Como podemos nos relacionar com os pensamentos negativos?

maio 31, 2020
Nossa comunicação interna, especialmente em relação ao tratamento que recebemos, determina em grande parte a forma como nos sentimos. Assim, falamos de um caminho que pode nos afundar quando nos maltratamos, mas que também pode nos resgatar em circunstâncias adversas quando tratamos a nós mesmos com carinho.

A forma de se relacionar com os pensamentos negativos influencia a maneira como percebemos e interpretamos o que acontece ao nosso redor. Além disso, também tem influência nos comportamentos que exibimos diante de determinadas situações.

Por exemplo, se pensarmos o tempo todo que a apresentação do trabalho vai dar errado, é possível que essa insegurança gerada faça com que as coisas realmente deem errado, como o esperado.

Aaron Temkin Beck, psiquiatra norte-americano, afirma que os pensamentos negativos saboteiam o melhor de nós mesmos e, se não soubermos controlá-los, acabam criando uma situação de insegurança, ansiedade e raiva que, por sua vez, gera novos pensamentos negativos automáticos. Um círculo vicioso do qual não é fácil sair, no qual os pensamentos negativos se repetem constantemente.

De certa forma, tornam-se uma bola de neve que, à medida que o tempo passa, torna-se maior e vai perdendo o controle. Ficamos ruminando estes pensamentos, drenando a nossa energia. Mas, como podemos parar essa situação?

Névoa mental

Se relacionar com os pensamentos negativos é uma forma de comunicação

A comunicação com nós mesmos ou, em outras palavras, a linguagem interna (designada comumente como ‘pensar’) não é nada além de uma conversa que travamos com o nosso ser, com nós mesmos. Essa conversa influencia a nossa forma de nos relacionarmos com o mundo que nos rodeia, ao mesmo tempo que fala, e muito, de como tratamos a nós mesmos.

Portanto, a linguagem que temos com nós mesmos (pensamentos) é uma forma de comunicação, do mesmo modo que estabelecemos uma conversa com alguém.

Existe um amplo leque de pensamentos na linguagem interior, tanto pensamentos positivos quanto negativos. Nossa mente se detém naqueles aos quais damos mais valor e dedicamos mais tempo. Assim, os pensamentos negativos podem ir ganhando cada vez mais terreno, como parasitas que se instalam em nossa mente e não deixam outros tipos de pensamentos fluir.

Lembre-se de que maltratar a si mesmo tem o mesmo efeito de ser maltratado por alguém próximo. Por exemplo, se um familiar dissesse continuamente que você é desajeitado, inútil e que não sabe fazer nada direito, como você se sentiria?

Note como a sensação de mal-estar gerada pelos comentários negativos de uma pessoa pode ser equivalente aos comentários que fazemos a nós mesmos. Eles acabam se transformando em pensamentos ruminantes e obsessivos que sugam a nossa energia.

Como podemos lidar com os pensamentos negativos?

A Universidade de Rhode Island publicou uma pesquisa na revista Pshychology and Aging que tinha o objetivo de averiguar como os pensamentos negativos afetam cada faixa etária.

Os resultados mostram que a idade não importa, já que este tipo de pensamento gera angústia e atua como gatilho de muitas doenças, tanto para os jovens quanto para as pessoas de idade avançada.

O mal-estar e a frustração gerados pelas emoções negativas produzidas por este padrão de pensamentos fazem que acabemos deixando a porta aberta para a depressão e a ansiedade caso isso se prolongue no tempo.

Por essa razão, é fundamental aprender a lidar com estes pensamentos. A seguir, citamos algumas formas de aprender a combater os pensamentos negativos.

Identifique seus pensamentos negativos

Às vezes, não temos consciência das ideias que temos em nossa cabeça e de tudo o que elas condicionam em nossas vidas. Podemos até pensar que estas ideias são corretas e que acreditamos nelas com razão, mas a realidade é muito diferente.

Assim, para realizar uma identificação mais idônea, podemos tomar nota dos pensamentos negativos mais recorrentes. O que eles dizem, como dizem e em que situações? Escrevê-los pode ajudar a analisá-los melhor mais tarde.

Depois, reflita sobre o curso desses pensamentos quanto à sua origem, recorrência e consequências, como um observador externo faria. Se um amigo dissesse que tem esses pensamentos negativos, o que você diria a ele? Utilizar outro ponto de referência pode ajudar a ver as coisas de outra forma.

Assim como é importante identificar os pensamentos negativos, também é importante aceitá-los. Devemos aceitar que este tipo de pensamento é necessário em determinadas circunstâncias. Não podemos nos esquecer de que, em determinados momentos, estar continuamente tentando bloqueá-los, evitá-los e eliminá-los faz com que eles se retroalimentem.

Reformule seus pensamentos

Depois de identificá-los, você pode tentar dar um giro nesses pensamentos para começar, aos poucos, a introduzir pensamentos mais realistas e positivos. Para isso, questione o seguinte:

  • Quais seriam outras formas de interpretar estes pensamentos?
  • Podem existir outras interpretações mais reais, lógicas e positivas? Elabore uma lista que possa ajudá-lo a reformular estes pensamentos.

Após questionar cada pensamento negativo, é hora de começar a introduzir outros pensamentos alternativos, igualmente aplicáveis à situação, porém mais positivos, realistas e adaptativos. O objetivo não é eliminar os pensamentos negativos, e sim dar outro foco a eles, aprendendo a questioná-los para que eles comecem a perder espaço em nossa mente.

Aprender a lidar com os pensamentos negativos é um processo que leva tempo, prática e constância.

Mulher com pensamentos negativos

Potencialize sua autoestima

Às vezes, uma baixa autoestima dispara os pensamentos negativos fruto da insegurança e de um baixo senso de autoeficácia. Por isso, surgem dúvidas constantes sobre nós mesmos e sobre o que fazemos, o que acaba sendo um ímã para os pensamentos negativos.

Um ponto de partida também pode ser considerar como o conceito de nós mesmos (autoconceito) se encontra e se ele tem influência no tipo de pensamentos que experimentamos.

Trata-se de escutar os nossos pensamentos negativos, assim como faríamos com um melhor amigo: com paciência, carinho, procurando responder a estes pensamentos de forma racional, positiva, desarmando as possíveis distorções cognitivas nas quais podemos cair.