Como saber se você é viciado em infelicidade

A infelicidade é um vírus capaz de se instalar em nossas vidas sem que possamos perceber. Devemos levantar barreiras defensivas: cuidar da nossa resiliência, motivação e nutrir os propósitos com os quais podemos encontrar esperança ao acordar a cada dia.
Como saber se você é viciado em infelicidade

Última atualização: 10 junho, 2022

Todos nós queremos ser felizes, mas, e se nesse esforço estivermos conseguindo exatamente o contrário, ou seja, sermos infelizes? A infelicidade é algo além do que simplesmente o oposto da felicidade. É estagnação, angústia e ausência de estratégias pessoais para construir uma realidade mais plena, autêntica e significativa.

Geralmente se pensa que as pessoas têm uma motivação para buscar o prazer e a alegria, evitando assim a dor e a tristeza. Entretanto, se você olhar para aqueles que estão ao seu redor (família, amigos, colegas, vizinhos), perceberá que a maioria deles é “escrava” dos próprios problemas.

Diante dessa realidade, podemos nos perguntar o seguinte: por que, então, quando se sentem mal, alguns fazem o possível para melhorar enquanto outros continuam cutucando a ferida e não fazem nada para resolver o problema? Este é um tema que interessa psicólogos, neurologistas e sociólogos desde sempre. Veremos então o que os especialistas dizem.

“Quando uma pessoa se depara com uma adversidade ou um grande problema, ela o resolve abordando-o de forma criativa.”

-Albert Ellis-

Infelicidade, uma realidade muito comum

Em 1930, Bertrand Russel publicou A conquista da felicidade. Ele tinha como objetivo tentar explicar por que a sociedade parecia tão infeliz e, ao mesmo tempo, revelar quais estratégias poderiam ser seguidas para trabalhar o bem-estar. Assim, no prefácio desta obra, o autor aponta que o mais importante para superar a infelicidade é seguir o nosso “bom senso”.

Mas o que é o bom senso? Talvez pudéssemos entendê-lo como a nossa bússola interna, como aquele guia que cada um de nós carrega e que é capaz de nos dizer o que precisamos, por que devemos lutar e o que devemos evitar. Também Albert Ellis, psicoterapeuta e criador da terapia racional emotiva comportamental aponta para algo semelhante. De acordo com o famoso psicólogo, devemos tentar não trair a nós mesmos, sendo leais ao nosso equilíbrio emocional.

Por que existem pessoas que “não conseguem” ser felizes?

Há especialistas que falam sobre o vício em infelicidade, que tem a ver com a insegurança enraizada na pessoa ou com a falta de autoestima. Alguém, em um determinado momento, pode acreditar que não é digno de felicidade e, por isso, não luta ou batalha para mudar as coisas ou o seu estado.

Enquanto isso, há uma segunda teoria que fala sobre a forma como fomos educados. Se, durante a nossa infância, houver disciplina excessiva ou expectativas irreais, teremos assimilado a infelicidade como algo tolerável, normal e cotidiano.

Em terceiro lugar, diz-se que quem viveu várias experiências negativas ou traumáticas durante a vida sente, inconscientemente, uma vontade de voltar ao “status quo” da infelicidade, uma vez que tudo o que se conhece é essa zona de conforto. Ou seja, trata-se de alguém que não sabe o que é ser feliz.

Outras razões pelas quais uma pessoa pode ser viciada em ser infeliz têm a ver com “se orgulhar de seu realismo” diante das coisas que acontecem na vida, acreditando assim que é preciso focar apenas no negativo e não no positivo. São o tipo de pessoa que sempre vê o copo meio vazio.

Algumas pessoas, por causa de decisões ruins que tomaram, sentem-se muito culpadas e, por isso, punem a si mesmas, impondo-se a falta de felicidade.

A sensação de que, depois de um momento feliz, virá uma decepção

Também pode acontecer que uma pessoa tenha medo da felicidade porque tem “certeza” de que, depois dos bons sentimentos ou da alegria, virá a decepção ou a tristeza.

Por exemplo, há pessoas que não querem se apaixonar novamente porque foram muito prejudicadas em um relacionamento anterior. Elas se negam a felicidade por causa do medo de sofrer. No entanto, existem alguns casos semelhantes em que não se encontra um parceiro(a) para a vida por medo de ser enganado ou abandonado. Além disso, essa pessoa provavelmente também passará a vida dizendo o quanto é infeliz no amor.

Por sua vez, muitos consideram que, se forem felizes, nunca alcançarão os seus objetivos. Ou seja, em outras palavras, sem sacrifício não há ganhos. Assim, se não sofrerem antes de conseguir algo que desejam ou se acharem que conseguiram conquistá-lo de maneira fácil, provavelmente depreciarão o valor do que conquistaram, não se permitindo desfrutar do sucesso.

Depressão e ansiedade, impedimentos para o bem-estar

A infelicidade crônica pode aparecer, por sua vez, quando há um transtorno psicológico subjacente, tais como ansiedade ou depressão. Por exemplo: em um estudo realizado na Universidade de Tóquio pelos médicos Kawada e Kiratomi, revelou-se que dedicar as nossas vidas a um trabalho altamente estressante é, sem dúvida, uma das nossas maiores causas de infelicidade. Esses ambientes são fontes de ansiedade e depressão, dois fatores diretos de desconforto e sofrimento emocional.

mulher sentada em frente ao mar

Características de um “infeliz crônico”

Esta pequena lista vai te ajudar a perceber se você é viciado em infelicidade ou a detectar que há alguém dessa forma ao seu redor. Aquele que é classificado como um infeliz crônico.

Enfoques mentais e comportamentais que causam infelicidade

  • Pensamentos negativos, perspectiva derrotista e carente de motivação.
  • Falta de propósitos.
  • Papel passivo diante da vida, pensando que os próprios problemas são mais sérios ou mais difíceis de resolver do que os da maioria.
  • Planejar metas impossíveis de alcançar.
  • Não encontrar aquele impulso vital para se recuperar diante da adversidade.
  • Medo de começar coisas novas (por exemplo, conhecer pessoas, iniciar outras etapas, hobbies, tarefas…)

Para concluir, muito além do que poderíamos imaginar, a infelicidade é quase como um vírus capaz de se instalar em nossas vidas quando menos esperamos. Uma forma de evitar que isso ocorra é trabalhar os pontos indicados. Ter propósitos, ser resiliente, ousar inovar na vida e estabelecer metas viáveis e motivadoras pode gerar grandes e maravilhosas mudanças.

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  • Ellis, Albert (1998) Usted también puede ser feliz. Paidós