de horário para aproveitar melhor as horas de luz. Esta ideia é muito antiga, tendo sido proposta pela primeira vez por Benjamin Franklin em 1874, com o objetivo de reduzir o consumo de velas e lamparinas.

Apesar disso, a mudança de horário não foi regulamentada até 1974 na maioria dos países ocidentais.

Apesar de alguns especialistas ainda discutirem a eficiência da mudança de horário, este costume já está tão arraigado em nossas vidas que seria difícil deixar de fazê-lo de uma hora para outra. Entretanto, sabemos como a mudança de horário afeta o nosso organismo? Neste artigo, contaremos o que a ciência diz a respeito.

Como a mudança de horário afeta o nosso organismo

Segundo os especialistas, nosso corpo não se adapta muito bem às mudanças de horário. Quando “perdemos” ou “ganhamos” uma hora, nosso ritmo circadiano se altera, de tal forma que vários efeitos negativos podem ocorrer. Estas mudanças no ritmo circadiano acontecem principalmente quando viajamos para outro fuso horário, mas poderíamos considerar que uma mudança de uma hora seria o equivalente a nos deslocar um fuso horário para o leste (no caso de adiantar uma hora) ou para o oeste (no caso de atrasá-la).

Entretanto, foi descoberto que nosso ritmo circadiano também pode ser alterado por outros fatores, como dormir mais tarde nos finais de semana ou a falta de um ciclo de sono regular. Portanto, ainda que o efeito da mudança de horário possa ser perceptível, não se trata de um problema isolado.

Mulher com sono bocejando

Algumas das consequências mais importantes da mudança de horário no nosso organismo são as seguintes:

  • Maior probabilidade de acidentes de trânsito.
  • Aumento do número de infartos.
  • Maior número de casos de depressão.

Vejamos cada uma delas.

1. Maior probabilidade de acidentes de trânsito

Um dos estudos mais surpreendentes relacionados com a mudança de horário foi realizado em 1999 por John Hopkins, na Universidade de Stanford. Neste estudo, foi constatado que a probabilidade de sofrer um acidente de trânsito aumentava 5% na segunda-feira após o início da mudança de horário.

Outro estudo financiado pela Universidade do Colorado constatou que os resultados eram ainda mais preocupantes, com um aumento de até 17%. Apesar do horário não parecer ter nada a ver com os acidentes, os dados não mentem. Mas por que ocorre este aumento?

O aumento no número de acidentes de trânsito após uma mudança de horário poderia ser explicado por um hormônio chamado melatonina. Este hormônio regula os ciclos de sono, e é um dos principais responsáveis por nos sentirmos mais alertas de manhã. Se há uma mudança brusca nos nossos padrões de sono, portanto, nos sentiremos mais cansados e menos atentos durante o dia.

2. Aumento do número de infartos

Da mesma forma, um estudo realizado pela Universidade do Alabama em 2012 sugeriu que o número de ataques do coração aumentava nos três dias posteriores à mudança de horário. Outros estudos também mostraram um pequeno aumento no número de derrames cerebrais.

O que causa estes fenômenos? Aparentemente, perder uma hora de sono provoca todo tipo de problema no nosso corpo: aumento do cortisol, perda de eficácia do sistema imunológico e sensação de ter menos energia. Ainda que estes problemas não sejam perigosos para a população em geral, no caso de uma pessoa com predisposição prévia eles poderiam ser o gatilho para um infarto ou um derrame.

3. Maior número de casos de depressão

Por último, alguns estudos mostram que a mudança de horário poderia estar relacionada com o transtorno afetivo estacional. Este transtorno está relacionado à falta de exposição à luz solar, o que pode afetar tanto nossa saúde física quanto mental.

Mulher com dor de cabeça

Ao mudar de horário, a quantidade de horas de exposição solar também pode ser alterada. Além disso, os efeitos da mudança de horário muitas vezes se confundem com os do aumento da temperatura. De qualquer forma, não deixa de ser uma mudança à qual nós temos que nos adaptar.